Regina Diniz
Walter Benjamin se referiu à extinção da experiência na modernidade, aludindo às implicações do modo de vida instaurado pelo capitalismo urbano e industrial, que dinamitou as condições necessárias para uma experiência coletiva e partilhada. Dilacerou-se aquela tradição fortemente sedimentada no grupo e, do mesmo modo também se desmoronaram as possibilidades de vivenciar experiências pautadas pela transcendência. Esse distanciamento das tradições comunitárias e do além, que alimentou as fabulosas possibilidades abertas pelo individualismo moderno e contemporâneo, também fechou outras portas. Nesse saldo negativo seria necessário anotar a solidão. (Citação feita p/ Paula Sibilia no livro “O Show do Eu – a Intimidade como Espetáculo” – 2009).
Os ideais éticos há milênios são o da dignidade do homem como um objetivo e um fim em si, de amor fraternal, da razão e da supremacia dos valores espirituais sobre os valores materiais. Esses ideais se relacionam a conceitos de Deus. Quando expressamos a nossa fé, vivendo-a nos sentimos mais fraternos.
O homem ao longo da civilização, desenvolveu a capacidade de pensar, imaginar e refinar a percepção. Temos acesso aos grandes mestres da raça humana, que postularam as normas para uma vida sadia. Mas, hoje ele ficou ansioso pela ameaça aos valores sociais, emocionais e morais que percebe contra si mesmo.
O homem para sentir-se em paz no mundo deve perceber não só com a cabeça, mas também com os sentidos. Gostamos de olhar, ouvir, criar, usar as mãos em atividades por mais singelas que sejam. Uma necessidade latente exige que mostremos para nós mesmos, que podemos interagir de forma ativa e construtiva com as outras pessoas.
Precisamos trocar idéias, buscando conferir, buscando comparar percepções, buscando ler o contexto cultural. Este partilhar de constatações nos impulsiona, clarificando as nossas escolhas. O instinto gregário é parte integral da vida. Quando nos isolamos e negamos esta necessidade ficamos inseguros e ansiosos.
“A transformação de uma sociedade atomista noutra comunitária depende de novamente criar-se a oportunidade para as criaturas cantarem juntas, dançarem juntas, admirarem juntas, e não como membros de uma “Multidão Solitária”. ( David Riesmann – Livro:A Multidão solitária). Teremos que reaprender também a coragem da solidão criativa, que possibilita a redescoberta do pensamento construtivo. A melhor escolha que podemos fazer é sermos humanos. Conversar com os amigos, fazendo leituras profundas do contexto social, é um grande começo.
Diante de um sistema de valores que nos é imposto, o que nos resta é responder com saudabilidade psíquica, exercitando a nossa liberdade e autonomia. Nós é que devemos escolher a nossa orientação na vida e no mundo. Jamais podemos esquecer
que é através da intimidação ideológica, que se alcança a adaptação das pessoas a qual facilita o controle social, objetivo maior da cultura consumista.
Ao aceitar a padronização o indivíduo detona a sua subjetividade dentro de si passando a fazer tudo o que querem dele. E quanto mais se ajusta a ela, menos compreende seus desejos, sentimentos e a sua própria existência. Lentamente perde a consciência de quem realmente é.
Quando se ofender com a falha de alguém, vire-se para você mesmo e estude seus próprios defeitos. Então se esquecerá de sua raiva.(Epicteto). Um bom plano para crescermos como pessoa seria não prestar atenção no que consideramos erro em outras pessoas, e estimular a nossa motivação para enxergarmos mais longe. Podemos nos aperfeiçoar e aprender a gostar mais de nós mesmos e de nossos semelhantes.
O ideal é nutrir a qualidade de nossa vida interior e não esvaziá-la. Porque se assim não o fizermos, perderemos o contato com o nosso próprio eu para representar uma identidade falsa, um jeito de ser fictício exigida pela sociedade de consumo. Quando abdicamos de ser o jeito que idealizamos nos frustramos, e ficamos sozinhos e deprimidos.
Num tempo como o nosso, os limites entre o verdadeiro e o falso se confundem, e fica difícil distinguir o que é real do que é pura ilusão. Provavelmente o mais novo tipo psicológico que esta sociedade consumista e desumana elegeu é aquele que não se importa de esvaziar-se de toda a sua vida interior. E o prêmio que esta pessoa ganha é sepultar-se num endividamento perpétuo completamente desorientado.
Todos sabemos que coisas, objetos não são capazes de nos trazer a felicidade. Só um coração amoroso e uma consciência tranqüila pode concretizar esta intenção. O mais importante em tudo o que nos envolvemos somos nós, - nosso próprio investimento, a honestidade e abertura de mostrarmos aos outros a confiança, que estamos dispostos a dar. Precisamos nos auxiliar através de interações de qualidade, para enfrentar a complexidade da contemporaneidade.
Walter Benjamin se referiu à extinção da experiência na modernidade, aludindo às implicações do modo de vida instaurado pelo capitalismo urbano e industrial, que dinamitou as condições necessárias para uma experiência coletiva e partilhada. Dilacerou-se aquela tradição fortemente sedimentada no grupo e, do mesmo modo também se desmoronaram as possibilidades de vivenciar experiências pautadas pela transcendência. Esse distanciamento das tradições comunitárias e do além, que alimentou as fabulosas possibilidades abertas pelo individualismo moderno e contemporâneo, também fechou outras portas. Nesse saldo negativo seria necessário anotar a solidão. (Citação feita p/ Paula Sibilia no livro “O Show do Eu – a Intimidade como Espetáculo” – 2009).
Os ideais éticos há milênios são o da dignidade do homem como um objetivo e um fim em si, de amor fraternal, da razão e da supremacia dos valores espirituais sobre os valores materiais. Esses ideais se relacionam a conceitos de Deus. Quando expressamos a nossa fé, vivendo-a nos sentimos mais fraternos.
O homem ao longo da civilização, desenvolveu a capacidade de pensar, imaginar e refinar a percepção. Temos acesso aos grandes mestres da raça humana, que postularam as normas para uma vida sadia. Mas, hoje ele ficou ansioso pela ameaça aos valores sociais, emocionais e morais que percebe contra si mesmo.
O homem para sentir-se em paz no mundo deve perceber não só com a cabeça, mas também com os sentidos. Gostamos de olhar, ouvir, criar, usar as mãos em atividades por mais singelas que sejam. Uma necessidade latente exige que mostremos para nós mesmos, que podemos interagir de forma ativa e construtiva com as outras pessoas.
Precisamos trocar idéias, buscando conferir, buscando comparar percepções, buscando ler o contexto cultural. Este partilhar de constatações nos impulsiona, clarificando as nossas escolhas. O instinto gregário é parte integral da vida. Quando nos isolamos e negamos esta necessidade ficamos inseguros e ansiosos.
“A transformação de uma sociedade atomista noutra comunitária depende de novamente criar-se a oportunidade para as criaturas cantarem juntas, dançarem juntas, admirarem juntas, e não como membros de uma “Multidão Solitária”. ( David Riesmann – Livro:A Multidão solitária). Teremos que reaprender também a coragem da solidão criativa, que possibilita a redescoberta do pensamento construtivo. A melhor escolha que podemos fazer é sermos humanos. Conversar com os amigos, fazendo leituras profundas do contexto social, é um grande começo.
Diante de um sistema de valores que nos é imposto, o que nos resta é responder com saudabilidade psíquica, exercitando a nossa liberdade e autonomia. Nós é que devemos escolher a nossa orientação na vida e no mundo. Jamais podemos esquecer
que é através da intimidação ideológica, que se alcança a adaptação das pessoas a qual facilita o controle social, objetivo maior da cultura consumista.
Ao aceitar a padronização o indivíduo detona a sua subjetividade dentro de si passando a fazer tudo o que querem dele. E quanto mais se ajusta a ela, menos compreende seus desejos, sentimentos e a sua própria existência. Lentamente perde a consciência de quem realmente é.
Quando se ofender com a falha de alguém, vire-se para você mesmo e estude seus próprios defeitos. Então se esquecerá de sua raiva.(Epicteto). Um bom plano para crescermos como pessoa seria não prestar atenção no que consideramos erro em outras pessoas, e estimular a nossa motivação para enxergarmos mais longe. Podemos nos aperfeiçoar e aprender a gostar mais de nós mesmos e de nossos semelhantes.
O ideal é nutrir a qualidade de nossa vida interior e não esvaziá-la. Porque se assim não o fizermos, perderemos o contato com o nosso próprio eu para representar uma identidade falsa, um jeito de ser fictício exigida pela sociedade de consumo. Quando abdicamos de ser o jeito que idealizamos nos frustramos, e ficamos sozinhos e deprimidos.
Num tempo como o nosso, os limites entre o verdadeiro e o falso se confundem, e fica difícil distinguir o que é real do que é pura ilusão. Provavelmente o mais novo tipo psicológico que esta sociedade consumista e desumana elegeu é aquele que não se importa de esvaziar-se de toda a sua vida interior. E o prêmio que esta pessoa ganha é sepultar-se num endividamento perpétuo completamente desorientado.
Todos sabemos que coisas, objetos não são capazes de nos trazer a felicidade. Só um coração amoroso e uma consciência tranqüila pode concretizar esta intenção. O mais importante em tudo o que nos envolvemos somos nós, - nosso próprio investimento, a honestidade e abertura de mostrarmos aos outros a confiança, que estamos dispostos a dar. Precisamos nos auxiliar através de interações de qualidade, para enfrentar a complexidade da contemporaneidade.

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