REGINA DINIZ
Qual
era o status político internacional da nova União Européia, que aspirava a uma
política comum, mas se mostrava espetacularmente incapaz de até mesmo fingir
ter uma, ao contrário das questões econômicas? Não estava claro nem mesmo se
todos os Estados, grandes ou pequenos, velhos ou novos – com exceção de uns
poucos -, existiriam em sua presente forma quando o século XX atingisse o seu
primeiro quartel. Se a natureza dos atores no cenário internacional não era
clara, o mesmo se dava com a natureza dos perigos que o mundo enfrentava. O
Século XX fora de guerras mundiais, quentes ou frias, feitos por grandes
potências e seus aliados em cenário de destruição de massa cada vez mais
apocalípticos, culminando no holocausto nuclear das superpotências, felizmente
evitado. Esse perigo desaparecera visivelmente. O que quer que traga o futuro,
o próprio desaparecimento ou transformação de todos os velhos atores do drama
mundial, com exceção de um significava que uma Terceira Guerra Mundial do velho
tipo se achava entre as perspectivas menos prováveis. ( Autor: Eric Hobsbawm –
Livro: Era dos Extremos – O breve século XX – Editora Schwarcz S.A., - São
Paulo).
O
século XX acabou em problemas, porque nenhum país apresentou projetos
sinalizando soluções. O terceiro milênio entrou com muitas dúvidas e não
surgiram novas propostas. Desde 1990, não foi criada uma nova estrutura
internacional. Desapareceram as conferências internacionais de trabalho, que
foram substituídas por rápidas conferências de cúpula para relações públicas e
sessões de fotos. As causas dessa impotência não eram a complexidade da crise
mundial, mas o fracasso de todos os programas, velhos e novos para apresentar
alternativas de superação dos conflitos da raça humana.
O
mundo do século XXI será bem mais saudável, será bem mais promissor. No dia 12
de outubro de 2012, a União Européia recebeu o Primeiro Nobel da Paz pela
reconciliação dos países da Europa nos últimos 60 anos e a vitória da Paz e dos
Direitos Humanos em toda a região. A escolha foi realizada pelo Comitê do Nobel
da Noruega. Para o grupo a organização de 27 países conseguiu alcançar a paz e
a promoção dos Direitos Humanos em duas ocasiões: A primeira é a união obtida
após o fim da 2ª. Guerra Mundial (1939 – 1945) em que a Europa se dividiu entre
aliados comandados pelos Estados Unidos, e o eixo liderado pela Alemanha
governada por Adolf Hitler. Foi considerada também a reunificação depois da
decadência do comunismo com a queda do Muro de Berlim (1989) e o fim da União
Soviética (1991). A União Européia e as instituições que a precederam em sua
formação contribuíram durante mais de seis décadas para a paz e a
reconciliação, a democracia e os Direitos Humanos disse o presidente do Comitê
Nobel, Thorbjoern Jagland, A entrega do prêmio Nobel será em 10 de dezembro,
data que lembra a morte de Alfred Nobel.
“A
grande ironia é que a supremacia militar não é mais capaz de enfrentar as novas
ameaças globais. Esse foi um dos grandes problemas para a segurança internacional
expostos pelo diplomata egípcio Mohammed El-Baradei, Prêmio Nobel da Paz em
2005, durante o ciclo, Fronteiras do Pensamento, ontem, no Salão de Atos da
UFRGS em Porto Alegre. Para Ell-Baradei, o diálogo é a melhor forma para a
solução de conflitos. A própria história dos Estados Unidos mostra que a
conversa e a criatividade diplomática não são uma tática apenas para
idealistas. Até os mais conservadores presidentes americanos, como (Richard) Nixon
e (Ronald) Reagan, conversaram com seus inimigos. Hoje, as armas nucleares se
tornaram uma futilidade. O ex-diretor da Agência Internacional de Energia
Atômica (Aiea) acredita que a placa tectônica das sociedades está mudando, e
que uma reforma do sistema que garanta mais segurança ao sistema internacional
precisa acompanhar essas transformações”.
(
Diálogo pela Paz - Jornal Zero Hora –
Porto Alegre – 1º de novembro de 20012).
Na
Síria, em 15/03/2011, o que era uma simples manifestação de descontentamento
popular degenerou numa verdadeira guerra civil, ceifando milhares de vidas, e
que a Cruz Vermelha Internacional passou a classificar o conflito como Guerra
Civil. A total incompetência da ONU, na mediação de conflitos de grandes
proporções fez com que o emissário das Nações Unidas, Kofi Annan renunciasse,
confessando ser incapaz de negociar um simples cessar-fogo, sequer um acordo de
paz duradouro. O caso da paralisia do Conselho da ONU mostra a necessidade de
uma competente visão e uma modernização profunda nas práticas de Mediação de
Conflitos.
No
dia 01/11/2012 a China disse: O mundo deve apoiar esforços de mediação no
conflito Sírio. O mundo deveria agir com maior urgência para apoiar os esforços
de mediação do enviado da Paz na ONU e Liga Árabe Lakhdar Brahimi, uma vez que
a situação está piorando disse o Ministro de Relações Exteriores Chinês, Yang
Jiechi. O Chanceler também repetiu um pedido para que todos os lados no
confronto da Síria cessem fogo imediatamente, e tomem medidas para formar um
governo de transição. Assad é apoiado pela Rússia. Coréia do Norte, Hezbollar,
Xiitas Iraquianos, Venezuela e o Irã todos campeões mundiais da
anti-democracia, das violações dos Direitos Humanos, da supressão à
autodeterminação dos povos e da liberdade. A conquista maior em civilidade é a
participação atuante de muitos países no mundo desejosos de solucionar este
conflito através de canais políticos.
A
construção da Paz começa a partir de uma atitude pessoal que pode se refletir
depois em diversos campos da vida, no meio ambiente, na sociedade, na saúde
coletiva entre outros. Essa discussão se fortalece a partir da crescente visão
da interdependência global, e da responsabilidade universal pela construção de
um novo mundo, e coloca este tema como uma das principais ações educativas, que
promovem fontes efetivas de paz no mundo.
A
Cultura de Paz iniciou-se oficialmente pela UNESCO (Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 1999 e empenha-se em prevenir
situações que possam ameaçar a paz e a segurança – como o desrespeito aos
Direitos Humanos, a Discriminação e intolerância, exclusão social, pobreza
extrema e degradação ambiental, utilizando como principais ferramentas a
conscientização, a educação, e a prevenção. De acordo com a UNESCO, a cultura
da Paz “está intrinsecamente relacionada à prevenção e à resolução não-violenta
de conflitos” e fundamenta-se nos princípios de Tolerância, Solidariedade,
Respeito à Vida, aos Direitos Individuais e ao Pluralismo.
A
proposta da Cultura da Paz busca alternativas e soluções para estas questões
que afligem a humanidade como um todo, na paz como um estado social de
dignidade onde tudo possa ser preservado e respeitado. Estes pontos são um dos
desafios da construção de uma Cultura de Paz. É válido lembrar que para
construir uma sociedade mais humana, é fundamental, que cada um comece por si
mesmo e faça a sua parte por meio de uma mudança de atitudes, valores e
comportamentos que visem a construção de um mundo mais justo e melhor de se
viver.
“A
Fraternidade é um empenho, que favorece o desenvolvimento autenticamente humano
do país sem isolar na incerteza do futuro as categorias mais fracas, sem
excluir outras do bem-estar, sem criar novas pobrezas; salvaguarda os Direitos
da Cidadania e o acesso à própria cidadania, abrindo uma esperança a todos que
buscam a possibilidade de uma vida digna em nosso país, o qual pode mostrar a
própria grandeza, oferecendo-se como pátria para quem perdeu, ajuda a pesquisa
científica e a invenção de novas tecnologias, salvaguardando, ao mesmo tempo, a
dignidade da pessoa humana do primeiro ao último instante de sua vida,
fornecendo sempre as condições para que cada pessoa possa exercer a própria
liberdade de escolha e possa crescer assumindo responsabilidades. (Lubich, Chiara.
Ideal e Luz. Pensamento, Espiritualidade e Mundo Unido, São Paulo: Cidade Nova,
2003,pág.309 – 310).
Para
pensar sobre a importância da fraternidade mundial é indispensável avaliar os
objetivos da Revolução Francesa: - Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
Purificada por filósofos e poetas ao longo da modernidade, a Fraternidade foi
sendo paulatinamente afastada da Liberdade e da Igualdade, aproximada apenas às
idéias de caridade, filantropia e romantismo. Ao longo da modernidade
observamos, que nas sociedades liberais avançadas sob a bandeira da liberdade,
se ausentaram as questões atinentes a Fraternidade.
A
filosofia política como também a Ciência Política nunca propuseram estudos ou
pesquisas sobre a Fraternidade. A temática humana da Fraternidade desapareceu
do debate político e dos estudos nas academias tradicionais de Ciência
Política. Entretanto vemos este debate crescer nas organizações não
governamentais, em movimentos sociais e em grupos religiosos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário