quinta-feira, 8 de novembro de 2012

AS MEDIAÇÕES PELA PAZ MUNDIAL


REGINA DINIZ


Qual era o status político internacional da nova União Européia, que aspirava a uma política comum, mas se mostrava espetacularmente incapaz de até mesmo fingir ter uma, ao contrário das questões econômicas? Não estava claro nem mesmo se todos os Estados, grandes ou pequenos, velhos ou novos – com exceção de uns poucos -, existiriam em sua presente forma quando o século XX atingisse o seu primeiro quartel. Se a natureza dos atores no cenário internacional não era clara, o mesmo se dava com a natureza dos perigos que o mundo enfrentava. O Século XX fora de guerras mundiais, quentes ou frias, feitos por grandes potências e seus aliados em cenário de destruição de massa cada vez mais apocalípticos, culminando no holocausto nuclear das superpotências, felizmente evitado. Esse perigo desaparecera visivelmente. O que quer que traga o futuro, o próprio desaparecimento ou transformação de todos os velhos atores do drama mundial, com exceção de um significava que uma Terceira Guerra Mundial do velho tipo se achava entre as perspectivas menos prováveis. ( Autor: Eric Hobsbawm – Livro: Era dos Extremos – O breve século XX – Editora Schwarcz S.A., - São Paulo).

O século XX acabou em problemas, porque nenhum país apresentou projetos sinalizando soluções. O terceiro milênio entrou com muitas dúvidas e não surgiram novas propostas. Desde 1990, não foi criada uma nova estrutura internacional. Desapareceram as conferências internacionais de trabalho, que foram substituídas por rápidas conferências de cúpula para relações públicas e sessões de fotos. As causas dessa impotência não eram a complexidade da crise mundial, mas o fracasso de todos os programas, velhos e novos para apresentar alternativas de superação dos conflitos da raça humana.

O mundo do século XXI será bem mais saudável, será bem mais promissor. No dia 12 de outubro de 2012, a União Européia recebeu o Primeiro Nobel da Paz pela reconciliação dos países da Europa nos últimos 60 anos e a vitória da Paz e dos Direitos Humanos em toda a região. A escolha foi realizada pelo Comitê do Nobel da Noruega. Para o grupo a organização de 27 países conseguiu alcançar a paz e a promoção dos Direitos Humanos em duas ocasiões: A primeira é a união obtida após o fim da 2ª. Guerra Mundial (1939 – 1945) em que a Europa se dividiu entre aliados comandados pelos Estados Unidos, e o eixo liderado pela Alemanha governada por Adolf Hitler. Foi considerada também a reunificação depois da decadência do comunismo com a queda do Muro de Berlim (1989) e o fim da União Soviética (1991). A União Européia e as instituições que a precederam em sua formação contribuíram durante mais de seis décadas para a paz e a reconciliação, a democracia e os Direitos Humanos disse o presidente do Comitê Nobel, Thorbjoern Jagland, A entrega do prêmio Nobel será em 10 de dezembro, data que lembra a morte de Alfred Nobel.

“A grande ironia é que a supremacia militar não é mais capaz de enfrentar as novas ameaças globais. Esse foi um dos grandes problemas para a segurança internacional expostos pelo diplomata egípcio Mohammed El-Baradei, Prêmio Nobel da Paz em 2005, durante o ciclo, Fronteiras do Pensamento, ontem, no Salão de Atos da UFRGS em Porto Alegre. Para Ell-Baradei, o diálogo é a melhor forma para a solução de conflitos. A própria história dos Estados Unidos mostra que a conversa e a criatividade diplomática não são uma tática apenas para idealistas. Até os mais conservadores presidentes americanos, como (Richard) Nixon e (Ronald) Reagan, conversaram com seus inimigos. Hoje, as armas nucleares se tornaram uma futilidade. O ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) acredita que a placa tectônica das sociedades está mudando, e que uma reforma do sistema que garanta mais segurança ao sistema internacional precisa acompanhar essas transformações”.
( Diálogo pela Paz  - Jornal Zero Hora – Porto Alegre – 1º de novembro de 20012).

Na Síria, em 15/03/2011, o que era uma simples manifestação de descontentamento popular degenerou numa verdadeira guerra civil, ceifando milhares de vidas, e que a Cruz Vermelha Internacional passou a classificar o conflito como Guerra Civil. A total incompetência da ONU, na mediação de conflitos de grandes proporções fez com que o emissário das Nações Unidas, Kofi Annan renunciasse, confessando ser incapaz de negociar um simples cessar-fogo, sequer um acordo de paz duradouro. O caso da paralisia do Conselho da ONU mostra a necessidade de uma competente visão e uma modernização profunda nas práticas de Mediação de Conflitos.

No dia 01/11/2012 a China disse: O mundo deve apoiar esforços de mediação no conflito Sírio. O mundo deveria agir com maior urgência para apoiar os esforços de mediação do enviado da Paz na ONU e Liga Árabe Lakhdar Brahimi, uma vez que a situação está piorando disse o Ministro de Relações Exteriores Chinês, Yang Jiechi. O Chanceler também repetiu um pedido para que todos os lados no confronto da Síria cessem fogo imediatamente, e tomem medidas para formar um governo de transição. Assad é apoiado pela Rússia. Coréia do Norte, Hezbollar, Xiitas Iraquianos, Venezuela e o Irã todos campeões mundiais da anti-democracia, das violações dos Direitos Humanos, da supressão à autodeterminação dos povos e da liberdade. A conquista maior em civilidade é a participação atuante de muitos países no mundo desejosos de solucionar este conflito através de canais políticos.

A construção da Paz começa a partir de uma atitude pessoal que pode se refletir depois em diversos campos da vida, no meio ambiente, na sociedade, na saúde coletiva entre outros. Essa discussão se fortalece a partir da crescente visão da interdependência global, e da responsabilidade universal pela construção de um novo mundo, e coloca este tema como uma das principais ações educativas, que promovem fontes efetivas de paz no mundo.

A Cultura de Paz iniciou-se oficialmente pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) em 1999 e empenha-se em prevenir situações que possam ameaçar a paz e a segurança – como o desrespeito aos Direitos Humanos, a Discriminação e intolerância, exclusão social, pobreza extrema e degradação ambiental, utilizando como principais ferramentas a conscientização, a educação, e a prevenção. De acordo com a UNESCO, a cultura da Paz “está intrinsecamente relacionada à prevenção e à resolução não-violenta de conflitos” e fundamenta-se nos princípios de Tolerância, Solidariedade, Respeito à Vida, aos Direitos Individuais e ao Pluralismo.

A proposta da Cultura da Paz busca alternativas e soluções para estas questões que afligem a humanidade como um todo, na paz como um estado social de dignidade onde tudo possa ser preservado e respeitado. Estes pontos são um dos desafios da construção de uma Cultura de Paz. É válido lembrar que para construir uma sociedade mais humana, é fundamental, que cada um comece por si mesmo e faça a sua parte por meio de uma mudança de atitudes, valores e comportamentos que visem a construção de um mundo mais justo e melhor de se viver. 

“A Fraternidade é um empenho, que favorece o desenvolvimento autenticamente humano do país sem isolar na incerteza do futuro as categorias mais fracas, sem excluir outras do bem-estar, sem criar novas pobrezas; salvaguarda os Direitos da Cidadania e o acesso à própria cidadania, abrindo uma esperança a todos que buscam a possibilidade de uma vida digna em nosso país, o qual pode mostrar a própria grandeza, oferecendo-se como pátria para quem perdeu, ajuda a pesquisa científica e a invenção de novas tecnologias, salvaguardando, ao mesmo tempo, a dignidade da pessoa humana do primeiro ao último instante de sua vida, fornecendo sempre as condições para que cada pessoa possa exercer a própria liberdade de escolha e possa crescer assumindo responsabilidades. (Lubich, Chiara. Ideal e Luz. Pensamento, Espiritualidade e Mundo Unido, São Paulo: Cidade Nova, 2003,pág.309 – 310).

Para pensar sobre a importância da fraternidade mundial é indispensável avaliar os objetivos da Revolução Francesa: - Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Purificada por filósofos e poetas ao longo da modernidade, a Fraternidade foi sendo paulatinamente afastada da Liberdade e da Igualdade, aproximada apenas às idéias de caridade, filantropia e romantismo. Ao longo da modernidade observamos, que nas sociedades liberais avançadas sob a bandeira da liberdade, se ausentaram as questões atinentes a Fraternidade.

A filosofia política como também a Ciência Política nunca propuseram estudos ou pesquisas sobre a Fraternidade. A temática humana da Fraternidade desapareceu do debate político e dos estudos nas academias tradicionais de Ciência Política. Entretanto vemos este debate crescer nas organizações não governamentais, em movimentos sociais e em grupos religiosos.    

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