sexta-feira, 3 de abril de 2015

O ENTRELAÇAMENTO DA UNIÃO ENTRE POVOS

REGINA  DINIZ

A palavra globalização, que nos últimos anos foi inflacionariamente empregada (na França prefere-se falar em mondialisation (mundialização).  Com esse conceito, muitos pensam em primeira linha na progressiva transformação da economia mundial, devido ao fato de que os mercados nacionais e regionais estão se coligando gradualmente para formar uma rede de mercados, em função da qual as fronteiras nacionais se tornam uma quantité négligeable . Não apenas o capital, mais também lugares de produção, centros de distribuição, e mesmo sedes de empresas são deslocados além das fronteiras nacionais, enquanto os mercados financeiros regionais se fundem, passo a passo, num só (Autor: Thomas Kesselring  - Livro: Ética, Política e Desenvolvimento).

Entende-se por globalização o entrelaçamento da união entre povos e nações do mundo, despertado pela enorme baixa de custos do transporte e da comunicação e o afastamento de barreiras artificiais para garantir o fluxo desimpedido de bens, serviços, capital, conhecimento e pessoas através de fronteiras estatais. O conceito de globalização  ainda tem outras dimensões. Temos a globalização
da Coca-Cola, da pizza, da música pop.  

A difusão das conquistas culturais além do local de sua origem é um fenômeno, cujos  vestígios arqueológicos podem ser seguidos até o período cinzento da Pré-História. Invenções exitosas espalhavam-se
cruzando pelos continentes. Sem tal esforço, as sociedades deste planeta se teriam desenvolvido com menos rapidez. Quanto mais desenvolvidas as conquistas civilizatórias de uma sociedade e quanto mais diversificado o Knouv-how tecnológico. Tanto melhores foram suas chances de subsistir no confronto com outras sociedades.

Ao longo de milênios os ricos se tornaram mais ricos, e os pobres mais pobres. As desigualdades no mundo, durante quase dois séculos aumentaram constantemente. Uma análise de tendências de longo prazo na distribuição global da renda (entre nações) mostra que a distância entre a nação mais rica e a mais pobre no ano de 1820 era de 3 para 1, em 1913 de 11 para 1, entre 1913 de 11 para 1, em 1950 de 35 para 1, em 1973 de 44 para 1, e em 1992 de 72 para 1.

“Nos últimos anos venho observando os problemas mundiais, tenho pensado sobre isso e encontrado pessoas de diversas áreas e diferentes países. Fundamentalmente todas são iguais. Sou originário do Oriente:^a maior parte de vocês é ocidental. Se eu analisar de modo superficial, acharei que somos diferentes, e se aprofundar esse nível, ficaremos mais distantes ainda. Por outro lado, se eu os encarar como sendo da minha espécie, seres humanos como eu, que possuem um nariz, dois olhos, e assim por diante, naturalmente a distância desaparecerá. Eu desejo a felicidade; vocês também a querem. A partir desse reconhecimento mútuo é possível construir a verdadeira confiança e o respeito recíproco. Daí podem surgir a cooperação e a harmonia, com as quais viabiliza-se a solução de muitos problemas. ( Autor: - Dalai Lama – Livro: Bondade, Amor, e Compaixão - Ed. Pensamento – São Paulo).

Contribuir e servir tanto quanto pudermos, será causa de grande alegria. É com base em tal atitude, que a verdadeira compaixão e o amor às pessoas podem ser desenvolvidos. Adquirimos maior experiência nos períodos mais difíceis da vida. Podemos aprender, desenvolver força interior, determinação e coragem para enfrentar momentos críticos. É necessária uma boa motivação: um bom começo é compreender, que os outros são nossos irmãos e irmãs, e também respeitar  os direitos e a dignidade humana.

Nós seres humanos podemos nos ajudar mutuamente, é uma de nossas capacidades excepcionais. Temos de conviver com o sofrimento alheio. Quando não podemos dar auxílio material, temos a possibilidade de dar atenção, de conceder apoio moral e de expressar simpatia, é extremamente  valioso. A verdadeira justiça e a honestidade não são compatíveis com os sentimentos ardilosos. Falamos muito sobre paz, amor, justiça, etc... mas ao sermos atingidos pelo que nos acontece nos desiquilibramos, nos desesperamos, e oprimimos, partimos para uma verdadeira guerra...

Este clima social negativo mostra a realidade de nossos tempos. As pessoas não acreditam no seu crescimento interior, a sua motivação maior é acreditar profundamente que a suprema felicidade depende do dinheiro e do poder. O nosso planeta tornou-se extremamente violento, a sociedade humana perdeu, abdicou do verdadeiro valor do amor, perdeu o sentido da justiça, da compaixão, da honestidade, com certeza enfrentaremos maiores dificuldades e muito mais sofrimento, nas próximas gerações ou num futuro mais adiante.

Nós seres humanos podemos nos ajudar mutuamente, é uma de nossas capacidades excepcionais. Temos de conviver com o sofrimento alheio. Quando não podemos dar auxílio material, temos a possibilidade de dar atenção, de conceder apoio moral e de expressar simpatia e que é extremamente valioso.

Este clima social negativo mostra a realidade de nossos tempos. As pessoas não acreditam no seu crescimento interior, a sua motivação maior é acreditar profundamente que a suprema felicidade depende do dinheiro e do poder. O nosso planeta tornou-se extremamente violento, a sociedade humana perdeu, abdicou do verdadeiro valor do amor, perdeu o sentido da compaixão, da honestidade, com certeza enfrentaremos maiores dificuldades e muito mais sofrimento nas próximas gerações ou num futuro mais adiante.

Podemos dizer que tanto a moral e a ética religiosas tentam responder duas grandes questões, que desde o início preocuparam o Homem: o desejo de felicidade (para Aristóteles a felicidade é a finalidade da natureza humana) e o acesso aos bens e a sua repartição (levar uma vida digna). Na ética religiosa, os deveres, os
 mandamentos, são absolutos  e ditados por Deus. A felicidade  alcança-se pela conformidade do Homem com esses deveres. O amor a Deus. A felicidade alcança-se pela conformidade do Homem com esses deveres. O amor a Deus  é primordial em relação ao amor aos homens. Neste caso é fundamental o reconhecimento do outro.

Para Aristóteles  o mais importante é apontar os traços de caráter, que são virtudes e o que é importante, é a definição que considera virtuosos: honestidade, lealdade, coragem, generosidade, temperança, autodomínio, sensatez, justiça, equidade, bondade e perseverança (no bem). Analisando profundamente  a coragem só é uma virtude, se além disso, respeitar o outro na sua humanidade. Respeitar é respeitar-se. Ser boa pessoa, ser virtuoso pressupõe sempre o outro. Há alguma virtude entre as virtudes que possa ser considerada a virtude das virtudes. Aristóteles responde:  -Há. A sabedoria. O que é a sabedoria? - O conhecimento de si. “O conhece-te a ti mesmo” de Sócrates. É um conhecimento de si que só se alcança através da contemplação do outro, do olhar do outro, do respeito do outro. Só esta sabedoria  - a verdadeira sabedoria traz a felicidade.

Enquanto a sociedade assiste a uma ruptura entre considerações  éticas  e princípios estritamente  morais, a escola demora para reco-
nhecer  a importância  da preocupação ética. Convivemos com uma crise da educação moral, que não consegue reconhecer como autênticas as reflexões que, fazem parte do cotidiano de alunos e docentes. É necessário debater a renovação ética na escola sobre três aspectos: a relação, consigo, a relação com o outro, e a relação com a sociedade. Além de suas funções de transmissão de conhecimentos e de seleção social, a escola na modernidade, tem sido frequentemente associada a um duplo processo. Por um lado, deveria permitir a integração dos indivíduos em sua sociedade, garantindo a continuidade da vida social. Norteia-se por uma figura ideal de indivíduo, o qual todos aderem de uma maneira ou de outra.


Por moral entendemos uma herança normativa, baseada no caráter obrigatório da norma, julgada universal e imposta do exterior. Por ética entendemos uma herança normativa antes teleológica, organizada em torno do objetivo de uma “boa vida”. A comunicação com o outro trata-se menos de uma crise global do que uma dificuldade da escola em compreender o retorno das indagações éticas. 

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