segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O NOVO PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO


REGINA DINIZ

Os oligarcas estão errados, porque a comunidade política não envolve apenas a proteção da propriedade ou promoção da prosperidade econômica. Se fosse o caso, quem tivesse propriedades teria direito à maior parte da autoridade da política. Por sua vez, os democratas estão errados porque a comunidade política não serve apenas para dar à maioria o direito de decidir. Por democratas, Aristóteles compreende o que denominamos majoritários. Ele repudia a noção de que o propósito da política seja satisfazer as preferências da maioria. A maior finalidade da associação política é cultivar a virtude dos cidadãos. O objetivo do Estado não é proporcionar uma aliança para a defesa mútua (...) ou facilitar o intercâmbio econômico e promover as relações econômicas. Para Aristóteles a política tem um significado mais elevado. É aprender a viver uma vida boa.

O objetivo primordial da política é oferecer condições para que os indivíduos aperfeiçoem as suas capacidades e virtudes, para debaterem sobre o bem comum, elaborando um julgamento prático, participando ativamente das descobertas do grupo, zelando continuamente pelo presente e pelo futuro de toda a comunidade. As organizações como a OTAM, o NAFTA e o OMC só se dedicam à segurança e ao intercâmbio econômico. Não oferecem uma proposta social que valorize e aperfeiçoe o caráter dos indivíduos.

Em pleno século XXI não se justifica que um grupo, uma cidade, um estado, um país só se dedique com a segurança e com o comércio, negligenciando totalmente a moral e a educação cívica de seus cidadãos. Defendemos a importância do retorno da formação ética das novas gerações, situando-a no contexto das diversas influências que a sociedade exerce sobre o desenvolvimento das crianças, dos adolescentes, e dos jovens e do povo em geral. Após estas propostas de cunho geral, são feitas considerações de ordem psicológica, procurando apontar o papel da afetividade e da racionalidade no desenvolvimento moral dos adultos e jovens no processo de socialização.

O ser humano vive em sociedade com outros indivíduos e, portanto, cabe-lhe pensar e responder a seguinte pergunta: - Como devo interagir perante os outros? Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Esta é a questão central da Moral e da Ética, que pode também significar Filosofia da Moral, formalizando um pensamento reflexivo sobre os valores e as normas que regem as condutas humanas. A Moralidade deve ser discutida no contexto histórico e social. Atualmente um currículo escolar sobre ética pede uma reflexão sobre a sociedade contemporânea na qual está inserida a escola; no caso o Brasil do século XXI.

Só realizamos a nossa natureza de ser, quando usamos nossa faculdade de linguagem, para nos comunicar sobre o certo e o errado, sobre o bem e o mal, sobre a justiça e a injustiça. Somos seres sociais e obrigatoriamente precisamos analisar o conceito de virtude. Aristóteles em seu livro “Ética a Nicômaco” apresenta um estudo sobre filosofia moral, debatendo a ligação entre virtude e cidadania, para que possamos aprender jeitos de ser nobres e sofrer   com as decisões erradas. A felicidade é uma maneira de ser e agir eticamente.

A virtude moral é algo que aprendemos com muito estudo e praticando-a, privilegiando os hábitos e decisões corretas. Os legisladores tornam os cidadãos bons ao incutir-lhes bons hábitos, e é isso que todo legislador deseja; A educação moral propõe a formação de hábitos e a construção do caráter. O bom comportamento encoraja os sentimentos virtuosos. A discussão sobre os valores morais se mantém em posição de destaque, visto que a sua compreensão é deveras importante para o bom funcionamento da sociedade como um todo.

Os valores morais são muito importantes na sociedade. Eles são os responsáveis pela manutenção da ordem entre as pessoas, sendo ensinados desde o berço. É fácil imaginar em que situação o mundo se encontraria atualmente, caso o homem ignorasse as leis formuladas a partir dos conceitos de ética e moralidade.

Atualmente, muitos indivíduos, acreditam que alguns valores de extrema importância estejam sendo esquecidos, assim como os morais. Não há dúvidas, a sociedade encontra-se em dificuldades. Sem a reflexão social contínua destes valores morais o comportamento humano passa a ficar retrógrado, especialmente o modo como as pessoas passam a viver, a agir e a se comportar com seus semelhantes dentro da sociedade. Valores Morais são praticamente regras de convívio entre um conjunto de pessoas, e sem o cumprimento delas fica comprometido o bem estar de convivência, e assim os Valores Morais são de suma importância para a sociedade.

Por milênios e milênios, a Ética Moral permitiu uma interiorização das normas que organizavam, ao mesmo tempo, a relação consigo mesmo e com o outro, sob o selo da relação com todos os outros – a sociedade.  A fronteira entre o cumprimento das responsabilidades funcionais e a resistência ética deve tornar-se um objetivo central do ensino nas escolas. Diante das situações históricas, os jovens sempre se perguntaram: - O que eu faria numa situação semelhante? É preciso que o veredito da justiça, e sua discussão, no âmbito escolar, e no âmbito universitário, esclareçam seu juízo, de modo que saibam, quando necessário, o que deveriam fazer. As escolas, e as universidades continuam sendo, pelos seus debates, o lugar por excelência na transmissão dos Valores Morais em nossas sociedades.

A sociedade perplexa assiste a ausência das considerações éticas, a escola demora para reconhecer a importância da preocupação ética. Diante de uma crise da educação moral, não consegue não consegue efetuar reflexões, que abertamente fazem parte do cotidiano dos alunos, pais e professores. É urgente a proposta da Renovação Ética mediante três grandes dimensões: a relação consigo, a relação com o outro, a relação com a sociedade.

Na comunicação com o outro apresenta-se uma dificuldade em compreender o retorno das indagações éticas. A relação com o outro indica o projeto de uma boa vida. A nova exigência ética articula-se mais em torno da comunicação e, sobretudo do desejo da comunicação horizontal com o outro. A preocupação ética da relação com o outro, alicerçada sobre a comunicação atribui às relações uma nova importância.


Atualmente a relação pedagógica correta tem uma profunda natureza igualitária e supõe um respeito mútuo e um equilíbrio dos sentimentos. A maioria dos alunos não contesta os alicerces da autoridade, mas pede um tratamento recíproco, exigência incontornável, anterior do universo de comunicação em que estão imersos. Para os docentes uma boa comunicação com os alunos costuma ser um motivo de aprendizado.

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