Regina Diniz
A cidade à noite, pontilhada de diamantes luminosos...
Mas percebo-a pobre, suja, e doente.
No jogo da vida um consumindo o outro...
E a depressão surge como compensação destrutiva...
Eu quero colher conchinhas ao som do marulhar das ondas...
A vida cara demais, difícil demais, violenta demais...
Imploro o surgimento do impulso de superação...
Sinto a vibração destruidora de uns contra os outros...
Reconheço o sangue derramado no reino da desmotivação...
Eu quero admirar a lua refletida nas águas do mar...
Trânsito, poluição, sujeira, violência...
Quem inventou este modelo de vida?
Divertem-se com a nossa fragilidade emocional...
Cultura sádica ri da morte de nós mesmos...
Eu quero contemplar a brandura do infinito céu azul...
O ar irrespirável, barulho ensurdecedor...
É o coração pulsante da motivação materialista...
Objetos, possessões, dinheiro, consumo...
Vendemos a nossa alma ao diabo...
Eu quero inebriar-me com a beleza das flores...
Ouve-se, bebe-se, come-se só o discurso da depressão...
Cantam só o hino da superação das deficiências materiais...
Ouve-se esta canção em todo o planeta...
Matamos a essência da nossa alma para no apagar das luzes,
Não levarmos nada e nada e nada...
Eu quero ouvir o sussurro das águas que cantam o hino da vida...
A cultura está com febre alta e delira...
Espelhou-se na organização compulsiva das formigas...
Escapou o sentido do crescimento de nossa personalidade...
Partirei para a vida real de qualquer jeito...
Eu quero ouvir a sabedoria espiritual na madrugada solitária...

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