sexta-feira, 29 de março de 2013

A PAZ É FRUTO DA JUSTIÇA CULTURAL



REGINA DINIZ

 “É certo que há uma legítima necessidade de maior consumo à medida que o homem se desenvolve culturalmente e tem necessidades mais refinadas de alimentos melhores, de objetos de prazer artístico etc... Porém nossa ânsia de consumo perdeu toda relação com as necessidades reais do homem. Originalmente, o desejo de consumir mais e melhores coisas se destinava a proporcionar ao homem uma vida mais feliz e satisfeita. O consumo era um meio para um fim: a felicidade. Agora tornou-se um fim em si. O aumento incessante de necessidades nos obriga a um esforço cada vez maior, obriga-nos a depender dessas necessidades e das pessoas ou instituições por cuja mediação podemos satisfazê-las. Cada pessoa procura o modo de criar uma nova necessidade em outra pessoa, a fim de forçá-la a uma nova dependência, a uma nova forma de prazer e, portanto, a sua ruína econômica.  Com a grande multiplicidade de mercadorias cresce o domínio das coisas alheias que escravizam o homem”. (Autor: Karl Marx – Livro: Der Historische  Materialismns Die Friihschri. 1932 pg.25).

Atualmente começa a surgir um novo homem, que deseja ser ele mesmo, escolher, dominar e manejar a sua vida, organizando a sua vida social. Nesta confusão desenfreada, ele esta pensando, calculando e trabalhando com abstrações mais próximas de sua vida concreta. Começa a perceber os efeitos nefastos do capitalismo sobre a personalidade: o fenômeno desintegrador da alienação, que é um modo de experiência, que a pessoa não compreende e sente-se como um estranho, deslocado, totalmente manipulado.   

Felizmente o indivíduo começa a aproximar-se de si mesmo e também de outras pessoas. Percebe a si e os demais como seres humanos, como pessoas investidas de responsabilidades e não mais aceitam serem tratadas como coisas manipuladas. Conversam produtivamente consigo mesma, rejeitando a imposição das propostas padronizadas, deste capitalismo selvagem, assumindo  tornar realidade a construção de tempos mais gratificantes emocionalmente. Está disposto a lutar a favor dele e escolhido por ele, aspirando a presença da individualidade. Agora a virtude está em ser diferente, que significa ser criativo, encontrando a plena satisfação interior.     

Ninguém gosta da pobreza muito menos apóia a desigualdade, mas é graças à existência de tais misérias em nossas sociedades que uns podem acumular mais que outros. Gandhi alertou que existem recursos no planeta para todos, mas não para a ganância de uns poucos e que a paz é fruto da justiça. Paulo Freire afirmava que o grande papel da educação deveria ser o de libertar as pessoas da escravidão do consumismo. Entretanto somos estimulados o tempo todo, desde criancinhas, e por todos os meios a consumir sem parar. “Ao invés de tentarmos nos libertar, ou de questionarmos este modelo, queremos consumir mais e mais, num padrão tão elevado quanto o dos ricos e famosos, incensados pela mídia para que os tomemos como modelo a serem seguidos e invejados”. (Autor: Victor Albino Bolorino de Carvalho – Crônica: Miséria da Sociedade de Consumo - Engenharia e Sociedade).

As avaliações sociais embora muito tímidas começam a fluir como valor e como valer pelo que é e não pelo que possui. Todas as relações humanas com o mundo – ver, ouvir, saborear, pensar, observar, sentir, desejar, agir, amar – ou sejam as qualidades da sua personalidade são a expressão ativa de sua realidade. Os impulsos do ser humano são expressões de sua necessidade própria. Além de dons criativos dos quais é herdeiro poder-se-ia definir o seu interesse em tudo o que é vivo, e em tudo o que cresce. Sem dúvida os objetos são secundários. Antes da implantação da sociedade de consumo a ansiedade e a depressão eram raras. Atualmente a ansiedade e a depressão formam um quadro nefasto neste tipo de sociedade.

Na sociedade de consumo, os homens são transformados em objetos, estes não tem identidade. Mas pensando bem o conceito de identidade do “eu” ou personalidade refere-se à categoria de Ser e não o de ter. Erikson argumentou: Eu sou “eu” somente na medida em que estou vivo, interessado, relacionado, ativo e na medida em que alcancei uma integração entre a minha aparência para outros e ou para mim mesmo. “Quer dizer, o homem e não a técnica, deve ser a fonte básica de valores; o desenvolvimento humano ótimo e não a produção máxima deve ser o critério para todo planejamento. O conhecimento do homem, sua natureza e as possibilidades reais das suas manifestações devem tornar-se um dos dados básicos para qualquer planejamento social.

“Ao propor reflexões sobre a educação brasileira, vale lembrar que só em meados do século XX o processo de expansão à escolarização básica no país começou, e que o seu crescimento em termos de rede pública de ensino, se deu no fim dos anos de 1970 e início dos anos 1980. Com essa informação podemos nos voltar aos dados nacionais: O Brasil ocupa o 53º- lugar em educação, entre 65 países avaliados (PISA). 3,8 milhões de crianças ainda estão fora da escola (IBGE). O Brasil tem 30,5 milhões de analfabetos funcionais – pessoas que não conseguem interpretar o texto. O número é equivalente a 20,4% da população do país. (PNDA – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio). O índice equivalente ao ano de 2011 se manteve estável ao de 2009, quando os analfabetos funcionais também representavam 20,4%. Cresce o número de adolescentes fora da escola em 2011, aumentou em 243.000 o número de jovens entre 15 e 17 anos que estão fora da escola (IBGE).

Queira ou não queira, mais dias menos dias o Brasil terá de investir na oferta de cursos profissionalizantes gratuitos para essa faixa que estaria de 15 a 18 anos. É urgente a expansão da rede federal de ensino técnico profissional, que precisa se unir ao ensino médio. As autoridades de nosso país sentem-se constrangidas, frente ao mundo todo, por demonstrarem um desinteresse absurdo em não valorizar a educação. As bibliotecas estão sem livros.Conheço a realidade de uma escola pública de 2º- Grau, que tinha um único dicionário de Língua Portuguesa para l.500 alunos consultarem. Não se admite que as escolas públicas não ofereçam cursos de computação bem como salas com computadores.

Os jovens e crianças pobres lutam com imensas dificuldades emocionais. Precisam vivenciar escolas sem brigas. Os professores devem ser bem pagos, para serem excelentes estimuladores de idéias com elevado humor e otimismo.  “Ensinar é algo muito difícil e trabalhoso. E mais difícil se torna quando as condições atrapalham. Mas é preciso que o exercício do ensinar permaneça vinculado ao intento de promover as condições  necessárias para transcendendo o instruir, auxiliar o encontro da inteligência do educando com a vida, o encontro de sua sensibilidade com a pluralidade rica do viver”. (Autor Moraes Regis.- Livro: O que é ensinar? São Paulo - EPU – 1986). 

“É cada vez maior a preocupação de governos e entidades reguladoras no que se refere à educação financeira da população, para que ela esteja apta a tomar decisões de forma consciente e fundamentada. Em países desenvolvidos, o tema finanças pessoais já se encontra em estágio avançado, constando, inclusive, na grade curricular das escolas. Por aqui e em países emergentes, no entanto, o assunto ainda engatinha, embora venha ganhando terreno nos últimos tempos. Estudo realizado pelo pesquisador e professor do Laboratório de Finanças (Labfin) da Fundação Instituto de Administração (FIA) André Saito mostra que o processo de Educação Financeira está se desenvolvendo de forma mais intensa nos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Coréia do Sul. Esses países representam 37% das regiões analisadas no levantamento. Já na América Latina e no Leste Europeu, que compreendem 63% das regiões avaliadas, o ritmo de ações no sentido de prover conhecimento financeiro para a população ainda é bastante lento”. ( Autora: Luciana Monteiro -  Crônica Educação Financeira – São  Paulo.).

As escolas particulares do ensino fundamental ensinam práticas de Educação Financeira há dez anos. São estimulados debates inteligentes sobre o uso da mesada, visitas a supermercados, bem como a compreensão da caderneta de poupança. Há quarenta anos atrás, se lia atentamente o conselho nas redes bancárias – “Mão que economiza é mão que não pede”. No Brasil, infelizmente a Educação Financeira não faz parte da educação familiar, tampouco escolar. A Educação Financeira que surge tardia é uma conquista para a sociedade, mas um desafio gigantesco para a educação brasileira.

Mas esse conhecimento chega ao Ensino Público, após dois anos do projeto piloto da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) e concluíram que a Educação Financeira é transformadora para a vida dos alunos e de sua família. Agora em 2013 a inclusão da Educação Financeira nos currículos das Escolas Públicas estaduais e Municipais começam a ser implantadas no país. A maior conquista será ensinar como resolver problemas financeiros, e dar valor ao trabalho. No Brasil, somente em agosto de 2010 foi implantado o primeiro projeto oficial de Educação Financeira em 450 instituições de ensino público no nível médio nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins, Distrito Federal, Ceará, e Minas Gerais, (Parceria Banco Central – CVM (Comissão de Valores Mobiliários) – PREVIC  - (Superintendência  Nacional de Previdência Complementar) – SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) -  e tem o apoio de BM&FBovespa e Ambima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).  

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