Para mim o próprio objetivo
da vida é perseguir a felicidade. Isto está claro. Se acreditamos em religião
ou não; se acreditamos nesta ou naquela; todos estamos procurando algo melhor
na vida. Por isso, para mim, o próprio movimento da nossa vida é no sentido da
felicidade. Eu sou feliz, decididamente... eu sou. Para mim a felicidade pode
ser alcançada através do treinamento da mente. É um significado que inclui o
intelecto e o sentimento. (Autor: Sua Santidade, o Dalay Lama e Howard
C.Cutler) – Editora: Livraria Martins Fontes Editora Ltda – São Paulo – Ano:
2.OOO).
O propósito da nossa
existência é buscar a felicidade. Pensadores ocidentais como Aristóteles e
Willian James concordaram com a idéia. Pesquisas e mais pesquisas revelaram,
que são as pessoas infelizes, que costumam ser mais centradas em si mesmas e
que, em termos sociais, com frequência são retraídas, ensimesmadas e até mesmo
hostis. Já as pessoas felizes são em geral consideradas mais sociáveis,
flexíveis, criativas e capazes de suportar as frustrações diárias com maior
facilidade do que as infelizes.
Pesquisadores desenvolveram
algumas experiências interessantes, que
revelam que as pessoas felizes demonstram um certo tipo de abertura, uma
disposição a estender a mão e ajudar os outros. Infelizmente, a cultura em todo
o planeta, se baseia nas aquisições materiais. Vivemos cercados bombardeados,
por anúncios das últimas novidades a comprar, do último modelo de automóvel e
assim por diante. É difícil não ser influenciado por ser este estado de ser.
São tantas as coisas que queremos, que desejamos. Parece que não tem fim.
Sempre me pergunto se meus
desejos são positivos. O bem maior é o desejo de paz. O desejo de um mundo mais
harmonioso, mais amigo. Receio a ganância, por que ela conduz a uma sensação de
frustração, decepção, a muita confusão e sérios problemas. A felicidade não
está na procura de fontes externas, tais como a riqueza, a posição social ou
mesmo a saúde física. Outra fonte interna da felicidade, está estreitamente
ligada a uma sensação de amor próprio.
Não podemos negar que nossas
necessidades físicas fundamentais da alimentação, vestuário e moradia não sejam
satisfeitas. Entretanto, uma vez atendidas essas necessidades básicas não
precisamos de mais dinheiro, não precisamos de mais sucesso ou fama, neste
momento exato, dispomos da mente, que é todo o equipamento básico de que
precisamos para ser felizes. Entretanto, infelizmente surgiu o consumismo que
atua para manter a reversão emocional do trabalho e da família.
O consumismo realiza um
bombardeio contínuo de anúncios graças a um média diária de três horas de
televisão (metade de todo o seu tempo de lazer), os trabalhadores são
persuadidos a “precisar” de mais coisas. Para comprar aquilo de que agora
necessitam, precisam
de dinheiro, aumentam sua
jornada de trabalho. Estando fora de casa
por tantas horas, compensam
sua ausência do lar com presentes que
custam dinheiro. Materializam o amor. E assim continua o ciclo.
Materializam o amor. E assim
continua o ciclo.
Ocupados em ganhar mais
dinheiro em função de coisas de que crêem precisar para serem felizes, homens e
mulheres têm menos tempo para a empatia mútua e para negociações intensas por
vezes tortuosas e dolorosas, mas sempre longas e desgastantes. E ainda menos
para resolver seus mútuos desentendimentos e discórdias. Isso aciona outro
círculo vicioso: quanto mais obtêm êxito em “materializar” a relação amorosa
(como o fluxo contínuo de mensagens publicitárias os estimula a fazer), menores
são as oportunidades para o entendimento compassivo exigido pela notória
ambiguidade poder/carinho do amor.
É preciso pensar sobre as
raízes consumistas, do simultâneo definhamento da solidariedade social nos
locais de trabalho e do desaparecimento do impulso de cuidar – compartilhar
dentro dos lares. Os danos colaterais abandonados ao longo da trilha do
progresso triunfante do consumismo se espalham por todo o espectro social das
sociedades “desenvolvidas” contemporâneas. Existe, contudo, uma nova categoria
de população, antes ausentes dos mapas mentais das divisões sociais, que pode
ser vista como vítima coletiva dos “danos colaterais múltiplos” do consumismo.
Nos últimos anos, essa categoria recebeu o nome de “subclasse”.
“O papa Francisco e a
cantora colombiana Shakira, cada um no seu estilo, ocuparam o mesmo palco no
mês de setembro de 1915 e emitiram coincidentes mensagens de paz e
solidariedade para uma platéia
planetária. Ambos fizeram suas manifestações na sede das Nações Unidas,
em Nova York, e coincidiram num ponto principal: o
ser humano pode, sim,
construir um mundo melhor, compartilhado por todos, sem fome nem miséria.
Foi enfático o líder da
Igreja Católica, que aproveitou os 70 anos da ONU e uma assistência
qualificada, formada por cerca de 150 chefes de Estado e de governos de todos
os continentes, para classificar como irresponsável a gestão econômica global,
guiada pela ambição
de riqueza, O Papa condenou
duramente o lucro indiscriminado de organismos financeiros que não estão
submetidos ao interesse coletivo e defendeu a regulação desses organismos.
O Papa aproveitou, ainda, o
momento de grande visibilidade para renovar a pregação em defesa do meio
ambiente, lembrando que a sede de poder e a propriedade material sem limites
favorecem a miséria, destroem a biodiversidade e ameaçam a própria existência
da espécie humana.
Foi precisa e contundente a
cantora Shakira ao interpretar para o mesmo público a canção Imagine, de John
Lennon, que evoca um mundo sem fronteiras nacionais, sem religiões, sem
ganância, sem fome – “sem nada porque matar ou morrer”. Ambos foram aplaudidos
de pé pelos assistentes e pelas autoridades presentes. Resta saber se as
mensagens de paz e as críticas serão absorvidas por homens
e mulheres que detêm o poder
de influenciar o destino de milhões de pessoas.
Nem a pregação social do
líder religioso, nem o canto emblemático do artista devem esgotar-se com os
aplausos, pois contêm ensinamentos que podem mesmo ser aplicados na construção
de uma sociedade planetária, mais justa e mais igual. E esta não é uma tarefa
apenas de governantes. Todas, as pessoas podem contribuir com exemplos, com
idéias e ações nesta cruzada pela proteção do ambiente e pela justiça social.
Como diz um dos versos da canção histórica, é fácil se você tentar.

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