Regina Diniz
Fui sempre resignada com o pouco que me foi dado.
Impôs o destino que sempre trabalhasse sem estar preparada.
Na busca compulsiva da motivação para a apropriação da competência,
Foram décadas, décadas e décadas a fio de lutas intermináveis.
Agarrei-me na âncora do equilíbrio na alegria e na dor e não mais a larguei...
Subo sem repouso pela montanha escarpada da vida...
Sempre soube que as minhas capacidades eram limitadas.
Inúmeras vezes decidi recuar, mas amigos nunca deixaram.
Cristalizei no desempenho de ir a frente em busca da realização,
Custei a aceitar que pelo conhecimento viveria duplamente...
Agarrei-me na âncora da autenticidade e não mais a larguei...
Convivo em desertos extremamente áridos de afeto...
Sempre gostei de confrontar-me com as abstrações.
O exercício da latência seletiva é fundamental...
Sobrevivi porque organizei o caos que deformara a minha vida...
Acreditei que a felicidade vem do íntimo do espírito...
Agarrei-me na âncora do sentimento fraterno e não mais a larguei...
Esquivo-me da má sorte em dificuldades...
Sempre valorizei o potencial de originalidade.
Os talentos só nos dão alegria quando repartimos com os outros.
Enquanto um ser humano não evoluir,
Sentirei a tristeza poluindo o meu coração.
Agarrei-me na âncora do invisível e não mais a larguei...
Circulo o conhecimento apesar do inferno da ignorância dos meus tempos...
Sempre fui sensível a cooperação multi-dirigida.
Muito do que sou em motivação recebo de outras pessoas.
Meio caminho andado seria reconhecer esta verdade,
O compartilhar ainda não foi compreendido por nós.
Agarrei-me na âncora da necessidade de relação e não mais a larguei...
Ultrapasso os nevoeiros da depressão individualista, olhando o horizonte...
Sempre a independência de pensamento ajudou-me.
A rotina proposta é extremamente escravizadora.
Sabiam que esta manipulação empobreceria violentamente os povos.
Por que povos e povos desejam sufocar a criatividade do ser humano?
Agarrei-me na âncora da inconformidade e não mais a larguei...
Fujo da opressão e por sorte salvo-me...
Regina Diniz
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