sábado, 30 de março de 2019

O MUNDO EM DESACORDO - DEMOCRACIA E GUERRAS CULTURAIS – FERNANDO SCHULER


REGINA DINIZ

Democracia e guerras culturais. Construir consensos é um ideal, indissolúvel das democracias. Ao contrário dos regimes de força, que impõem visões de mundo únicas, democracias contemplam uma pluralidade de modos de vida, de identidades coletivas e individuais, com seus anseios, suas aspirações e suas urgências. É apenas na democracia, graças ao debate público ao esclarecimento e ao convencimento do outro, que variadas identidades formam arranjos de maiorias e minorias para buscar o acordo, a tolerância. [ Autor; Fernando Schuler ].
Contudo, o que ocorre quando identidades religiosas, raciais, de gênero ou de comportamento e cultura tornando-se tão radicalizadas que a sociedade não encontra mais o consenso. O que acontece quando reinam a intolerância e o extremismo onde deveriam triunfar os direitos de todos, o respeito mútuo e a igualdade na diferença. Quando a sociedade envereda por este caminho – o caminho das guerras culturais-, é a própria democracia que corre riscos. Já faz meio século que políticas de ações afirmativas e movimentos identitários tem sido parte essencial da busca por uma sociedade baseada em direitos e oportunidades para todos. [ Fernando Schuler – Doutor em Filosofia e mestre em ciências Políticas pela UFRGS. É professor no INSPER e curador do FRONTEIRAS DO PENSAMENTO.
O problema surge quando um tipo qualquer de identidade produz seus próprios critérios de superioridade moral e exclusão do outro, inviabilizando os acordos e consensos mínimos, que garantem a vida e a força das sociedades democráticas modernas. MARK LILLA, da UNIVERSIDADE DE COLUMBIA, afirma que o progresso norte-americano anda imerso em um tipo de pânico moral em função de temas de gênero, raça e identidade sexual. 0 mesmo poderia ser dito sobre diferentes formas de conservadorismo. As guerras culturais marcam a migração dos temas éticos para o centro do debate público. FERNANDO SCHULER – Doutor em Filosofia e mestre em Ciências Políticas pela UFRGS. É professor em Ciencias no Insper e curados de Fronteiras do Pensamento – 2018.
O sentido e os limites da arte, a natureza do casamento e da família, o papel da mulher e do homem na sociedade passam a ser matéria de acirrado debate político, partidário e governamental, não mais se restringindo a esfera dos indivíduos ou da sociedade civil. Sobre esses temas não haverá acordo em uma ’’grande sociedade plural. O filósofo e neurocientista de Harvard Joshua Greene fala de uma ‘’tragédia de moralidade do senso comum’’ para tratar do desacordo nas democracias contemporâneas.
         Somos talhados para viver em ‘’Tribos Morais’’, não em um universo cosmopolita. Uma ética global ainda está para ser construída. Este é em boa medida, o desafio de nosso tempo. Agravar esta situação há o papel das mídias sociais. No lugar da grande agora global , que no final do século passado prometia o aprofundamento do diálogo entre os diferentes, o que emergiu de fato assemelha-se mais a um tipo de guerra hobbesiana de todos contra todos impedindo os consensos e minando instituições democráticas. Explorar esses temas, celebrar a diferença sem perder a dimensão do diálogo, decifrar os mistérios da guerra cultural e o atual estado da democracia serão alguns dos desafios do Fronteiras do Pensamento em 2018.
        O conceito de reprise nos possibilita de ver ainda, a continuidade e a descontinuidade da história percebendo o seu sentido e o seu  conteúdo. O sentido está na coerência e no conteúdo. O sentido está na coerência e no conteúdo na violência. É a reprise que torna a categoria aplicável a realidade e que permite assim realizar concretamente a unidade da filosofia e da história. Isto é, mostra como uma categoria pode assumir uma realidade, pode ser elevada em nível de categoria, isto é, de pensamento. Pois só através de pensamento. Pois só através de pensamentos encarnado na realidade histórica a qual ele pode expressar.
     A passagem de uma categoria a outra aparece ao logico de filosofia, como uma exigência no sentido que a nova categoria compreenda e supere a categoria precedente, como os demais precedentes. Mas esta exigência é puramente formal, na realidade cada atitude é pura e produz uma categoria pura, isto é, um discurso coerente. O grande homem é aquele que superou uma atitude e o filósofo aquele que soube que a atitude foi ultrapassada. Esta afirmação nos faz lembrar certas atitudes, provindas dos fatos importantes da história, que mais tarde foram elevadas ao conceito. Além do mais sempre uma nova atitude se faz presente. A história é que impulsiona o pensador a mudar de categoria.

A lógica da filosofia tem por tarefa ainda justificar o desenvolvimento dos seus conceitos,  como vimos nas folhas anteriores. Porém existe um argumento, que mesmo antes de ser justificado parece ir contra a tarefa da lógica da filosofia a: ‘’Todo discurso coerente é o fim da história que a ele conduziu. [ WEIL, 1985 , p.83]. Esta conclusão não parece ir de encontro a tudo que afirmamos antes. Porém admitimos esta hipótese que a lógica da filosofia seja possível somente no fim da história. Mas que história que é a sua. Dito de outra forma, ela só é possível a partir do momento onde a violência é vista na sua pureza e, por conseguinte, a vontade de coerência como decisão violenta do homem contra a violência natural é compreendida como o centro do mundo, no qual essa decisão é tomada.

         Em suma, seria a passagem violenta da violência a coerência. Enquanto existir a violência é sinal que a história ainda não chegou ao seu fim, uma vez que neste sentido os homens recorrer a ela, e a decisão a coerência pode ser esquecida, recusada, não mais compreendida como possibilidade concreta do homem. A filosofia, confirma ERIC WEIL ; ‘’ É eterna porque procura sempre a mesma coisa; a compreensão é histórica – porque o que importa não é o que ela encontra, mas o caminho pelo qual ela o encontra, de que parte toma seu ponto de partida ‘’ [WEIL, 1985, p. 84].O caminho que o homem toma para chegar a coerência e sempre o caminho da liberdade condicionada. Neste sentido todo sistema é verdadeiro e ultrapassado. Verdadeiro, enquanto uma determinada coerência é atingida nele, não importa a que momento da história o indivíduo pode se contentar desta coerência, que decorre de sua elaboração, isto é, assumindo o seu mundo sob uma determinada categoria. A Filosofia a partir da verdade e da violência e compreendeu que a verdade é o fim e o início da filosofia. Não se trata mais de compreender como chegar ao universal ou como entrar na verdade, na presença. Ela já se encontra na verdade, na medida em que ele quer ser razoável e ele o é.




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