REGINA DINIZ
Peter
Singer trouxe a filosofia de volta à terra, trocando a ênfase demasiado
especulativa das teorias éticas para uma perspectiva mais problemática: “filosofar a partir dos problemas concretos. Essa é uma
característica, que costuma valer para os pensadores de linha mais
utilitarista”. Peter Singer nos sugere que, o ideal seria 10% do dinheiro de
que dispomos não pode ficar para nosso
uso, mas que devemos aplicá-lo, da melhor maneira possível, e ao nosso critério,
em favor dos menos favorecidos. Seu raciocínio é de que nem o rico nem o pobre
ficariam em má situação, retendo 90% para si e dando 10% para alguém mais
necessitado, como um dever de fraternidade”. (Autor: Peter Singer- Livro: A
Vida Que Podemos Salvar: Agir Agora Para Por Fim À Pobreza do Mundo).
Peter
Singer debate abrindo questões mobilizadouras em 1970, num momento histórico
adequado como foi esta década, sinalizando e registrando novas e criativas
abordagens que permitiram vivificar temas antes considerados tabus intocáveis.
É expressiva a iluminação ética, de que podemos ajudar sem sacrifícios
significativos, então obrigatoriamente temos que ajudar. Não ajudar é contra a
vida. Ajudar é ser a favor da vida, de uma vida mais humana.
Desde
o tempo de Moisés a responsabilidade pelo Outro é a estrutura essencial,
primária e fundamental da subjetividade. O nosso planeta pensa a ética como o
impulso do dever moral, a tendência a agir por nossa própria responsabilidade. Sou
porque sou para os outros são sinônimos. Ajudando os outros (pode ser bem pouco),
(5%) abre a possibilidade de um bálsamo que nos tira do isolamento depressivo
da existência. “O que mais vale é a intencionalidade construtiva de nossa parte”. (Emmanuel Levinas).
“A
liberdade não é uma linha divisória entre esquerda e direita. Incomensurável
com a igualdade como status de uma pessoa, mas não como relação entre pessoas,
ela é o valor que separa moderados de extremistas em cada um dos campos. Mas na
oposição entre esquerda e direita ela ocupa uma posição de meio, não de fim.
Dentro de sua característica Bobbio não
aceita harmonizações. Liberdade não pode ser equiparada à igualdade, e não
existem razões para pensar que sejam sempre compatíveis. Se alguns tipos de
igualdade não afetam a liberdade, outros – restrições necessárias como a
educação pública universal – afetam. É essencialmente em questões como essas
que esquerda e direita unem forças. Bobbio termina seu livro com uma confissão
pessoal. A igualdade sempre foi a “estrela-guia” de sua vida política. A
desigualdade deste mundo – desde os pobres e excluídos das ricas sociedades
ocidentais até a enorme massa de miséria nos países mais pobres – continuam
assustadoras. Basta observar “a questão social em escala internacional”,
escreve ele, “para perceber que a esquerda, longe de ter chegado ao fim de sua
estrada, mal começou a percorrê-la. A tarefa é enorme.
(Autor:
PERRY ANDERSON - Livro: ESPECTRO – Citação:
NORBERTO BOBBIO – Livro – DIREITA E ESQUERDA: RAZÕES E SIGNIFICADOS DE UMA DISTINÇÃO POLÍTICA. – São Paulo –
Editora Unesp. – 1995).
Marx
com muita razão criticava o liberalismo, porque só eram expressos os interesses
de um pequeno grupo da sociedade e não da maioria com tinha como tinha que ser.
A sociedade é um conjunto de atividades e de todos os seres humanos, e este
conjunto de ações é que tornam a sociedade possível. Estas ações ajudam a
organização social, e prova que o homem tem a capacidade de se relacionar uns
com os outros.
Num
momento em que o Brasil enfrenta novos desafios, procura novos espaços de
atuação e abre novas áreas para acompanhar as grandes transformações pela qual
passa o mundo contemporâneo. É importante rever as realidades que no passado
deram certo e, no presente ainda significam escolhas acertadas no sentido de
oferecer um futuro melhor para todos. O direito à educação escolar é um
importante espaço que não perderam e nem perderão sua atualidade.
Precisamos
ultrapassar as dificuldades com muitos estudos e pesquisas diante da
desigualdade social, apresentando uma proposta em que a igualdade política
aconteça no sentido de diminuir as discriminações. As concretizações dos Direitos Sociais acontecem em muitos
países. Todo o avanço da educação escolar, além do ensino primário foi através
do amadurecimento da concepção democrática da sociedade, que deseja a igualdade
de oportunidades ou mesmo a igualdade de condições.
O
Censo de 2010, divulgado pelo IBGE, apontou que o país tem 14.612.183 de
analfabetos entre mais de 162 milhões de brasileiros com mais de dez anos de
idade, o que representa 9,02 da população a partir desta faixa etária. Destes
9,4 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever servem em áreas urbanas.
Além da escola que, pela alfabetização, introduz as pessoas no universo do
trabalho, o país ainda patina em termos de organismos públicos que venham a
permitir práticas de estudo modernas.
A
Ciência e a Cultura divulgada, em 01/03/2011 mostram que a maioria dos adultos
analfabetos vive em apenas dez países. O Brasil aparece em oitavo lugar com 14
milhões. Níveis de analfabetismo acima de 5% são considerados inaceitáveis
internacionalmente. Enquanto as Escolas, não forem colocadas em 1º- lugar, nas
prioridades políticas governamentais de Educação e Cultura, o vergonhoso índice
de 9% custará muito tempo para desaparecer.Quando o índice e analfabetismo
“diminuem”, os governantes divulgam e comemoram como se estivesse terminado
esta chaga nacional.
“A
história do direito à educação escolar é semelhante à luta por uma legislação
protetora dos trabalhadores da indústria nascente, pois em ambos os casos, foi
no século XIX que se lançaram a base para os direitos sociais como integrantes
da cidadania. A educação é um pré-requisito necessário da liberdade civil e,
como tal, um pré-requisito do exercício de outros direitos. O Estado, neste
caso, ao interferir no contrato social, não estava conflitando com os direitos
civis. Afinal, esses devem ser utilizados por pessoas inteligentes e de bom
senso e, para tanto, o ler e o escrever são indispensáveis”. (Autor: Thomas
Marshall – Livro: Cidadania, Classe Social e Status – Rio de Janeiro: Zahar,
1967).
A
educação das crianças e dos adolescentes estão solidamente ligadas com a
cidadania, e inteligentíssimos os governantes que garantirem a educação para
todas as crianças, pois compreenderam a natureza da cidadania. O maior acerto
social que um país pode realizar é estimular o desenvolvimento de cidadãos em
formação. O direito à educação é um direito social de cidadania genuíno, porque
o objetivo da educação durante a infância e adolescência é influenciar o adulto em perspectiva. A
escolaridade é o direito do cidadão adulto ter sido educado.
A
declaração e a garantia de um direito tornam-se indispensáveis no caso de
países, como o Brasil, com gigantesca tradição elitista que reservam apenas às
camadas ricas o acesso e este bem social. Precisamos retirar do esquecimento e
esclarecer os que não sabem de que todos são portadores do direito à educação.
Infelizmente em nosso país este direito não é respeitado. O nosso Brasil
reconhece o ensino fundamental como um direito desde 1934 e o reconhece como
direito público subjetivo desde 1988. O ensino fundamental é obrigatório,
gratuito e quem não teve acesso a esta etapa de escolaridade pode recorrer a
justiça e exigir a sua vaga.
Em
07-05-2013, a presidenta Dilma Roussef volta a defender a destinação de 100%
dos royalties para a Educação. De acordo com Dilma, os recursos do pré-sal
devem ser investidos na educação para que as próximas gerações possam ser
beneficiadas. A presidenta afirmou: - “ A destinação é decisiva para
transformar o Brasil em uma grande nação”, durante a cerimônia de posse do
presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São
Paulo(Facesp) e das Associações Comerciais do Estado (ACSP). –“ Nós precisamos
de uma política estável no que se refere
à formação profissional, nós não podemos abrir mão da formação de nossos
trabalhadores”, disse Dilma.

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