Regina Diniz
A fascinação pelos objetos
impediu-me de sofrer...
O mundo das formas exteriores me
seduziu...
Consenti por apreciar o amor
passivo...
Senti força libidinosa na
obediência aos objetos...
Ouço o pranto pela ausência de
perspectiva sobre si próprio...
Os objetos me confirmaram uma
poderosa importância de ser...
Não era preciso investir na criação
da complexa personalidade...
Podia sobreviver comodamente do
nada e nada...
Eles falavam exuberantemente por
mim...
Ouço o pranto do desespero
generalizado pela falta da espiritualidade...
A integração e a comunicação pelos
objetos marcam os meus tempos...
A abundância virtual acalma a
minha voracidade por ter...
A todos é permitido sonhar com
palácios encantados,
Nunca se viu falar em imaginário
tão rico...
Ouço o pranto dos sentimentos de
inferioridade e culpa...
Posses, posses e posses, quem é
que gosta da miséria...
As consciências virtuais do valor
da abundância são bíblicas...
O planeta delira na exigência da
materialidade...
O corpo é matéria, tudo é
matéria...
Ouço o pranto da impotência do
vazio espiritual...
Pensar na impalpabilidade de ser é
a suprema loucura...
Acreditar em situações não concretas
é a desagregação mental...
A comunicação pela visualidade é gratificante...
Entendemos sem dificuldades tudo o
que vemos...
Ouço o pranto da ausência de
sentimentos que elevam a alma...
Nunca houve um ser humano tão
objetivo como nos dias de hoje...
Cultura rara: Ciência da Computação,
Eletrônica, Mecânica...
No surgimento do lazer brincamos
maravilhados com nossas descobertas...
Estamos agora sobre o êxtase da
Deusa Mecatrônica...

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