“Em apenas 1 ano, 2011 o número de guerras e conflitos
armados triplicou e esse é o maior número desde 1945 = 20 guerras e 166
conflitos armados. Estas guerras e esses conflitos estão diretamente ligados
aos recursos naturais, sobretudo à energia e às políticas de combustível fóssil
dos Estados Unidos. Eles tem um império global para extrair recursos naturais.
Eles acreditam apenas no crescimento quantitativo ilimitado, num planeta finito,
é impossível, mas seus economistas mantém essa ilusão de crescimento
quantitativo, que tem que prosseguir perpetuamente. ( Autor: Fritjof Capra –
livro: O Tao da Ciência Física).
Em pleno século XXI, assistimos estarrecidos estes
comportamentos bélicos, porque 20 guerras e 166 conflitos armados para se
apropriarem indevidamente do combustível
fóssil, que já está se esgotando, é inexplicável. Todos nós desejamos que a
natureza do nosso planeta seja respeitada e protegida. Precisamos de paz, e somente
pela inclusão da consideração ética, e de uma economia totalmente ética é que
avançaremos como seres humanos mais inteligentes e felizes.
Já descobrimos novas energias renováveis, e com grande
esperança depositamos total confiança em práticas bem mais civilizantes. A voz
maior em muitos países, neste século XXI, está na exigência de um sistema
financeiro sustentável. Debate-se muito sobre a proteção dos ecossistemas,
conservando os seus recursos naturais, respeitando as espécies, purificando os
ares, limpando os solos, descontaminando as águas, porque dependemos deles para
a sobrevivência de nossa própria vida.
“O que é sustentável numa sociedade sustentável, não é
o crescimento econômico, ou a fatia de mercado, ou qualquer uma dessas coisas e
sim - a rede da vida – da qual dependemos. O Desenvolvimento no sentido usado
pelos biólogos, como um desdobramento multidimensional da vida, das nossas
capacidades, não só econômicas, mas culturais, espirituais e intelectuais,
então o desenvolvimento sustentável faz sentido”. (Autor – Fritjof Capra –
livro: O Tao da Ciência Física).
O crescimento econômico contemporâneo é falso, porque
notamos com clareza a cultura de consumo escondendo desesperadamente a pobreza.
Compulsivamente, insiste em motivar uma personalização ao nível de objeto,
afastando o homem de si mesmo. A sociedade de consumo é predatória,
irresponsável, individualista, injusta nos processos de produção, sendo cruel e
indiferente com a proteção ao meio ambiente, insensível às energias da fonte da
vida.
O mundo inteiro debate outra maneira de avaliar a
qualidade de atividade econômica, que seria comparar todos os recursos usados
para produzir nossos sustentos e até que ponto eles nos dão qualidade de vida,
satisfação e expectativa de vida. Há países que tem uma relação boa com o meio
de vida ambiental e a qualidade de vida. Há modelos econômicos que parecem ter
melhor cooperação e divisão, onde as pessoas têm mais consciência de seus
limites ambientais.
O crescimento econômico quantitativo ilimitado (PIB)
retrata o descaso cultural e social dos nossos tempos. Existem inúmeros
indicadores mais significativos e informativos para mostrar o resultado do que
está acontecendo na economia. O PIB não aborda indicativos culturais,
espirituais e intelectuais, bem como escondem o custo dos danos ambientais, e
também sonegam o triste custo das pobrezas sociais. Atualmente, torna-se um
grande desafio propor novos modelos de formas sustentáveis de estar no mundo.
É imprescindível reservar tempo livre para si mesmo, para
pensar, para escrever, para ter uma vida particular de pessoa humana, para ler,
para interpretar a vida num mundo pensante, e não só se deixar escravizar pela
cultura que valoriza só o crescimento econômico. Mostrar às crianças jardins
coloridos de flores, caminhar à margem de uma lagoa, sugerir a apreciação no
marulhar das ondas do mar, ensiná-las a perceberem a beleza da natureza que
deve ser amada e respeitada. Então elas compreenderiam a rede básica da
organização da vida.
Já acontecem mudanças de crescimento quantitativo para
crescimento qualitativo em larga escala. O crescimento interior, a maturidade,
a complexidade e a sofisticação intelectual estão com valoração ética superior
ao crescimento quantitativo. A expressão cultura da sustentabilidade já está
sendo aceita por transnacionais do mundo todo. O setor bancário, o setor
industrial e o setor financeiro, todos têm departamentos de sustentabilidade,
que é o mais importante de seu marketing. O desenvolvimento sustentável
acredita no desdobramento multidimensional da vida, das nossas capacidades, não
só econômicas, mas culturais, espirituais e intelectuais e é assim que o
desenvolvimento sustentável faz sentido.
“O
homem é sozinho e, ao mesmo tempo, relacionado com os outros. Ele é sozinho por
ser uma entidade original, não idêntica a outrem, e cônscia do próprio eu como
uma entidade independente. Ele tem de ficar sozinho quando precisa julgar ou
tomar decisões exclusivamente baseado no poder de ser raciocínio. E, no
entanto, ele não suporta ficar sozinho, desligado de seus semelhantes. Sua
felicidade depende da solidariedade que sente com os outros homens, com as
gerações passadas e futuras”. ( Erich Fromm – livro: O Medo à Liberdade – 14
edição – Zahar Editores – 1083)
A
maior dádiva que o ser humano recebeu de Deus é a consciência de si mesmo,
acompanhada da razão e da imaginação construtiva. O homem olha para o céu e
descobre que a sua jornada é breve, e que devido a beleza inigualável da
natureza, ela deve primar pela qualidade de interação com todas as outras
criaturas. É intimado a prestar contas de si a si mesmo, sobre as avaliações de seus atos.A
nossa autoconsciência enlaçada a total independência, dotada de poderosos
arquivos, que demonstram a capacidade de lembrar o passado, de visualizar o
futuro dobram a responsabilidade pessoal e social. É a autoconsciência que
através da razão nos permite compreender o mundo. É a autoconsciência que
através da potencialidade da imaginação ultrapassa os limites dos próprios
sentidos. O nosso destino é desenvolver nossas qualidades especificamente
humanas.

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