REGINA DINIZ
“O progresso econômico moderno é algo muito desigual. Temos de ajudar os países mais pobres do planeta. Eu dou muita importância ao investimento humano em educação e em saúde. Devemos ter sempre em mente um fato simples do nosso tempo: não há povo culto, educado e alfabetizado que seja pobre e não há população iletrada que não seja pobre. Esse é um forte indício da importância da educação. ( John Kenneth Galbraith -livro: A Sociedade Justa). A classe média e os ricos estão muito bem representados no Congresso brasileiro. Os pobres, nas grandes cidades, não tem representatividade, pois não votam. Sobrevivem em sub-moradias e em sub-empregos.
O Brasil tem uma população comprometida com as reformas, com os recursos e, em padrões mundiais, altos níveis de desenvolvimento. Acho que estou certo em dizer que o Brasil partilha do mesmo problema dos E.U.A., um desenvolvimento muito desigual. As favelas do Rio equivalem aos cortiços do Branx. ( John Kenneth Galbraith – livro: A Sociedade Justa).Há uma espécie de guerra contra os pobres. Muitas pessoas, principalmente nas grandes cidades são deixadas fora do sistema. Com todo esse avanço computacional, não se vê falar em nenhum projeto do governo, para encarar a questão do desemprego.
Há três pontos que fazem parte da solução. Em primeiro lugar, é preciso haver uma rede de proteção que livre as pessoas da miséria absoluta. Em segundo lugar, deve existir um bom sistema educacional. Em terceiro lugar, é necessário criar alguns serviços importantes para os pobres, como saúde, bibliotecas, casas populares – o que o sistema privado, o sistema de mercado não fornece. Com estas três soluções, ficaremos muito melhores, do que estamos agora”. ( John Kenneth Galbraith – livro: A sociedade Afluente). A tranqüilidade social, a justiça social, assim como a decência social exigem que os pobres tenham oportunidades decentes, de acordo com as próprias habilidades e aspirações, que seriam diferentes para pessoas diferentes. A nossa economia distribui a renda de um modo radicalmente desigual.
“Nos últimos anos, o sistema financeiro se tornou uma finalidade em si e desvirtuou os investimentos em tecnologia. Tivemos uma concentração do risco e, mesmo tendo avaliações prévias de que haveria um colapso financeiro, não fomos capazes de impedi-lo. Não estamos diante de uma mera crise financeira: uma análise mais profunda revela uma crise do padrão de convivência da sociedade contemporânea”.(Luiz Gonzaga de Mello Belluzo – professor titular da UNICAMP-
Tema: Base Educacional da Sociedade – 4ª. Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – 26/05/2010 em Brasília.
“A crise estrutural do modelo construído nos últimos 60 anos e radicalizado na década de l980, gerou ao mesmo tempo uma escalada do consumo e da desigualdade.( Luiz Gonzaga de Mello Belluzo – 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação - 26/05/2010 em Brasília). O preço mais alto da sociedade de consumo é o sentimento de insegurança que ela produz. A população é incapaz de agüentar o ritmo do excesso dos gastos. As forças se esgotam, todas na preocupação da sobrevivência... Não é uma proposta adequada ao nosso país.
“Estou assustado com a degradação cultural da sociedade, basta olhar os fóruns da Internet para se ter noção do grau de isolamento e agressividade das pessoas, que se manifestam anonimamente. Isso não está dissociado do meio ambiente,
esse comportamento faz parte de um padrão civilizatório, que precisa ser mudado”( Luiz Gonzaga de Mello Belluzo – 4ª. Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – 26/05/2010 em Brasília.) Para começar a pensar em inovação e desenvolvimento, será preciso cuidar do aperfeiçoamento cultural dos brasileiros, e da inclusão social e cultural dos jovens da periferia. A inovação precisa começar pela base educacional.
É necessário passar por cima de doutrinas oficiais, para aprender a comprar, não só pacotes de secos e molhados, livros indicados pela cultura padronizada, verdadeiros engessadores do pensamento, mas o pacote maior de uma vizinhança, uma sociedade pensante, um novo estilo de vida. Precisamos de novos projetos que contemplem a qualidade de ensino, atendendo principalmente a necessidade de inclusão social... Devemos criar uma rede de proteção aos adolescentes e jovens pobres.É indispensável bibliotecas, computação, alimentação e abertura de empregos protegidos por Lei.
Corte no Orçamento: Educação perde r$ 1.28 bilhões. O governo definiu ontem os ministérios e órgãos da União que terão uma nova redução de orçamento este ano. O Ministério de Educação foi o mais afetado e terá 1.28 bilhões a menos para investir em 2010. ( Zero-Hora – 1º. De junho de 2010). Com esse novo corte o orçamento da Educação encolheu r$ 2,34 bilhões em relação aos valores aprovados pelo Congresso... A Educação está depauperada há séculos, agora acabaram de liquidá-la... E jogam a culpa nos professores, procurando se esconderem da responsabilidade social do país.
Ninguém entende como é que o Brasil não valoriza a educação do seu povo. Políticos no poder desviam as verbas para outros ministérios e nunca são responsabilizados por este crime social. E o pior de tudo, que sempre são os mesmos que se reelegem. Ninguém admite, que o desespero pela ausência da possibilidade de inclusão social, levou as grandes cidades a um confronto fratricida.
Segundo a antropóloga francesa Noemi Paymal, que esteve recentemente em Porto Alegre, participando do Seminário Internacional “Pare e Pense”, e que se dedica desde 2001 a estudar as crianças do Terceiro Milênio: É voz corrente que as crianças de hoje são mais espertas. Os pequenos são hiperativos, autodidatas, principalmente no que se refere à tecnologia, não aceitam ordens sem justificativas, mas enfrentam dificuldades em se concentrar, distraindo-se facilmente”.( Zero Hora- 06/06/2010 – Caderno Donna – Para Ensinar o Futuro”.
Com a experiência de mais de duas décadas de trabalho em países da América Latina, Noemi concluiu que as escolas nos moldes atuais não estão capacitadas para atender a uma geração com essas habilidades e comportamentos. É admirável a qualidade vanguardista desta antropóloga francesa, que ilumina tendências de ser, que já apareceu entre nós, frutificando debates educacionais.
Ingrid Cañete, psicóloga gaúcha especializada no tema, e que trouxe Noemi, pela 1ª. Vez ao Estado, acrescenta:”São crianças com capacidade para captar informações de diferentes dimensões de consciência, ao mesmo tempo e capacidade de fazer coisas diferentes, ao mesmo tempo, o que não pode ser confundido com distração ou déficit de atenção. ´Temos que valorizar os nossos professores com bons salários e escolas aparelhadas. A responsabilidade com a educação é intransferível para que haja paz e sustentabilidade. Parabenizo a psicóloga Ingrid Cañete pela excelente iniciativa.
Vivemos numa época de total desencanto, e tal modo de pensar inviabiliza o debate, porque a esperança é totalmente frustrada.Cientistas, Economistas, políticos sugerem mudanças mínimas possíveis, que são necessárias para não ficarem parados. O status quo prova ser a mais ilusória das metas. Não podemos fechar os olhos para as alternativas disponíveis. Todos nós temos o direito de debater sobre o tipo de cultura que queremos. Todos nós temos o direito de debater sobre a valorização da educação brasileira.
Todas as crises geram oportunidades de renascimento... Não são os períodos serenos que revelam novas compreensões, mas sim as estrênuas batalhas que nos beneficiam com o conhecimento de que precisamos evoluir. Encararmos nossos desafios como dádivas, compreendermos que sua resolução promete um maior conforto os torna mais agradáveis, talvez até valorizados. Sem os desafios entramos em estagnação e encontramos poucas alegrias na vidas.

É gratificante ler textos de profundidade e atualidade cultural.
ResponderExcluirPrecisamos de um contra ponto atualizado, numa cultura que jamais cairá à ficha. Boa sorte sempre.