domingo, 2 de junho de 2013

NENHUMA VANTAGEM COM O CRESCIMENTO ECONÔMICO

       
REGINA DINIZ


“Distribuição social, e não crescimento, dominaria a política do novo milênio. A alocação não mercantil de recursos, ou pelo menos uma implacável limitação da alocação de mercado, era essencial para desviar a crise ecológica iminente. De uma forma ou de outra, o destino da humanidade no novo milênio dependeria da restauração das autoridades públicas. Cerca de dois terços da população mundial ganharam pouca ou nenhuma vantagem com o rápido crescimento econômico. No mundo desenvolvido, o mais baixo quartil de assalariados testemunhou mais um respingar para cima que um respingar para baixo”. (Autor: ERIC HOBSBAWM – Livro: - A ERA DOS EXTREMOS – Editora SCHWARCZ S.A. – São Paulo – 1995).

Questionando a experiência de 1970 e 1980, estas duas décadas provaram que o grande problema político do mundo, principalmente no mundo desenvolvido, a solução não era multiplicar a riqueza das nações, mas como distribuí-la em  benefício de seus habitantes. O desenvolvimento diz respeito à melhoria da qualidade de vida das pessoas, ampliando sua capacidade de construir o seu próprio futuro. Exige Educação e Oportunidade de empregos mais igualitários. Significa mais saúde e melhor nutrição. É indispensável que as Liberdades Civis e Políticas sejam mais amplas. Uma vida cultural mais rica.

Além da renda individual e familiar para o bem-estar social são necessários investimentos e melhorias em saúde e educação, liberdade de expressão e participação. O nosso país é um monumento a negligência social: O Brasil tem 12,9 milhões de pessoas analfabetas, segundo o relatório de 2012 da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios ), organizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) com base em dados de 2011. Pergunta-se: Qual seria a relação delas (autoridades responsáveis) com as pessoas sobre quem tomam as decisões. É impressionante o descaso humano.    

“Quando a solidariedade é substituída pela competição, os indivíduos se sentem abandonados a si mesmos, entregues a seus próprios recursos – escassos e claramente inadequados. A corrosão e a dissolução dos laços comunitários nos transformaram, sem pedir nossa aprovação, em indivíduos de jure (de direito); mas circunstâncias opressivas e persistentes dificultam que alcancemos o status implícito de indivíduos de facto (de fato). Hoje a exclusão social não é percebida como resultado de uma momentânea e  remediável má sorte, mas como algo que tem toda a aparência de definitivo. Além disso, nesse momento, a exclusão tende a ser uma via de mão única. É pouco provável que se reconstruam as pontes queimadas no passado. E são justamente a irrevogabilidade desse “despejo” e as escassas possibilidades de recorrer contra essa sentença que transformam os excluídos de hoje em “classes perigosas”. (Autor:- ZYGMUNT BAUMAN  -  Livro: - CONFIANÇA E MEDO NA CIDADE – Ed. Zahar – Rio de Janeiro – 2005).

A solução maior para enfrentar a pobreza extrema está na geração de emprego e renda como fatores fundamentais para a cidadania. O que eleva a auto-estima do ser humano é o trabalho. Todos sabem que para erradicar a miséria é fundamental repensar a economia, reorganizar toda a política, transformar toda a nossa cultura, para chegarmos a um país  onde todas as pessoas tenham trabalho e possam viver  dignamente com seus salários, possam comer segundo suas necessidades e preferências, educar seus filhos e garantir saúde e segurança para todos os membros de sua família. É urgente dar um passo à frente em direção ao trabalho.  

É prioritário “ensinar a pescar” para gerar trabalho e renda para todos. Gente é que gera emprego para gente. A sociedade é que muda a direção das Políticas do Estado e reinventa novos modos de sua própria existência. A economia na verdade é a soma ou a divisão de todos nós. Pensando assim aprendemos a somar e a integrar, contra uma economia que se especializou em dividir e excluir. “Não podemos aceitar a política que produz miséria. A condenação ética da miséria é um ponto de partida. Precisamos atacar a miséria  para conquistar a democracia.( Autor: Herbert de Souza – Betinho) – Livro Ética – São Paulo:Moderna, 1994 . Coleção Polêmica).                               

Número de favelados no Brasil será de 55 milhões em 2020 de acordo com um relatório das Nações Unidas sobre os centros urbanos no mundo. As Nações Unidas dizem que apesar do comprometimento e esforço do Brasil para tentar melhorar a qualidade de vida de moradores nas favelas, a desigualdade e pobreza crônicas aumentaram, e nada mudou em relação ao preconceito. De acordo com o relatório da ONU, um estudo feito no Rio de Janeiro, descobriu que moradores de favelas encontram grandes barreiras para conseguir empregos. Segundo a ONU, os governantes devem levar em conta a diferença entre a favela e outras áreas urbanas, na hora de formular políticas sociais.

“O progresso econômico moderno é algo muito desigual. Temos de ajudar os  mais pobres do planeta. Eu dou muita importância ao investimento humano em educação, em saúde. Devemos ter sempre em mente um fato simples do nosso tempo: não há povo culto, educado e alfabetizado que seja pobre e não há população iletrada que não seja pobre. Esse é um forte indício da importância da educação. Em primeiro lugar, é preciso haver uma rede de proteção que livre as pessoas da miséria absoluta . Em segundo lugar deve existir um bom sistema educacional. Repito o que disse: isso é absolutamente essencial se as pessoas quiserem  melhorar de vida. Em terceiro lugar, é necessário criar alguns serviços importantes para os pobres, como saúde, bibliotecas, casas populares – o que o sistema privado não fornece. Com essas três coisas ficaremos muito melhores do que estamos agora”. ( Autor entrevistado: John Kenneth Galbraith  -Livro: Grandes Entrevistas do Milênio ) Editora Globo S.A. – 2008).

Muitas pessoas, principalmente nas grandes cidades são deixadas fora do sistema. A tranqüilidade social, a justiça social, assim como a decência social exige que os pobres tenham oportunidades decentes. Apesar da várias tentativas de eliminar as favelas das principais cidades do Brasil como Rio de Janeiro e São Paulo, a população pobre cresceu a um ritmo rápido, assim como as favelas modernas os abrigam desde o final do século passado. Este é o fenômeno chamado de favelização. Em 1950, apenas 7% da população do Rio de Janeiro viviam em favelas, hoje esse número cresceu para 22% dos habitantes da cidade. Algumas organizações (em geral não governamentais), promovem projetos nas favelas para a valorização da vida e da cultura da favela. Visam afastar os jovens do tráfico através do desenvolvimento de cooperativas, entre outros projetos beneficentes. O Governo Federal, através da PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) destinou R$ 3,88 bilhões para regiões carentes do Rio de Janeiro. Outro exemplo de ação social ocorreu em Campo Grande, que foi a primeira capital do Brasil a eliminar todas as suas favelas.

O Brasil está em quarto lugar no mundo em população carcerária. O número total de presos é de 514.582. A taxa de ocupação nas prisões é de 184%. Trezentos milhões de reais  por dia é o custo estimado da violência no Brasil, o equivalente ao orçamento anual do Fundo Nacional de Segurança Pública, é um valor superior ao envolvido na reforma da Previdência que tanto mobilizou os governos. Esses valores não contabilizam o sofrimento físico e psicológico das vítimas da violência brasileira, uma das mais dramáticas do mundo. Os homicídios  cresceram 29% na década passada e entre os jovens esse  crescimento foi de 48%. Poucos países no mundo sofrem as ações de terrorismo urbano como os praticados no Brasil.

As múltiplas carências das populações de baixa renda, não assistidas nas periferias das grandes cidades, tornam seus integrantes, suscetíveis de escolha de vias ilegais como forma de sobrevivência como também adaptação às pressões sociais. É compreensível o desespero de jovens com fome sem a mínima esperança de arrumar um emprego, completamente abandonados pelo poder público. A ausência de projetos sociais com o intuito de diminuir a pobreza em nosso país nos humilha e nos envergonha perante o mundo.


O abandono social, por séculos, atingiu índices inaceitáveis e temos que enfrentar e sanar esse horror desumano. Sabemos que a informática  é um pré-requisito básico para as pessoas, que disputam um lugar no mercado de trabalho.Uma primeira forma de ajudar seria oferecendo condições de disputarem um emprego através da disseminação do conhecimento em Informática. Os custos com as populações carcerárias diminuiriam consideravelmente e conquistaríamos a paz de que tanto almejamos. Injustificável é optarmos por prender do que educar e empregar. 

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