A desigualdade – intercontinental, entre os estados e, mais fundamentalmente, dentro da mesma sociedade – atinge uma vez mais proporções que o mundo de há pouco tempo, confiante em sua habilidade de auto-regular-se e de autocorrigir-se, parecia ter deixado para trás uma vez por todas. Segundo cálculos cautelosos e, se faz diferença, conservadores, a rica Europa conta entre seus cidadãos cerca de três milhões de desabrigados, vinte milhões de expulsos do mercado de trabalho, trinta milhões que vivem abaixo da linha de pobreza. O desvio do projeto da comunidade como defensora do direito universal à vida decente e dignificada para o da promoção do mercado, como garantia suficiente da universal oportunidade de auto-enriquecimento aprofunda mais o sofrimento dos novos pobres, a seu mal acrescentando o insulto, interpretando a pobreza com humilhação e com a negação da liberdade do consumidor, agora identificada com a humanidade. (Zygmunt Bauman – Livro: O Mal Estar da Pós-Contemporaneidade – Editora Zahar, Rio de Janeiro – l998)
O mundo vem se tornando cada vez menor, oferecendo a todas as nações ótimas ocasiões de se encontrar e de se comunicar. Quando convivo com outros seres humanos, sinto fluir do fundo e além da minha compreensão emoções pacíficas de respeito mútuo. Percebo que somos seres iguais por sermos seres humanos. Cor, cultura, e situação financeira são apenas diferenças superficiais. Necessito pensar e sonhar além de mim mesma para perceber, que faço parte da imensa teia, que abrange toda a humanidade.
Não consigo compreender, de como em pleno século XXI, o projeto de comunidade humana foi substituído abertamente e sem restrições pelo mercado de auto-enriquecimento. Ninguém disse nada, ninguém falou nada, ninguém debateu nada... Por que? Os indivíduos, não importa de onde venham, têm o direito universal de viver com um mínimo de paz, desejamos a felicidade, que também está na simplicidade de ser, e na simplicidade de viver. Nascemos com esta emoção positiva de lutar pelo direito a vida... Somos todos iguais.
Atualmente não há nenhuma barreira ou distância entre diferentes culturas, e por sermos seres humanos podemos nos relacionar de coração para coração. Podemos pensar sobre aproximação de compreensão recíproca e também de criarmos parâmetros de confiabilidade mútua. A partir daí será possível operacionalizar mediações construtivas na harmonia planetária, e em relacionamentos humanos cordiais e civilizadores.
Levarão muitos séculos e até milênios, mas pelo menos começaremos a plantar sementes de propostas humanitárias nos espelhando no equilíbrio do universo. Talvez possamos nos libertar das fugas infantilizadas, que se mostram através da importância, que damos a diferenças insignificantes: - ideologias – raça – riqueza – em detrimento de nosso problema maior que é a destruição mútua. É bem provável que possamos construir uma família humana planetária rica em mediações construtivas.
Seremos inteligentes, poderosos e fortes, quando decidirmos por soluções de construção humanística no mundo, e não por destruí-lo em guerras. Conquistamos o desenvolvimento científico e tecnológico, mas carecemos do mais importante que é o verdadeiro sentimento de calor interior. Precisamos de um coração bondoso, que se manifeste no desejo de nos ajudar incondicionalmente.
Vivemos hoje, na atmosfera do medo ambiente. A incerteza radical a propósito dos mundos material e social que habitamos é o que a indústria da imagem nos oferece. Nós precisamos fazer a real avaliação dos nossos tempos. A cultura consumista destruiu o nosso passado econômico, explodiu o nosso presente, e nos tirou o futuro do ocidente, deixando-nos mergulhados na insegurança e na violência extrema...
Ninguém alcança a paz interna fechando os olhos para as situações, e desafios da vida cotidiana. Cada indivíduo tem o direito de escolher o que lhe é mais conveniente. Esta é uma questão que diz respeito a cada um, tendo como base a compreensão profunda de que somos todos irmãos... A matéria é importante, precisamos dispor dela para sobreviver, mas os nossos tempos devem combinar uma boa inteligência com um bom coração...
Todos nós necessitamos de paz, seja no contexto familiar, nacional ou internacional, mas sem a tranqüilidade interior não alcançaremos a paz verdadeira. Percebemo-la como uma realidade potencial em nosso interior, e desejamos expressá-la nas diferentes dimensões de nossa vida. Quando conseguimos sentir o centro de serenidade em nosso íntimo, descobrimos porções cada vez maiores de nossa consciência.
Epicteto pede-nos para atribuir menos importância às escolhas “exteriores”, aquilo que hoje em dia chamaríamos de escolhas ligadas ao estilo de vida, e recomenda que nos concentremos nas pequenas e significativas opções morais, e nas escolhas interiores que fazemos no decorrer de cada dia. Não restam dúvidas, estamos cercados hoje de tensões de todos os lados. A vida nos mostra que é sempre inútil procurar serenidade e paz nas coisas externas.
Por mais palpável que pareça, todo bem-estar externo tem a sua base apenas no coração de cada um, e a verdadeira paz só pode surgir de dentro para fora. Cada pessoa escolhe livremente o seu jeito de construir a sua serenidade interior. Há décadas eu luto para construir a minha paz. Estou nos primeiros degraus, e acredito que a alcançarei dedicando-me a melhorar a qualidade vibratória das minhas emoções.
O que devemos curar em nós? – Manter a comunicação com as pessoas e planejar novas mediações positivas de coração para todos os seres humanos do planeta, desejando o avanço do quadro pacificador. É indispensável orar pela própria evolução espiritual, nos aproximando das forças do bem. É importante meditar profundamente sobre a capacidade de amar, e aceitar que o amor é uma lei, que deve ser seguida impessoalmente, sejam quais forem as circunstâncias... A principal tarefa de nossa subjetividade é responder aos apelos da alma...
Se desejarmos construir a serenidade imperturbável dentro de nós, temos de aceitar a irreversibilidade do amor. Ao pensarmos nos seres humanos devemos fluir o afeto em nossas idéias, e em nossas palavras para tecermos uma rede de união vibratória no bem. O afeto propõe a ampliação de nossos compromissos em servir e em praticar a amabilidade em todos os rumos. É imprescindível nos perdoarmos para não perdermos a oportunidade de perdoar a todos indistintamente, e começarmos uma vida nova em nosso planeta.

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