Regina Diniz
Reorientar-me...
Reestruturar-me...
Mudar o padrão vibratório...
A felicidade está aqui...
Hoje, fui acordada por um raio de sol,
Que me aqueceu afetivamente...
A tal ponto, que me senti invadida
Por alegria prazerosa, que me nutriu
De vontade intensa de fazer planos renovados,
Buscando a paz que transcenda a minha própria compreensão,
Assumindo o exercício da ética comigo mesma.
Aqui da janela visualizo o mato verde,
Que começa há quatro metros da casa...
É primavera... a estação das renovações fortes,
É uma festa de cores...
É uma explosão de vida...
Trepadeiras amarelas balançam no ar...
Com a elegância e leveza de trapezistas da natureza,
Parecem querer dizer-me:
- Procura a estrada do comportamento correto...
- Mergulha no prazer da busca...
- E ornamenta tudo por onde andares...
- Aprenda conosco... Sinta o nosso poder de encantamento,
- Porque a retribuição é imediata... Vale a pena praticar...
Edificarei a minha ilha de sobrevivência
E nela só triunfarão
A criatividade que motiva,
Só vibrará a magia pelo aprender...
Uma cigarra solitária canta,
Faz uma pequena pausa e continua
Em tom alto e melodioso.
É uma líder de vanguarda,
Já descobriu que o verão se aproxima,
E quer avisar-me:
Que preciso de muita força interior,
Para transpor os desprezos e os insultos,
Para permanecer com boa saúde mental...
Procurarei saídas interiores de paz...
Paz comigo...
Paz com os outros...
Priorizando confirmações saudáveis,
Levando a sério uma mudança radical,
Rumo a elevada auto-estima,
Porque é escandaloso imaginar
Que viver sempre em litígio,
Que viver de pequenas guerras cotidianas,
Eu vá melhorar a minha felicidade.
Olho-me sempre no espelho,
Procurando traços de desistência,
Não quero tornar-me uma pessoa machucada,
Ferida e ferindo,
Tornando-me uma pessoa seca,
De prontidão para com os motivos depressivos,
Tenho medo do inconsciente mundial...
Custe o que custar
Não fugirei...
Assumirei o meu jeito de estar no mundo,
Responsabilizar-me-ei por atos saudáveis de viver...
Odeio estar sozinha... Nunca estive sozinha...
Sinto nas minhas costas o peso do treinamento sistemático,
De séculos e séculos para a dependência.
Tenho dificuldade em planejar a minha vida
Numa cultura suicida...
Aprendi que os seres humanos mais proeminentes,
Aqueles que auxiliaram decisivamente a humanidade
Foram independentes...
Às vezes acredito que a segurança deforma
E inutiliza as pessoas...
Preciso construir coragem dentro do meu eu...
A necessidade de liberdade para forjar uma personalidade sadia,
Clama por satisfação dentro do meu peito,
Parece que alguém de segundo a segundo
Sussurra ao meu ouvido:
- Agüenta firme... A responsabilidade cura a alma.
Agora estou sentindo o perfume de flores do mato.
É algo essencialmente puro.
Preciso purificar muitos conceitos arraigados dentro do meu ser.
Propostas falsas pululam por todos os lados,
Um caldeirão infernal de corrupção fervilha...
Brota com toda a força... é impressionante...
É preciso coragem para reagir...
Procuro ultrapassar os próprios limites em busca de coerência.
Remo obsessivamente a procura de águas éticas,
Mas o inconsciente do planeta acredita na destruição mútua
Como renovação... São conflitos pessoais e culturais que explodem.
Estou pensando por onde começar...
Para estimular o meu inconsciente coagido,
Acuado e confuso...
Mitos, monstros da idade média
Enchem a minha cabeça... dinossauros, vampiros,
Exijo-me apurada faxina mental...
Agora usufruo desta maravilhosa experiência,
Acordei muito bem hoje,
Os deuses estão sorrindo para mim...
É só me ajudar que idéias saudáveis surgirão,
Boas idéias que elevem a mim e aos outros.
Mas me vejo insegura.
Parece que o que me falta são convicções próprias.
- São intensos os medos da violência,
- Que fico em dúvida no que acreditar...
- Agora vou correr atrás dos valores milenares,
- Aqueles que valeram por séculos e séculos
- E deram excelente base emocional
- E não o terrorismo sádico que hoje é proposto.
Criarei mitos mentais equilibrados
Para entender o mundo,
Fazer o bem incondicionalmente,
Sem estar vidrada nas recompensas...
Desço as escadas do sobradinho,
Olho-me no espelho,
Fotografo-me realmente decidida
Em seguir a frente,
Retirando o limo das pedras do meu inconsciente.
Instalo-me tranqüilamente numa cadeira,
Comendo pedaços de abacaxi.
Início as delícias da manhã...
O sol está radiante...
O céu está azul...
Dentro de poucos minutos irei ao banho de mar...
Árvores as mais frondosas e exóticas mostram exuberância...
Ouço o canto de pássaros raros...
Ar puro...
Silencia Divino...
É um momento iluminado...
Para achar portas de saída existencial...
Tilintou o telefone...
Quem será que ousou interromper o meu retiro
Deste mundo tremendamente conturbado?
A voz do meu amigo Maurício há quinhentos quilômetros daqui
Rompe com as minhas teses de superação...
-Maria Helena estás bem? Dormiste bem?
-Todos estamos preocupadíssimos...
-E sabes bem o porquê, te amamos muito...
-Está comprovado que o estresse do medo
-Penaliza gravemente o coração.
-Qualquer motivo de insatisfação é só chamar...
-Largaremos tudo e iremos buscá-la.
Respirei fundo duas vezes, concatenei a minha concentração
E metralhei:
-Estou feliz da vida, o mar espera-me.
-Agradeço ao mundo maior
-Por ter permitido que eu me afastasse dez dias,
-Das pressões da selva da sobrevivência...
-Passou só um dia e já alimentas com tenacidade
-A idéia de que não posso cuidar –me,
--Que não posso afirmar a minha identidade,
-E que não sei defender-me...
-Fiquei um ano trabalhando, na sufocação,
-Encostada na parede, assustada todo o tempo,
-Com medo da alta do custo de vida,
-Com medo de não poder manter-me viva...
-Dá-me um tempo no mercado afetivo e sexual.
-Dá-me coragem...
-Para construir a autenticidade e fidelidade para comigo mesma...
Uma pausa...
Para a fundação de novos padrões...
Uma pausa...
Para a renovação extraordinária...
E agora mergulho no mar transbordando
E transbordante de vigor mágico...
As ondas embalam o cântico
Da evolução infinita...
Sinto-me em silêncio interior...
Vejo tudo com os olhos da sabedoria,
Sem a ignorância...
Torno-me feliz...
Na serenidade e seriedade...
Longe da superficialidade de consciência,
E perto da concentração profunda,
Consigo tocar os poderes de discernimento claro,
Valorizo agora a introspecção sutil...
Com certeza obterei ganhos em processos biológicos saudáveis,
Descubro que o meu corpo e a minha alma trabalham cooperativamente,
E não competitivamente...
O custo da cegueira é altíssimo...
Perguntas estalam inutilmente em minha mente,
Vencedora de quê?
Perdedora de quê?
O que vale é o modo como nos tratamos...
Que água cristalina!...
Enxergo os meus pés com nitidez,
É bem fresquinha...
Como me faz bem o relax...
A suavidade das ondas refresca-me da luta intensa.
Ouço o piado euforizante das gaivotas,
Cantam para homenagear
Esta tentativa de mudança de ser.
Quero sentir-me segura,
Como um animalzinho em sua toca.
Cansei-me de sentir-me ameaçada,
É horrível...
Gostaria de ser plenamente acolhida neste belo planeta...
Sem pressões...
Sem prontidão para ataques e fugas...
Sem guerrilhas surdas comigo mesma,
Estou idealizando um ambiente acolhedor,
A meu próprio favor...
Sem mascarar a lisura de intenções.
Chegará um tempo não muito longe,
Quando os predadores forem sumariamente eliminados...
Quero crescer como pessoa
Não quero ganhos imediatos...
Não entrarei na desenfreada corrida individualista
Quero cuidar da Contabilidade com Deus...
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