REGINA DINIZ
Como nos tornar naquilo que desejamos ser? Gostamos de experimentar uma infinidade de vertentes diferentes, que ampliadas nos revelam idéias profundas, que colocadas em ação nos mostram, que são a força e a necessidade central de nossas vidas. Este impulso fundamental é da natureza do indivíduo. Se for bloqueado acarreta perdas emocionais consideráveis.
Nietzsche argumenta que a alma em sua essência, diz a si mesma: “Ninguém poderá construir a ponte, que eu em particular terei de atravessar sobre o rio da vida, ninguém além de mim mesma... Evidentemente existem inúmeros caminhos, pontes e semideuses prontos para transportar-me, através do rio, mas somente ao preço do meu próprio ser”. Não há nada que nos dê maior segurança emocional e felicidade, do que pensar, sentir e dizer o que é de nós mesmos.
Somos seres pensantes, somos seres espirituais e nascemos sabendo o caminho que devemos trilhar... Descobrir nossas vocações é de nossa absoluta responsabilidade. Embora surjam grandes obstáculos, desejamos conhecer nossos dons... O nosso planeta, a cada passo nos mostra exuberante perfeição de vida, na qual inteligentemente devemos imitá-lo.
Quando passamos a conhecer nossos ideais existenciais, muitas vezes recuamos apavorados com muito medo de errar. Mas ao revitalizarmos o nosso possível crescimento pessoal, passo a passo, galgamos os degraus de maior significação de nossa existência. Quando admitimos ser indivíduos ativos e criadores, descobrimos com mais facilidade o vigor de nossas motivações existenciais.
É indispensável investir na qualidade de intuição, que nos levará às descobertas do nosso projeto de evolução. Nesse ato de crescimento interior tudo é profundamente purificado, para atingirmos elevada dimensão espiritual. Aumentamos cada vez mais estas naturais potencialidades pela vivência verdadeiramente autêntica e imperecível...
Os valores da vida humana são construídos por esforço próprio, o que é maravilhosamente admissível. A livre escolha deve ser exercitada dentro de uma visão saudável de mundo. A coragem da afirmação do ser cria os valores da vida.
A personalidade, a individualidade e a dignidade harmoniosa são entregues a nós pelas informações que lemos na natureza. O recado maior é o alto nível de interação vivenciado, que palpita de vida purificante. Aumentamos a nossa coragem através da qualidade de nossas abstrações de alto nível.
A sagrada tarefa de crescer como pessoa é desafiante e deve ser encarada com dedicação extremada. A busca da melhor forma de expressar esta potencialidade é o maior objetivo do ser humano, que deseja compreender-se como ser. A descoberta de si mesmo pertence a mesma classe de realidade como o amor, a bondade, a consciência profunda.
Infelizmente, o ocidente moderno reprime totalmente todo o interesse em “ser”. O ser humano moderno se sente incomodado por qualquer exigência reflexiva. Hoje, a pessoa é reconhecida pela atividade econômica, que desempenha ou que possa vir a ter. O cenário contemporâneo dobrou-se inteiramente às tendências coletivistas de massa ao conformismo generalizado nos valores materialistas.
A abertura para idéias novas deveria ser cultuada, porque desenvolve as habilidades psíquicas da pessoa humana. Reconhecer esta sempre nova fronteira do conhecimento nos impulsiona para a criatividade. Ficamos autoconfiantes, quando reconhecemos ser proprietários de uma gama enorme de poderes intuitivos.
Somos, na verdade, mais sábios do que imaginamos. Há muitas provas desta afirmação. A liberdade é a condição necessária à felicidade assim como a virtude. Concretizando aquilo que a pessoa é potencialmente, de consumar a sua verdadeira natureza de ser humano, conforme as leis da vida, está em suas mãos. Está em sua capacidade de avaliar estes terríveis períodos de transição em cultura decadente.
Bons livros e reflexão espiritual trazem mudanças e para mim o processo de mudança é a vida em si. Se vivesse de modo estático, pronto, não seria feliz. Aceito a incerteza, os altos e baixos econômicos e emocionais, porque é o preço, que quero pagar para ter uma vida subjetiva estimulante...
“O respeito e cuidado com a originalidade do eu é a mais valiosa conquista da cultura humana e é a sua consecução que se acha ameaçada hoje em dia”. ( Erich Fromm – O Medo à Liberdade – Zahar Editores – l983). O mundo em que vivemos depende das contribuições responsáveis feitas por cada um de nós, e ele é tão bom quanto os inúmeros talentos que nos comprometemos a desenvolver e oferecer. Nenhum de nós está livre da obrigação de dar o máximo para família, amigos ou estranhos, desde que tenhamos esperanças de viver num mundo mais solidário.

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