REGINA DINIZ
“Analisando
Tolstoy, Baudelaire, Marx ou Kroppotkin, constataram que eles tinham um
conceito religioso e moral do homem. O homem é um fim, jamais devendo ser usado
como um meio; a produção material deve servir ao homem, este jamais deverá
servi-la; o objetivo da vida é a liberação do poder criador do homem; o
objetivo da História é a transformação da sociedade em coisa governada pela
Justiça e pela Verdade, estes os princípios em que se basearam, explicitamente,
todas as críticas ao capitalismo moderno”. (Autor: Erich Fromm – Livro:
Psicanálise da Sociedade Contemporânea – 9ª. Edição – Zahar Editores – Rio de
Janeiro – 1979).
No
século XIX, os homens de visão identificaram o processo de decadência e desumanização
por trás dos encantos, da prosperidade e poder político da sociedade ocidental.
Alguns deles se mostraram resignados com a necessidade dessa marcha para o
barbarismo, outros enunciaram algumas alternativas. Mas com esta ou aquela
atitude, sua crítica se baseou um conceito humanista de homem e sociedade.
Criticando a sua própria sociedade, eles a transcenderam.
Não
foram relativistas a dizer que, enquanto a sociedade funciona, ela é
equilibrada e sadia, e que enquanto o indivíduo está ajustado à sua sociedade
ele é equilibrado e sadio.
A
razão maior da existência homem é desenvolver o sua introspecção, para evoluir
e se tornar em humanidade saudável e construtiva. Todos os processos
civilizatórios procuraram conquistar a tão almejada harmonia com ele próprio e
com seus semelhantes. Através de buscas intermináveis o capitalismo, o poder econômico reconhecerá,
que nenhum ser humano poderá prosperar sem liberdade e educação. Quando
admitirmos o seu princípio e base criadora, incentivaremos em todos os graus
possíveis as suas potencialidades.
“A
ficção da igualdade de oportunidades deixou de ter suficiente fundamento para
alcançar o consenso social. Em um mundo imprevisível e em rápida transformação,
um mundo de mobilidade social para baixo, rebelião social e crônica crise
econômica, política e militar, as autoridades deixaram de servir efetivamente
como modelos e guardiões. As suas ordens perderam a persuasão. O lado
pedagógico, protetor e benevolente da autoridade social e paterna não mais temperam
a sua face punitiva. Sob tais condições, nada se ganhará pregando contra o
hedonismo e a auto-indulgência”. (Autor: Cristopher Lasch – Livro: O Mínimo Eu
– Sobrevivência Psíquica em tempos difíceis – 4ª. Edição – Editora Brasiliense –
1987).
Atualmente,
a nossa sociedade necessita de iluminação ética. É prioritário o investimento
que privilegie pessoas com força interior, capazes de sugerirem juízos morais
entre a grande variedade de escolhas disponíveis, e não de indivíduos que se
comportam como escravos, que acatam as ordens, e se adaptam sem refletir nos
dogmas morais propagados. É bom lembrar, que a essência da tradição liberal e
humanista, com seu respeito pela inteligência humana e pela capacidade de
auto-regulamentação é possível. A política e a filosofia moral sempre
reconheceram que a consciência não se funda no medo, mas no alicerce emocional
muito mais sólido da lealdade e da gratidão. Precisamos prover a segurança e a
proteção inspiradoras de confiança, respeito e admiração.
Para
apreciarmos a realidade cultural contemporânea são imprescindíveis decifrar as
distensões tradicionais entre esquerda e direita, liberalismo e
conservadorismo, políticas reformistas, progressistas e reacionárias, que se
desmoronaram face às novas questões relativas à tecnologia, ao consumo, aos
direitos da mulher, à deterioração ambiental, e muitas outras questões para as
quais ninguém dispõe de respostas. Os
indivíduos que ocupam posições de liderança moral obteriam êxito, se ensinassem
as habilidades da sobrevivência, cultuando a esperança de que a engenhosidade,
a persistência emocional, a força interior possam habilitar as gerações mais
jovens a suportar e ultrapassar as
tempestades do futuro. As sociedades pluralistas, dinâmicas e democratas devem
construir a sua sabedoria moral no presente.
“O
meu grupo principal de hipóteses é que os chamados valores superiores, valores
eternos etc... são aproximadamente, o que apuramos como livres escolhas, na boa
situação, daquelas pessoas a quem chamamos relativamente sadias (maduras,
evoluídas, auto-realizadas, etc...), quando se sentem no auge de sua forma e
vigor. Ou, para usarmos palavras mais descritivas, tais pessoas, quando se
sentem fortes, se realmente for possível uma livre escolha, tendem
espontaneamente para escolher o verdadeiro e não o falso, o bem e não o mal, a
beleza e não a fealdade, a integração e não a dissociação, a alegria e não a
tristeza, a vivacidade e não a apatia, a singularidade e não o estereótipo, e
assim por diante, para o que já descrevi como S-Valores”( Autor: Abraham H.
Maslow -
Livro: Introdução à Psicologia do Ser
- Livraria Eldorado Tijuca
Ltda -
Rio de Janeiro – 2ª Edição ).
As
tendências para escolherem os valores sadios são notadas, levemente na maior
parte dos seres humanos, mas são vistos com mais clareza e vigor nas pessoas
sadias. Em nossos tempos, padronizou-se e deslegitimou-se a ética, porque as
pessoas não são estimuladas a se lançarem na busca de idéias morais e a
cultivar valores morais. Os políticos, impensadamente dispensaram as utopias e
os idealistas tornaram-se pragmáticos, aceitando as formalidades da boa
sociedade.
Foi
comprovado que as pessoas sadias apreciam e valorizam não só a verdade, o bem e
o belo, mas também os valores de sobrevivência e também os homeostáticos da paz
e da quietude, do sono e do repouso, da dependência e segurança. Quanto mais
saudável, mais forte, e sadia for a pessoa, mais ela procurará os valores de
crescimento pessoal. Os grandes temas da ética como:
Direitos
Humanos – Justiça Social – Equilíbrio entre cooperação pacífica e
auto-afirmação pessoal – sincronização da conduta individual e do bem-estar
coletivo, não perderam nada de sua atualidade. Apenas precisam ser vistos e
tratados de maneira nova.
“O
homem é o ser que consegue ser consciente e, portanto responsável por sua
própria existência. É esta capacidade de tornar-se consciente do próprio ser
que distingue o ser humano dos outros seres. O homem é considerado não somente
como um ser “existente em si próprio” como os demais seres, mas também
“existente para si próprio., e que significa “a pessoa-que-é-responsável-por
sua própria-escolha-existencial”. Ser é a potencialidade pela qual a semente se
torna uma árvore ou cada um de nós se torna aquilo que realmente é”. (Autor:
Rollo May – Livro: A Descoberta do Ser – Editora Rocco – Rio de Janeiro – 1988).
O
sentimento de ser cria uma base para a auto-estima, que não é somente o reflexo
das opiniões alheias sobre o indivíduo. Os nossos dons são parcialmente
descobertos por nós dentro de nós próprios. E também são criados e escolhidos
pela própria pessoa. Quase todas as necessidades, capacidades e talentos podem
ser satisfeitos de diversas maneiras. A procura da identidade é essencialmente,
uma busca dos valores intrínsecos e autênticos da própria pessoa.
Paul
Tillich afirma: “A auto-afirmação de um ser fica mais forte à medida que ele
absorve mais o não-ser”.O autoconhecimento ou conhecimento de si é a finalidade
de uma busca ética. O mundo é um padrão
dinâmico no qual desde o momento em que possui autoconsciência, está em
processo de planejar e projetar. A existência humana contém não somente
numerosas possibilidades de ser como também e, principalmente está fundamentada
nessa potencialidade múltipla de ser. Visto como um projeto ético, o que se
busca é a realização de algo que leve o
sujeito a ser mestre de si mesmo, e, conseqüentemente um ser humano melhor.

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