REGINA DINIZ
“Distribuição
social, e não crescimento, dominaria a política do novo milênio. A alocação não
mercantil de recursos, ou pelo menos uma implacável limitação da alocação de
mercado, era essencial para desviar a crise ecológica iminente. De uma forma ou
de outra, o destino da humanidade no novo milênio dependeria da restauração das
autoridades públicas. Cerca de dois terços da população mundial ganharam pouca
ou nenhuma vantagem com o rápido crescimento econômico. No mundo desenvolvido,
o mais baixo quartil de assalariados testemunhou mais um respingar para cima
que um respingar para baixo”. (Autor: ERIC HOBSBAWM – Livro: - A ERA DOS
EXTREMOS – Editora SCHWARCZ S.A. – São Paulo – 1995).
Questionando
a experiência de 1970 e 1980, estas duas décadas provaram que o grande problema
político do mundo, principalmente no mundo desenvolvido, a solução não era
multiplicar a riqueza das nações, mas como distribuí-la em benefício de seus habitantes. O
desenvolvimento diz respeito à melhoria da qualidade de vida das pessoas,
ampliando sua capacidade de construir o seu próprio futuro. Exige Educação e
Oportunidade de empregos mais igualitários. Significa mais saúde e melhor
nutrição. É indispensável que as Liberdades Civis e Políticas sejam mais
amplas. Uma vida cultural mais rica.
Além
da renda individual e familiar para o bem-estar social são necessários
investimentos e melhorias em saúde e educação, liberdade de expressão e
participação. O nosso país é um monumento a negligência social: O Brasil tem
12,9 milhões de pessoas analfabetas, segundo o relatório de 2012 da Pnad
(Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios ), organizada pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística) com base em dados de 2011. Pergunta-se:
Qual seria a relação delas (autoridades responsáveis) com as pessoas sobre quem
tomam as decisões. É impressionante o descaso humano.
“Quando
a solidariedade é substituída pela competição, os indivíduos se sentem
abandonados a si mesmos, entregues a seus próprios recursos – escassos e
claramente inadequados. A corrosão e a dissolução dos laços comunitários nos
transformaram, sem pedir nossa aprovação, em indivíduos de jure (de direito); mas
circunstâncias opressivas e persistentes dificultam que alcancemos o status
implícito de indivíduos de facto (de fato). Hoje a exclusão social não é
percebida como resultado de uma momentânea e remediável má sorte, mas como algo que tem
toda a aparência de definitivo. Além disso, nesse momento, a exclusão tende a
ser uma via de mão única. É pouco provável que se reconstruam as pontes
queimadas no passado. E são justamente a irrevogabilidade desse “despejo” e as
escassas possibilidades de recorrer contra essa sentença que transformam os
excluídos de hoje em “classes perigosas”. (Autor:- ZYGMUNT BAUMAN -
Livro: - CONFIANÇA E MEDO NA CIDADE – Ed. Zahar – Rio de Janeiro –
2005).
A
solução maior para enfrentar a pobreza extrema está na geração de emprego e
renda como fatores fundamentais para a cidadania. O que eleva a auto-estima do
ser humano é o trabalho. Todos sabem que para erradicar a miséria é fundamental
repensar a economia, reorganizar toda a política, transformar toda a nossa
cultura, para chegarmos a um país onde
todas as pessoas tenham trabalho e possam viver
dignamente com seus salários, possam comer segundo suas necessidades e
preferências, educar seus filhos e garantir saúde e segurança para todos os
membros de sua família. É urgente dar um passo à frente em direção ao trabalho.
É
prioritário “ensinar a pescar” para gerar trabalho e renda para todos. Gente é
que gera emprego para gente. A sociedade é que muda a direção das Políticas do
Estado e reinventa novos modos de sua própria existência. A economia na verdade
é a soma ou a divisão de todos nós. Pensando assim aprendemos a somar e a
integrar, contra uma economia que se especializou em dividir e excluir. “Não
podemos aceitar a política que produz miséria. A condenação ética da miséria é
um ponto de partida. Precisamos atacar a miséria para conquistar a democracia.( Autor: Herbert
de Souza – Betinho) – Livro Ética – São Paulo:Moderna, 1994 . Coleção Polêmica).
Número
de favelados no Brasil será de 55 milhões em 2020 de acordo com um relatório das
Nações Unidas sobre os centros urbanos no mundo. As Nações Unidas dizem que
apesar do comprometimento e esforço do Brasil para tentar melhorar a qualidade
de vida de moradores nas favelas, a desigualdade e pobreza crônicas aumentaram,
e nada mudou em relação ao preconceito. De acordo com o relatório da ONU, um
estudo feito no Rio de Janeiro, descobriu que moradores de favelas encontram
grandes barreiras para conseguir empregos. Segundo a ONU, os governantes devem
levar em conta a diferença entre a favela e outras áreas urbanas, na hora de
formular políticas sociais.
“O
progresso econômico moderno é algo muito desigual. Temos de ajudar os mais pobres do planeta. Eu dou muita
importância ao investimento humano em educação, em saúde. Devemos ter sempre em
mente um fato simples do nosso tempo: não há povo culto, educado e alfabetizado
que seja pobre e não há população iletrada que não seja pobre. Esse é um forte
indício da importância da educação. Em primeiro lugar, é preciso haver uma rede
de proteção que livre as pessoas da miséria absoluta . Em segundo lugar deve
existir um bom sistema educacional. Repito o que disse: isso é absolutamente
essencial se as pessoas quiserem melhorar de vida. Em terceiro lugar, é
necessário criar alguns serviços importantes para os pobres, como saúde,
bibliotecas, casas populares – o que o sistema privado não fornece. Com essas
três coisas ficaremos muito melhores do que estamos agora”. ( Autor entrevistado:
John Kenneth Galbraith -Livro: Grandes
Entrevistas do Milênio ) Editora Globo S.A. – 2008).
Muitas
pessoas, principalmente nas grandes cidades são deixadas fora do sistema. A
tranqüilidade social, a justiça social, assim como a decência social exige que
os pobres tenham oportunidades decentes. Apesar da várias tentativas de
eliminar as favelas das principais cidades do Brasil como Rio de Janeiro e São
Paulo, a população pobre cresceu a um ritmo rápido, assim como as favelas
modernas os abrigam desde o final do século passado. Este é o fenômeno chamado
de favelização. Em 1950, apenas 7% da população do Rio de Janeiro viviam em
favelas, hoje esse número cresceu para 22% dos habitantes da cidade. Algumas
organizações (em geral não governamentais), promovem projetos nas favelas para
a valorização da vida e da cultura da favela. Visam afastar os jovens do
tráfico através do desenvolvimento de cooperativas, entre outros projetos
beneficentes. O Governo Federal, através da PAC (Programa de Aceleração do
Crescimento) destinou R$ 3,88 bilhões para regiões carentes do Rio de Janeiro.
Outro exemplo de ação social ocorreu em Campo Grande, que foi a primeira
capital do Brasil a eliminar todas as suas favelas.
O
Brasil está em quarto lugar no mundo em população carcerária. O número total de
presos é de 514.582. A taxa de ocupação nas prisões é de 184%. Trezentos
milhões de reais por dia é o custo
estimado da violência no Brasil, o equivalente ao orçamento anual do Fundo
Nacional de Segurança Pública, é um valor superior ao envolvido na reforma da Previdência
que tanto mobilizou os governos. Esses valores não contabilizam o sofrimento
físico e psicológico das vítimas da violência brasileira, uma das mais
dramáticas do mundo. Os homicídios
cresceram 29% na década passada e entre os jovens esse crescimento foi de 48%. Poucos países no mundo
sofrem as ações de terrorismo urbano como os praticados no Brasil.
As
múltiplas carências das populações de baixa renda, não assistidas nas
periferias das grandes cidades, tornam seus integrantes, suscetíveis de escolha
de vias ilegais como forma de sobrevivência como também adaptação às pressões
sociais. É compreensível o desespero de jovens com fome sem a mínima esperança
de arrumar um emprego, completamente abandonados pelo poder público. A ausência
de projetos sociais com o intuito de diminuir a pobreza em nosso país nos
humilha e nos envergonha perante o mundo.
O
abandono social, por séculos, atingiu índices inaceitáveis e temos que
enfrentar e sanar esse horror desumano. Sabemos que a informática é um pré-requisito básico para as pessoas,
que disputam um lugar no mercado de trabalho.Uma primeira forma de ajudar seria
oferecendo condições de disputarem um emprego através da disseminação do
conhecimento em Informática. Os custos com as populações carcerárias
diminuiriam consideravelmente e conquistaríamos a paz de que tanto almejamos.
Injustificável é optarmos por prender do que educar e empregar.

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