terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A EDUCAÇÃO MODERNA É A LIBERDADE E AUTONOMIA

                                                            REGINA DINIZ

O cruzamento de dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia  e Estatística (IBGE), desfaz qualquer dúvida: mais estudo significar também melhores vencimentos na vida profissional. A diferença salarial entre os que concluíram apenas o Ensino Médio e os trabalhadores brasileiros com curso universitário no Brasil alcançam 167%. O percentual, que já foi maior, começou a cair a partir do início deste século, numa tendência comum em países desenvolvidos, nos quais o ensino técnico costuma ser bem valorizado.

Mesmo com os avanços registrados no país nos últimos anos e de uma  maior conscientização dos brasileiros de maneira geral sobre a importância do estudo, as estatísticas são pouco animadoras. Levantamento conjunto dos jornais O Globo e o Estado de São Paulo, por exemplo, revela que nada menos de 5,3 milhões de pessoas entre 18 e 25 anos não estudam, nem trabalham, nem procuram emprego. Aumentou, porém, em 60% o total de jovens brasileiros que apostam na educação profissional, embora a proporção ainda fique longe da registrada em economias bem-sucedidas como a Alemanha por exemplo.

No Brasil além da baixa escolaridade, o país convive com outros problemas no âmbito educacional. Um deles é a baixa qualidade do ensino de maneira geral, tanto no nível médio quanto no superior.   O outro é a acentuada dissociação entre o que ocorre no meio acadêmico e na realidade. Além de melhorar o acesso ao ensino no nível superior, portanto, sem prejuízo de qualidade, o país precisa a-
proximar os conteúdos das exigências cada vez maiores e mais aceleradas do mercado de trabalho. Quem entra numa escola na Finlândia se espanta com a simplicidade das instalações. Era de esperar que o sistema educacional considerado o melhor do mundo surpreende-se também pela exuberância do equipamento didático.

Quem entra na escola Meilahden Yláast, em Helsinque , igual a centenas de outras no país, as salas de aula são convencionais, comquadro-negro e, às vezes, um par de computadores. Apesar dos despojamento, as escolas finlandesas lideram o ranking do pisa, é  a mais abrangente avaliação internacional de educação, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O último teste, em 2006 foi aplicado em 4OO.OOO alunos de 57 países.  O Brasil disputa as últimas posições com países como Tunísia e Indonésia. O Segredo da boa educação finlandesa realmente não está na parafernália tecnológica, mas numa aposta nas duas bases de qualquer sistema educacional. A primeira é o currículo amplo, que inclui o ensino de música, arte e pelo menos duas línguas estrangeiras. A segunda é a formação de professores. O título de mestrado é exigido até para os educadores do ensino básico.

O Brasil é o sexagésimo em ranking mundial de educação. O Brasil perdeu duas posições, em 13 de maio de 2015, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).  Foram
avaliados 76 países por meio do desempenho de alunos de 15 anos em ciência e matemática. O Brasil ficou entre os países com pior desempenho, atrás da Tailândia (47º-), Irã (51º-), Malásia (52º-), Chile (48º-) e Uruguai (55º-). Outros três sul-americanos ficaram entre os l5 piores colocados: Argentina (62º-), Colômbia 67º-) e Peru (71º-). No ranking de 2012, que avaliou  65 países, o Brasil havia ficado em 58º-. (O Brasil é o 60º- colocado em ranking mundial de educação – Zero Hora – Porto Alegre – l4-05-2015).

As cinco melhores colocações ficaram para os países asiáticos: Cingapura, Hong Kong. Coréia do Sul, Japão e Taiwan. O último colocado foi Gana. Segundo o diretor educacional da OCDE, Andreas Schlicher é a primeira vez que o ranking tem uma escala “verdadeiramente global” sobre a qualidade da educação: A idéia é dar a mais países ricos e pobres, a possibilidade de compararem-se com os líderes mundiais em educação para descobrir seus pontos fracos e fortes e ver os ganhos econômicos a longo prazo, gerados pela melhora da qualidade nesta área. O ranking será apresentado  oficialmente na próxima semana, durante o Fórum Mundial de Educação, na Coréia do Sul, quando líderes mundiais vão traçar metas de educação para os próximos 15  anos.

Além da baixa escolaridade, o país convive com outros problemas no âmbito educacional. Um deles é a baixa qualidade do ensino de maneira geral, tanto no nível médio quanto no superior, portanto, sem prejuízo da qualidade, o país precisa aproximar os conteúdos das exigências cada vez maiores e mais aceleradas do mercado de trabalho. Países como a Coréia do Sul, entre outros, são exemplos significativos de que é possível obter resultados compensadores com uma aposta firme em educação. Em apenas uma década  até 2014, o percentual de sul-coreanos com diploma universitário passou de 24% para 40%.

No Brasil, que só na área de engenharia tem um déficit estimado de 150 mil profissionais, muitas empresas começam a investir em treinamento, apostando nas chamadas “universidades corporativas”.
É importante que também o poder público faça esta opção clara, para permitir melhor formação, maiores ganhos para os brasileiros e um salto de qualidade para o país.

Segundo pesquisas recentes do INAF / Brasil, que examina os indicadores de alfabetismo funcional no país, realizadas entre 2001 e 2011, aconteceu neste período, um progresso no acesso à escola.
Entretanto, no que se refere a leitura, escrita e matemática, somente um em cada quatro estudantes domina essas habilidades básicas. Consultando o IBGE verifica-se que 20,14% dos brasileiros com mais com mais de 15 anos não têm possibilidades de participar de todas as atividades em que a alfabetização é necessária. Atualmente o número de analfabetos funcionais ou de pessoas que conseguem ler e compreender um texto fácil,  está estagnado. O grande desafio é que se há mais estudantes na escola, porque não há uma mesma proporção num processo de alfabetização plena? (Zero Hora – A Educação precisa de perguntas 13-05- 2013 – Porto Alegre).

O governo e as instituições de ensino precisam entender que uma das lições mais importantes a apresentar aos nossos alunos, além do compromisso com nosso campo de estudos, é a da liberdade e autonomia crítica. O professor segundo afirma Edward Said, precisa assumir o papel de “falar a verdade ao poder”. Em primeiro lugar, isso quer dizer que para além de consolidar  autoridades, devemos compreendê-las, interpretá-las e, sobretudo questioná-las.

A  Educação precisa é de mais questionamentos que busquem examinar: por que a educação dispõe sempre de tão poucos recursos? E, porque as instituições de ensino são estimuladas, cada vez mais, ao conhecimento instrumental e técnico, visando à formação de mão de obra para o mercado e não para a reflexão? Por que nunca há verbas dirigidas para as bibliotecas das escolas? Por que?...

Leitura e escrita são processos fundamentais da comunicação humana e também podem ser consideradas direitos inalienáveis dos indivíduos numa sociedade civilizada. No Brasil, infelizmente, uma parcela da população ainda não superou sequer a barreira do analfabetismo e um contingente ainda maior  tem dificuldades para  compreender e interpretar mensagens escritas. As verbas destinadas à educação nunca foram usadas devidamente. Todos os dias, milhares de alfabetizadores, professores, orientadores educacionais e até mesmo militantes de organizações não governamentais trabalham arduamente para ajudar milhões de brasileiros a dominar os códigos da comunicação gráfica e digital.

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