REGINA DINIZ
“É
certo que há uma legítima necessidade de maior consumo à medida que o homem se
desenvolve culturalmente e tem necessidades mais refinadas de alimentos
melhores, de objetos de prazer artístico etc... Porém nossa ânsia de consumo
perdeu toda relação com as necessidades reais do homem. Originalmente, o desejo de consumir mais e melhores coisas se destinava a proporcionar ao homem uma
vida mais feliz e satisfeita. O consumo era um meio para um fim: a felicidade.
Agora tornou-se um fim em si. O aumento incessante de necessidades nos obriga a
um esforço cada vez maior, obriga-nos a depender dessas necessidades e das
pessoas ou instituições por cuja mediação podemos satisfazê-las. Cada pessoa
procura o modo de criar uma nova necessidade em outra pessoa, a fim de forçá-la
a uma nova dependência, a uma nova forma de prazer e, portanto, a sua ruína
econômica. Com a grande multiplicidade de mercadorias cresce o domínio das
coisas alheias que escravizam o homem”. (Autor: Karl Marx – Livro: Der
Historische Materialismns Die
Friihschri. 1932 pg.25).
Atualmente
começa a surgir um novo homem, que deseja ser ele mesmo, escolher, dominar e
manejar a sua vida, organizando a sua vida social. Nesta confusão desenfreada,
ele esta pensando, calculando e trabalhando com abstrações mais próximas de sua
vida concreta. Começa a perceber os efeitos nefastos do capitalismo sobre a
personalidade: o fenômeno desintegrador da alienação, que é um modo de
experiência, que a pessoa não compreende e sente-se como um estranho,
deslocado, totalmente manipulado.
Felizmente
o indivíduo começa a aproximar-se de si mesmo e também de outras pessoas.
Percebe a si e os demais como seres humanos, como pessoas investidas de
responsabilidades e não mais aceitam serem tratadas como coisas manipuladas.
Conversam produtivamente consigo mesma, rejeitando a imposição das propostas
padronizadas, deste capitalismo selvagem, assumindo tornar realidade a construção de tempos mais
gratificantes emocionalmente. Está disposto a lutar a favor dele e escolhido
por ele, aspirando a presença da individualidade. Agora a virtude está em ser
diferente, que significa ser criativo, encontrando a plena satisfação interior.
Ninguém
gosta da pobreza muito menos apóia a desigualdade, mas é graças à existência de
tais misérias em nossas sociedades que uns podem acumular mais que outros.
Gandhi alertou que existem recursos no planeta para todos, mas não para a
ganância de uns poucos e que a paz é fruto da justiça. Paulo Freire afirmava
que o grande papel da educação deveria ser o de libertar as pessoas da
escravidão do consumismo. Entretanto somos estimulados o tempo todo, desde criancinhas,
e por todos os meios a consumir sem parar. “Ao invés de tentarmos nos libertar,
ou de questionarmos este modelo, queremos consumir mais e mais, num padrão tão
elevado quanto o dos ricos e famosos, incensados pela mídia para que os tomemos
como modelo a serem seguidos e invejados”. (Autor: Victor Albino Bolorino de
Carvalho – Crônica: Miséria da Sociedade de Consumo - Engenharia e Sociedade).
As
avaliações sociais embora muito tímidas começam a fluir como valor e como valer
pelo que é e não pelo que possui. Todas as relações humanas com o mundo – ver,
ouvir, saborear, pensar, observar, sentir, desejar, agir, amar – ou sejam as
qualidades da sua personalidade são a expressão ativa de sua realidade. Os
impulsos do ser humano são expressões de sua necessidade própria. Além de dons
criativos dos quais é herdeiro poder-se-ia definir o seu interesse em tudo o
que é vivo, e em tudo o que cresce. Sem dúvida os objetos são secundários.
Antes da implantação da sociedade de consumo a ansiedade e a depressão eram
raras. Atualmente a ansiedade e a depressão formam um quadro nefasto neste tipo
de sociedade.
Na
sociedade de consumo, os homens são transformados em objetos, estes não tem
identidade. Mas pensando bem o conceito de identidade do “eu” ou personalidade
refere-se à categoria de Ser e não o de ter. Erikson argumentou: Eu sou “eu”
somente na medida em que estou vivo, interessado, relacionado, ativo e na
medida em que alcancei uma integração entre a minha aparência para outros e ou
para mim mesmo. “Quer dizer, o homem e não a técnica, deve ser a fonte básica
de valores; o desenvolvimento humano ótimo e não a produção máxima deve ser o
critério para todo planejamento. O conhecimento do homem, sua natureza e as
possibilidades reais das suas manifestações devem tornar-se um dos dados
básicos para qualquer planejamento social.
“Ao
propor reflexões sobre a educação brasileira, vale lembrar que só em meados do
século XX o processo de expansão à escolarização básica no país começou, e que
o seu crescimento em termos de rede pública de ensino, se deu no fim dos anos
de 1970 e início dos anos 1980. Com essa informação podemos nos voltar aos
dados nacionais: O Brasil ocupa o 53º- lugar em educação, entre 65 países
avaliados (PISA). 3,8 milhões de crianças ainda estão fora da escola (IBGE). O
Brasil tem 30,5 milhões de analfabetos funcionais – pessoas que não conseguem
interpretar o texto. O número é equivalente a 20,4% da população do país. (PNDA
– Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio). O índice equivalente ao ano de
2011 se manteve estável ao de 2009, quando os analfabetos funcionais também
representavam 20,4%. Cresce o número de adolescentes fora da escola em 2011,
aumentou em 243.000 o número de jovens entre 15 e 17 anos que estão fora da
escola (IBGE).
Queira
ou não queira, mais dias menos dias o Brasil terá de investir na oferta de
cursos profissionalizantes gratuitos para essa faixa que estaria de 15 a 18
anos. É urgente a expansão da rede federal de ensino técnico profissional, que
precisa se unir ao ensino médio. As autoridades de nosso país sentem-se
constrangidas, frente ao mundo todo, por demonstrarem um desinteresse absurdo
em não valorizar a educação. As bibliotecas estão sem livros.Conheço a
realidade de uma escola pública de 2º- Grau, que tinha um único dicionário de
Língua Portuguesa para l.500 alunos consultarem. Não se admite que as escolas
públicas não ofereçam cursos de computação bem como salas com computadores.
Os
jovens e crianças pobres lutam com imensas dificuldades emocionais. Precisam
vivenciar escolas sem brigas. Os professores devem ser bem pagos, para serem
excelentes estimuladores de idéias com elevado humor e otimismo. “Ensinar é algo muito difícil e trabalhoso. E
mais difícil se torna quando as condições atrapalham. Mas é preciso que o
exercício do ensinar permaneça vinculado ao intento de promover as
condições necessárias para transcendendo
o instruir, auxiliar o encontro da inteligência do educando com a vida, o
encontro de sua sensibilidade com a pluralidade rica do viver”. (Autor Moraes
Regis.- Livro: O que é ensinar? São Paulo - EPU – 1986).
“É
cada vez maior a preocupação de governos e entidades reguladoras no que se
refere à educação financeira da população, para que ela esteja apta a tomar
decisões de forma consciente e fundamentada. Em países desenvolvidos, o tema
finanças pessoais já se encontra em estágio avançado, constando, inclusive, na
grade curricular das escolas. Por aqui e em países emergentes, no entanto, o
assunto ainda engatinha, embora venha ganhando terreno nos últimos tempos.
Estudo realizado pelo pesquisador e professor do Laboratório de Finanças
(Labfin) da Fundação Instituto de Administração (FIA) André Saito mostra que o
processo de Educação Financeira está se desenvolvendo de forma mais intensa nos
Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Coréia do Sul.
Esses países representam 37% das regiões analisadas no levantamento. Já na
América Latina e no Leste Europeu, que compreendem 63% das regiões avaliadas, o
ritmo de ações no sentido de prover conhecimento financeiro para a população
ainda é bastante lento”. ( Autora: Luciana Monteiro - Crônica Educação Financeira – São Paulo.).
As
escolas particulares do ensino fundamental ensinam práticas de Educação
Financeira há dez anos. São estimulados debates inteligentes sobre o uso da
mesada, visitas a supermercados, bem como a compreensão da caderneta de
poupança. Há quarenta anos atrás, se lia atentamente o conselho nas redes
bancárias – “Mão que economiza é mão que não pede”. No Brasil, infelizmente a
Educação Financeira não faz parte da educação familiar, tampouco escolar. A
Educação Financeira que surge tardia é uma conquista para a sociedade, mas um
desafio gigantesco para a educação brasileira.
Mas
esse conhecimento chega ao Ensino Público, após dois anos do projeto piloto da
Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) e concluíram que a Educação
Financeira é transformadora para a vida dos alunos e de sua família. Agora em
2013 a inclusão da Educação Financeira nos currículos das Escolas Públicas
estaduais e Municipais começam a ser implantadas no país. A maior conquista
será ensinar como resolver problemas financeiros, e dar valor ao trabalho. No
Brasil, somente em agosto de 2010 foi implantado o primeiro projeto oficial de
Educação Financeira em 450 instituições de ensino público no nível médio nos
Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins, Distrito Federal, Ceará, e
Minas Gerais, (Parceria Banco Central – CVM (Comissão de Valores Mobiliários) –
PREVIC - (Superintendência Nacional de Previdência Complementar) – SUSEP
(Superintendência de Seguros Privados) -
e tem o apoio de BM&FBovespa e Ambima (Associação Brasileira das
Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

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