sexta-feira, 3 de junho de 2016

A SOCIEDADE HUMANA PRECISA DE AJUDA UNS DOS OUTROS






REGINA DINIZ



Somos capazes de agir com amabilidade e generosidade com aqueles que não são nossos parentes consanguíneos. Em primeiro lugar, a origem evolutiva desse fenômeno pode parecer óbvia: claramente, prosperamos trabalhando juntos – na caça, na coleta, no cuidado da prole, e assim por diante -, e nossos sentimentos sociais tornam possível esta coordenação. Adam Smith destacou este fato muito antes de Darwin: Todos os membros da sociedade humana precisam de ajuda uns dos outros, e estão igualmente expostos a ofensas mútuas. Nas sociedades onde a ajuda é provida de forma reciproca através do amor, da gratidão, da amizade e da estima, a sociedade se desenvolve e cresce feliz”. E assim é em nome do benefício de todos, que nos preocupamos com aqueles, que nos cercam. (Autor: Paul Bloom – Livro: O que nos faz bons e felizes ou maus – Editora: Best Seller – Rio de janeiro – 2014)



Para que a sociedade floresça dessa forma, os indivíduos têm que se abster de tirar vantagem uns dos outros. A ética é a morada do homem, diziam os primeiros filósofos gregos no século VI a.c. A Ética vem dos gregos ethos, que significa modo de ser ou caráter. Para eles, o ethos representava o lugar que abrigava os indivíduos e cidadãos, aqueles responsáveis pelos destinos da pólis (cidade).Isso significa que, vivendo de acordo com as leis e os costumes, os indivíduos poderiam tornar a sociedade melhor e encontrar nela sua proteção, seu abrigo seguro. A Ética aparece, assim, como resultado das leis determinadas pelos costumes ou das virtudes e hábitos gerados pelo caráter dos indivíduos. Os costumes representam, então, o conjunto de normas e regras adquiridas por hábito, enquanto a permanência destes define o caráter virtuoso da ação do sujeito. A excelência moral seria não apenas determinada pelas leis da cidade, mas também pela decisões pessoais que geram as virtudes e os bons hábitos.



Ética e moral são palavras que significa, em sua origem, a mesma coisa, pois dizem respeito ao modo como os indivíduos devem agir em relação ao outro no espaço em que vivem. Entretanto, hoje podemos estabelecer uma diferença entre ambas, pois a Ética se constitui como uma parte da filosofia, que se trata da moral em geral, ou da moralidade de cada ser humano, em particular. A Ética é por muitos definida como a ciência da moral. Isso significa que a moral aparece atualmente como um objeto de reflexão da Ética. Desse modo, enquanto à Ética compete estudar os elementos teóricos, que nos permitem entender a moralidade do sujeito, a moral diz respeito à esfera da conduta, do agir concreto de cada um. Pode-se resumir tais diferenças da seguinte forma: a Ética revela-se como reflexão (teoria) já a moral diz respeito à ação (práxis).



O mundo da moral envolve a individualidade (subjetividade e a coletividade (intersubjetividade) dos seres humanos dotados de sentimento e razão. Nesse sentido, a prática do bem ou da justiça estaria ligada ao respeito às leis da pólis (heteromania) e a intenção individual (autonomia de cada sujeito). Isso significa que existem fatores externos (a lei, os costumes) e internos (as convicções, os hábitos), que determinam o comportamento dos cidadãos. Nesse sentido, a moral definida como um conjunto de regras, princípios e valores que determinam a conduta do indivíduo, teria sua origem nas virtudes, ou ainda na obrigação de o sujeito seguir as normas que disciplinam o seu comportamento. Todavia, a boa conduta poderia também se determinada pela educação na medida em que o processo educacional forneceria as regras e ensinamentos capazes de orientar os julgamentos e decisões dos indivíduos no seio de sua comunidade.



Desde os gregos, portanto, a educação se configura como um elemento fundamental para a constituição da sociabilidade. Assim, enquanto os costumes determinam as normas e valores a serem seguidos ou transmitidos pelos sujeitos morais, a educação se impõe como um importante instrumento para o desenvolvimento moral do indivíduo. Isso porque, as virtudes que determinam a excelência moral dos agentes sociais, que poderiam ser transmitidos pelos ensinamentos. A educação estaria, por conseguinte, na base do esforço para fazer do indivíduo um homem bom e do sujeito um cidadão exemplar. A formação moral serve também de auxílio à formação do indivíduo em sua dimensão política. Assim, o ethos não apenas representa o instrumento fundamental para a instauração de um viver em conjunto, como serve de alicerce à construção do espaço da política. Disso se conclui que Ética e política são atividades que se relacionam e se completam.



A necessidade que se impõe a cada ser humano o dever de respeitar os costumes e as normas da sociedade revela a importância da moral em nossas vidas. Nenhuma comunidade humana pode sobreviver sem o mínimo de regras ou padrões de comportamento, ou seja, sem um código de condutas. O referido código normativo representa os ensinamentos que orientam nossas ações diante do mundo e, sobretudo, em face do outro. A Ética, enquanto campo de estudo e reflexão, revela que nossas ações tem efeitos na sociedade e que cada homem deve ser livre e responsável por suas atitudes. A responsabilidade se constitui como elemento essencial à vida moral do indivíduo.



“De acordo com o ranking de felicidade da Organização das Nações Unidas (ONU), os dinamarqueses são a nação mais feliz do mundo. Para chegar ao ranking, a ONU fez perguntas diretas ao povo a respeito de sua felicidade e otimismo no momento, além de perspectivas de vida. Depois, a pesquisa levou em conta o PIB percapita  da  população, expectativa  de vida saudável , percepção de corrupção no país  a liberdade, por exemplo.



Com elevados índices de educação, saúde e renda a Dinamarca saiu na frente. Mas o que, realmente torna os dinamarqueses felizes é o extremo grau de confiança, que as pessoas têm uma nas outras, segundo o professor de Economia Christian Bjornskov, que tem um PHD no tema “felicidade e economia” pela Aarhus Business School.



Nós perguntamos para as pessoas se elas acham que desconhecidos são dignos de confiança. Cerca de 70% na Dinamarca, diz que sim. No Brasil, esse índice é de apenas 7%, compara o professor. Mas por que isso torna as pessoas mais felizes? Segundo ele, melhora as relações sociais e “as pessoas ficam felizes em saber, que não precisam ter pequenas preocupações”, diz. Perder a carteira ou tentar encontrar um endereço na rua deixam de ser pequenas preocupações cotidianas, então, segundo ele.



A Confiança que os dinamarqueses têm nas instituições do seu país,especialmente políticos e polícia, também os torna um povo mais feliz. ”As pessoas se acostumam com bens materiais, não é isso que as faz felizes, mas se você realmente  combater a corrupção, elas confiam no país e isso ajuda na “felicidade” afirma Bjornskov. Para um brasileiro, confiar em políticos pode parecer estranho, mas a Dinamarca conta com um sistema judiciário que aparentemente não deixa corrupção impune. Até 1840, explica Bjornskov, quem fosse pego em esquema de corrupção passaria o resto da vida na cadeia.    

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