REGINA DINIZ
O contexto atual no Brasil e no mundo é marcado pela abertura política, pela abertura econômica, pelas mega-fusões entre as indústrias, pela queda das fronteiras. O mercado mundial se expande, se moderniza e se multiplica em renovações de mercados. Essas transformações exigem desenvolvimento da cultura e da educação, que devem demonstrar autonomia e liderança.
A exigência de uma educação crítica e independente deve ser a proposta renovadora. A escola aproveita as forças, que também educam como a televisão, o rádio, os jornais, as revistas etc... Inexplicavelmente, as escolas públicas brasileiras ainda não possuem computadores, que através da Internet possibilitaria um grande avanço em interações com outras nações mais adiantadas. Inexistem bibliotecas organizadas nas escolas públicas de todo o país.Obviamente, a responsabilidade é dos governantes, que deveriam ser os primeiros a se comprometer com a solução deste grave problema.
É preciso compreender, no contexto da globalização, o desempenho da revolução tecnológica e a ideologia do livre mercado (neoliberalismo). O projeto neoliberal impõe aos países periféricos a economia de mercado sem restrições. O consenso de Washington nos arrasou economicamente, sem o conhecimento profundo do neoliberalismo a exclusão social, o desemprego e o aumento da miséria apareceram sem aviso prévio... A irresponsabilidade do poder público com a educação brasileira choca o mundo inteiro... Com a educação não se brinca de “faz de conta”. Pobre profissional do Brasil de amanhã. A vida os reprovará, com certeza, o que é profundamente lastimável.
O próprio Banco Mundial tem declarado explicitamente que “as pessoas pobres precisam ser ajudadas”. O Banco Mundial têm apresentado oficialmente como preocupação nos países pobres a pobreza urbana, que será o problema mais importante e mais explosivo do século XXI do ponto de vista político”. (Banco Mundial – Política Urbana Y desarollo econômico – Caxambu – M.G. – 27/09/99).
Se as pessoas não tiverem acesso à escola a culpa é colocada na sociedade que
“não se organizou”, que não reivindicou, isentando, assim, o governo de sua responsabilidade com a educação. A proposta mais retrógrada é o planejamento do Ensino Médio dividido entre educação regular e profissionalizante, com a tendência de priorizar este último: “Mais mão de obra e menos consciência crítica é a proposta”.
“Falta de professor frustra estudantes... Diretora-adjunta do Departamento de Recursos Humanos da SEC, Virgínia Nascimento explica que o principal problema enfrentado pela secretaria é que muitos professores contratados emergencialmente – hoje são quase vinte mil – deixam o cargo antes do término do contrato, o que faz com que a reposição tenha de ser feita durante o ano. Virginia afirma ser impossível quantificar as turmas sem aula, já que o processo de reposição é cíclico, feito diariamente pelos diretores. O Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul estima falta de 7 mil professores”. (Jornal Zero Hora – sexta-feira – 30/03/2012 – Porto Alegre – R.G.S.).
A estratégia governamental continua a mesma de séculos anteriores. Apresenta a educação como alternativa de “ascensão social” e de “democratização das oportunidades”. Mas mesmo com esta conceituação retrógrada, os professores continuam reinventando a escola, no seu grande potencial de reflexão crítica da realidade, que ocorre sobre a cultura.
Não há como esconder a calamidade catastrófica em que vive a educação brasileira atualmente, pela avalanche de reformas que foi feita nos últimos 20 anos, numa perspectiva destruidora do processo ensino-aprendizagem, através da ausência total do investimento estatal. Espera-se tudo da escola, mas sem investimento algum, para que ela possa cumprir suas funções. O resultado negativo reflete o desmonte, que a escola pública vem sofrendo há décadas no país.
O perfil do aluno do Ensino Médio e Fundamental é o do adolescente ligado em tecnologias. As escolas devem oferecer equipamentos tecnológicos de ponta, que agilizem o aprendizado e motivem os alunos. São urgentes os investimentos pedagógicos nas escolas. O tempo do giz e quadro negro ficou lá atrás. “A educação é a principal ferramenta para a conquista dos sonhos de cada um e também para que o Brasil continue crescendo, distribuindo renda, para que seja um País de oportunidade para todas as pessoas. Nada é mais importante que a educação, quando se trata de distribuição de renda e de garantia de futuro”.(Dilma Rousseff – 16 de janeiro de 2012, Ás 8.26 – Desenvolvimento do País depende da educação).
O Brasil atualmente aplica somente R$ 1.7 mil anuais por estudante, e outros paises de porte econômico semelhante investem cerca de 10 mil. A esfera pública não acredita no valor da formação educativa. Em todo o país ocorre o inverso, está sendo sempre desvalorizada. Só as sociedades cultas prestigiam a educação, porque como estamos vendo, as sociedades incultas investem altas somas na construção de presídios, pois acreditam somente na punição, e não no encaminhamento do ser humano.
O curso noturno do Ensino Médio é o que mais reprova, o que mais registra evasão, porque 80% dos alunos trabalham durante o dia. Todos chegam cansados às aulas e não dispõem de tempo para aprofundar os temas de casa. O desafio maior é segurar o estudante na escola.
Não bastasse a falta total de investimentos, a escola secundária foi sobrecarregada com a expansão do número de vagas. Os alunos que cursam o 2º grau noturno devem receber merenda especial, pois todos estão cansados e mal alimentados. A rede pública do ensino municipal de Porto Alegre oferece a alimentação nos três turnos, e em cada vila pobre junto a escola faz parte um posto de saúde. Esta experiência só acontece na rede municipal de Porto Alegre. “Vontade Política é tudo.”A rede pública estadual está completamente abandonada.

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