sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

A ÉTICA PRESCREVE O C0MP0RTAMENTO UNIVERSALMENTE CORRETO


REGINA DINIZ


      De modo ideal, a ética é um código de leis que prescreve o comportamento “universalmente’’ correto, isto é, para todas as pessoas em todos os momentos. Trata-se daquele comportamento, que separa o bem do mal para todos, de uma vez por todas. É por isso que a enunciação de determinações éticas deve ser uma tarefa de pessoas especiais, como filósofos, educadores e pregadores. A autoridade dos especialistas em ética é legislativa e judiciária ao mesmo tempo. Os peritos proclamam a lei e julgam se suas prescrições foram seguidas de modo fiel e correto. [ Autor; Zigmunt Bauman – Livro; Vida em fragmentos – ano – 1925].

Pessoas afundadas até as orelhas na luta diária pela sobrevivência nunca foram capazes nem sentiram a necessidade de codificar sua compreensão do bem e do mal sob a forma de um código de ética. Afinal, os princípios dizem respeito ao futuro – a como esse futuro deveria ser diferente do presente. Por sua própria natureza, os princípios se encaixam bem no indivíduo moderno emancipado, desencaixado, auto-aprimorador, que arrancou do peito a preocupação apenas utilitária de se alimentar, abrigar e calçar, e assim poderia dedicar seu tempo a ‘’transcender’’ tudo isso.

A lei local da civilização ocidental que se autodenominou modernidade poderia ser articulada e sentida como universalidade do abraço com que o ocidente envolveu o resto do que era humano do globo; foi a globalidade de sua dominação que permitiu aos europeus projetar ’’ a civilização deles, a história deles, o conhecimento deles como civilização, história e conhecimento em qualquer situação; perspectivas a partir das quais as percepções são estabelecidas e reparadas pelo diferencial de poder. O objeto da percepção é tão fraco e ocidental, quanto esmagador o poder de mudá-lo ou movê-lo para fora do caminho.

Os princípios são necessários para impedir a transcendência de sair do controle. A sobrevivência pelo contrário, é essencialmente conservadora. Seu horizonte é desenhado com tintas antigas. Manter-se vivo, hoje, significa não perder o que quer que ontem assegura-se a vida – não mais que isso. O elemento da sobrevivência é as coisas não ficaram piores que antes. Por conseguinte, seja como for que os juízos morais se façam por pessoas sobrecarregadas com a tarefa de sobrevivência, eles tendem a ser negativos, e não positivos.

’’A se confiar na seminal descoberta de Barrington, Moore, a moralidade popular em momento algum se assemelhou do código de princípios universais os quais a verdadeira ética, de acordo com a filosofia moderna, deveria mirar. Isso não significa que as “massas’’ fossem estranhas aos sentimentos morais e à sensibilidade moral, e que deveriam ser ensinadas na moralidade ou forçadas a serem morais. Significa apenas que, fosse qual fosse a moralidade que estas massas possam ter tido, ela em geral não era aprimorada nem diminuída pelos esforços especializados para instalar princípios heterônomos de distinção entre o bem e o mal, ou mesmo pela falta de esforços.

A crise da ética não necessariamente augura uma crise de moralidade. E ainda menos obviamente o fim da “era da ética” proclama o fim da moralidade. Um caso convincente poderia ser montado, em nome da suposição oposta, o argumento de que o fim da “Era da Ética’’ serve de guia para a “Era da Moralidade’’ – e de que a pós-modernidade ser vista justamente como isso era.    
  


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