quinta-feira, 1 de agosto de 2013

INTEGRAÇÕES COM AS PROTEÇÕES SOCIAIS


 REGINA DINIZ

Quem poderia contrabalançar as tendências à desigualdade tão impressionantemente visíveis nas Décadas de Crise? A julgar pela experiência das décadas de 1970 e 1980, não seria o livre mercado. Se essas décadas provaram alguma coisa, foi que o grande problema político do mundo, e certamente do mundo desenvolvido, não era como multiplicar a riqueza das nações, mas como distribuí-la em benefício de seus habitantes. Isso se dava mesmo em países pobres “em desenvolvimento” que precisavam de mais crescimento econômico. ( Autor: Eric Hobsbawm – Livro: Era dos Extremos – ano 2009 – Editora: Companhia das Letras).

A nossa era é dominada por grande insegurança e também por crises devastadoras e este quadro se repete há séculos. Hoje, não há nações vitoriosas ou derrotadas nem mesmo na Europa oriental. Os problemas permanecem os mesmos: o uso abusivo e descarado da vantagem social e o desordenado poder do dinheiro, que sempre dirige o curso dos acontecimentos.

O século XX acabou com muitos problemas, para os quais ninguém apresentou soluções. As autoridades globais, nacionais e transnacionais sempre estiveram de olho nos países que precisavam de dinheiro emprestado para impor-lhes políticas monetárias. Décadas de crises destruíram o consenso político. Surgiram povos solidamente identificados com seus governos, mas eram poucos na década de 1990. Os cidadãos de muitos países admitiram a idéia de um Estado forte, ativo e socialmente responsável, merecendo a liberdade de ação porque servia ao bem-estar comum. Mas esses Estados eram raros.

Houve muitos países, onde o governo era suspeito por aderir a um anarquismo, individualista misturado com disputas e políticas de mamatas.Tinham também numerosos países, onde o Estado era tão ignorante socialmente e corrupto, que os cidadãos decepcionados não esperavam um governo que produzisse o bem público. Estes países são comuns no terceiro mundo.

No século XX surgiu a democracia liberal, enfrentando sérios problemas de política para os quais as eleições de presidentes e assembléias pluripartidárias não eram importantes. Brilhava no imaginário social o desejo de uma época em que o governo devia ser “do povo” e “para o povo”, mas não podia ser exercido “pelo povo”, entretanto os candidatos representativos competiam pelo voto do povo. No início do século XXI, um grande número de cidadãos se retirava da política, deixando as questões de Estado para a classe  política.

“Não sabemos para onde estamos indo. Só sabemos que a história nos trouxe até este ponto e por quê. Contudo uma coisa é clara. Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos fracassar. E o preço do fracasso, ou seja, a alternativa para uma mudança da sociedade é a escuridão”. ( Autor: Eric Hobsbawm – Livro – Era dos Extremos).  

“Metamorfoses da questão social foi explicitamente nomeada como tal, pela primeira vez, nos anos de 1830. Foi então suscitada pela tomada de consciência das condições de existência das populações que são ao mesmo tempo, os agentes e as vítimas da Revolução Industrial. É a questão do pauperismo. Momento essencial aquele em que pareceu ser quase total o divórcio entre uma ordem jurídica-política, fundada sobre o reconhecimento dos direitos dos cidadãos, e uma ordem econômica que acarreta miséria e desmoralização de massa. Difunde-se então a convicção de que aí há de fato “uma ameaça a ordem política e moral”, e ou, mais energicamente ainda: É preciso encontrar um remédio eficaz para a chaga do pauperismo ou preparar-se para a desordem do mundo”. (Autor: E. Buret, De la misere dês classes laborieuses em France et en Angleterre, Paris, 1840, t.I., p.98). Citação por Robert Castel – Editora Vozes Ltda – 10 Edição – 2012).

Aquilo que dificilmente se compreende, que é um verdadeiro mistério é a promoção e a aceitação de um multiplicador da riqueza, que instala a miséria em seu centro de difusão. Propostas de mudanças se fossem estudadas e debatidas renovariam toda a paisagem social. Como imaginar a saúde emocional de um homem que há muito tempo está desempregado, recolhido e acolhido na própria família? Como imaginar um jovem sem condições de estudar, com sua auto-estima abalada, cujo trabalho principal é procurar emprego sem jamais consegui-lo?

Não podemos deixar de pensar profundamente nas reestruturações econômicas e sociais atuais. A população dos excluídos e totalmente abandonados, onde a corrente das trocas produtivas foram desviada deles precisam ser exaustivamente estudadas. Estou habituada a ouvir falar no fantástico investimento humano com o quase pleno emprego com os progressos de integração e com as devidas proteções sociais. Afirmações totalmente falsas. Surgiu modernamente uma nova sigla, “a existência de inúteis para o mundo” porque não acompanharam a atualização das competências econômicas e sociais. Quanta desumanidade!... Quanta indiferença!... O mundo não é só de alguns, mas é de todos nós.

“Ninguém esperava. Num mundo turvado por aflição econômica, cinismo político, vazio cultural e desesperança pessoal, aquilo apenas aconteceu. Subitamente, ditaduras podiam ser derrubadas pelas mãos desarmadas do povo, mesmo que essas mãos estivessem ensangüentadas pelo sacrifício dos que tombaram. Os mágicos das finanças passaram de objetos de inveja pública a alvos  do desprezo universal. Políticos viram-se expostos  como corruptos e mentirosos. Governos foram denunciados. A mídia se tornou suspeita. A confiança desvaneceu-se. E a confiança é o que aglutina a sociedade, o mercado, e as instituições. Sem confiança, nada funciona. Sem confiança, o contrato social se dissolve, e as pessoas  desaparecem, ao se transformarem em indivíduos defensivos lutando pela sobrevivência. Entretanto, nas bordas de um mundo que havia chegado ao limite de sua capacidade de propiciar aos seres humanos a faculdade de viver juntos e compartilhar sua vida com a natureza, mais uma vez os indivíduos realmente se uniram para encontrar  novas formas de sermos nós, o povo”. (Autor: Manuel Castells – Livro: Redes de Indignação e Esperança – Movimentos Sociais na Era da Internet ).

A esperança triunfou no Brasil e no mundo. Foram gigantescos os impactos sociais, culturais, econômicos e políticos da tecnologia digital. Agora todo o mundo se apossa de análises do tempo presente, o que legítima a dinâmica  no tempo e na hora graças as ferramentas de Comunicação Digital. Com certeza a elevação ética triunfará, elaborando em análise qualitativa todas as mídias e as relações de comunicação, em cenários onde crenças e reações estarão num mesmo nível, e certamente triunfarão as mediações refinadas.


Reflexões sobre novos modos de engajamento político e social já acontecem. De forma pacífica e horizontal e sem nenhum investimento financeiro, crianças, jovens, adultos e idosos se mobilizam em quase todas as cidades. Transformou-se o medo em esperança de mudar o descontentamento geral dos cidadãos. Viva a primavera da juventude brasileira. Desejamos profundamente que estes jovens alcancem o poder, e que se tornem políticos, advogados, empresários, servidores públicos, professores. É admirável partir dos jovens esta virada social tão almejada por todos nós. Desejamos êxitos... vidas melhores para todos.      

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