sábado, 15 de agosto de 2009

A MENSAGEM DO MAR E DO ROCHEDO

Regina Diniz

São muitas as vertentes evolutivas…
Há milhões de opções de luz...
Lembro-me de Deus...
Elevo as emoções e sigo adiante...

Consegui chegar no alto do penhasco,
na praia da Armação em Florianópolis.
É admiravelmente bonita ...
Avista-se o mar de todos os lados.
O meu olhar perde-se
na amplidão azul prateada do horizonte.
Só Deus generoso e bom
para criar, sustentar e vivificar
esta rede exuberante de vida.
Gosto de conversar com a natureza,
fortalece a qualidade do meu pensamento,
revigora a minha personalidade.
Aprendi a apreciar-lhe a beleza
em todas as suas mutações.
- Alegro-me em contemplar-te, ganho coragem, vou além ...
- Estou observando-te, és o eterno retorno do vir a ser ...
- Nos mínimos detalhes, és o colírio nos olhos espirituais,
para ver se descubro alguma coisa significativa
da tua misteriosa força de conscientizar-me do verdadeiro,
para aumentar a minha corrente de vida.

Percebo o teu poder,
sinto a tua energia ...
Também quero aprender a ser
a minha própria fonte ...

Imagino a onipotência de Deus,
que me responde, em charme, inteligência e equilíbrio,
através do esplendor da natureza.
Caminho na beira do penhasco.
O vento beija suavemente os meus pés,
sinto-me acarinhada, percebo o que é essencial ...
Nutrida afetivamente acendo uma vela de alegria.
O meu peito abranda-se, redescubro raízes interiores
no encantamento da perfeição das formas ...
no encantamento da leveza dos movimentos do mar ...
No magno encantamento do conjunto,
sol, mar, montanhas, gaivotas, garças,
águas azuis cintilantes balançam ...
O mar defende a liberdade,
o mar é misteriosamente lutador,
o mar é eterno,
detalhes que provam a existência de forças maiores.
Estou tentando dialogar com Deus na natureza.
O prazer de estar junto é o cerne do afeto.
Coloco-me em sintonia com forças divinas.
Aqui a explosão de vida não têm limites,
são impactantes os rituais de purificação ...
Espalha-se uma chuva de orvalho perfumado,
sou tocada por uma sensação de frescor inexprimível ...
A energia espiritual me dá forças criativas,
realizo valores humanos mais amplos ...

Eu sou o meu barco ...
Eu dirijo o leme,
a vontade é minha,
nasce do íntimo do meu ser.

Luto para escapar do materialismo.
O meu coração espiritual privilegia a pureza da fé ...
Tornarei este diálogo um hábito ...
Voarei alto em busca da verdade ...
Eu falo e a natureza me responde,
ela abre a janela da minha alma.
O som do mar transforma-se numa sinfonia ...
Limpo o corpo e o espírito.
Ao chegar no topo do penhasco
uma Santa dentro de uma gruta me saúda,
a grande Iemanjá, “A Deusa dos Mares”.
Com o seu belo manto azul,
espargindo bênçãos, atraindo o bem ...
Emociona as almas de todas as fés ...
Aqui pulsa a devoção como modo de vida.
O mar é generoso em emoções de validez psicológica.
As montanhas me jogam para profunda introspecção,
silenciosas, misteriosas e poderosas ...
Sustentam este oásis de energias motivadoras ...
Elas protegem esta explosão de vida ...
Aqui, neste lugar sagrado,
tanto o mar, como o rochedo, como as montanhas,
comprovam que a auto-estima deve ser exercitada,
segundo a segundo, eternamente.
O mar agora se inflamou,
suas ondas volumosas arremessam-se violentamente
contra o rochedo, clamam por afeto.
O rochedo é tranqüilo, por isso ficou forte,
apara as investidas das ondas sem magoá-las,
não move uma pedra sequer,
mostra força e segurança ...
As ondas lutam por união com o rochedo.
O clima é extremamente tenso ...
Acontecem sucessivamente estrondos e estrondos ...
As ondas quebram-se em mil pedaços ...

Resgato
centelhas de independência ...
Resgato
a responsabilidade por mim mesma ...


O marulhar das ondas é esbravejante, é estrondeante ...
E tornaram-se tão altas e volumosas
que conseguiram envolver o rochedo.
Agora lânguidas e voluptuosas na luta por união afetiva
comovem totalmente o rochedo,
que deixa-se acarinhar pelas águas azuis do mar.
Fico a meditar profundamente
sobre o empenho que a natureza faz para demonstrar
quadros de luta, de força e de júbilo,
parece que quer dizer:
- A afetividade é um sentimento que deve ser imitado ...


Surpreendida pela beleza do mar,
que fortalece a minha alma,
sedenta do esforço pelo esforço,
na compreensão da imortalidade ...


De repente as ondas e o rochedo
estão novamente numa verdadeira guerra,
celebram energias candentes ...
Nem as ondas nem o rochedo cansam.
Provam que para serem fortes,
provam que para encantar-se e encantarem,
devem praticar um amor ativo,
um amor de investimento tanto material como espiritual.
Agora, veio uma marola tão alta
que, ao encontrar-se com o rochedo,
o entrondo foi tão forte
que pareceu a explosão de uma bomba.
As ondas obtiveram um grau mais elevado de amor.
O rochedo aceitou incondicionalmente
as carícias envolventes das águas ...
Indiscutivelmente o afeto cura.
É difícil de entender as energias poderosas,
que demonstram o investimento por união e cooperação.
Receio não saber o que fazer com tanta energia.
A natureza se constrói maravilhosamente.
Aqui, ondas e rochedo exploram-se, interpenetram-se,
numa ação repleta de nutrientes de dinamicidade
espetacularmente harmônicos ...
A mãe natureza
ensina-me com intimidade ...
A mãe terra
renova o meu destino ...

Decifrar enigmas é um vôo cognitivo de valor.
Procuro a essência da vida nestes lugares místicos.
Agora as ondas acalmaram-se ...
O mar parece um grande lago,
está havendo uma trégua,
a euforia do encontro foi tão grande
que fizeram um pacto ...
Combinaram um repouso para ambos.
Belas gaivotas brancas apreciam embevecidas o mar ...
Uma rica divindade da cura e do equilíbrio.
Elas admiram as atitudes, as decisões, as opções
que são usadas para armar este quadro
repleto de energias sutis, é um convite ao espiritual ...
Mas nem todas as pessoas percebem,
e quando percebem as vezes ficam confusas,
sem saber o que pensar ...
Deslumbrada , dou tempo para ter intimidade comigo mesma.
Quero perceber os mínimos detalhes,
quero guardar dentro do meu coração,
quero gravar bem na minha memória emocional
este lindo lugar onde a vida triunfa.

Levei-me a este santuário,
a minha experiência espiritual aconteceu ...
Eu estou aqui ...
Sou responsável pelas minhas emoções ...

Aqui aprendo a construir a auto-estima elevada,
espelho-me nas ondas e no rochedo,
e proporciono-me atmosferas magnéticas positivas,
só positivas,
porque a pedagogia das emoções negativas
eu quero tirar de dentro do meu coração.
Se não conseguir, fecharei na última gaveta
do último corredor das minhas emoções ...
Colecionarei memórias ricas de vida.
As gaivotas voam acima das ondas e dos rochedos,
vieram aprender a energizarem-se e ficaram.
Eu também estou fazendo isso.
Faço parte da cura do mundo.
Três gaivotas brancas pousam bem perto de mim,
Tudo aqui fala por si só.
Vi com clareza que o mar, as gaivotas, as garças,
as ondas e o rochedo vivem em sua plenitude.
Reconhecem a responsabilidade pelos seus desempenhos.
Ninguém precisa dizer-lhes como administrarem-se,
aceitaram a liberdade e a liberação com naturalidade.
Cada um decide por conta própria
a competência no acerto resplandece em todos.
Não aparece conflitos e nem contradições.
A harmonia é mantida com perfeição.
A convivência das garças com as gaivotas é pacífica.
Aqui ninguém têm raiva de si ...
Aqui ninguém têm raiva dos outros.
Movimentam-se inteligentemente na sobrevivência ...
Entro neste embalo e desperto a capacidade de imaginação.
Preciso encaminhar-me para a ampliação da originalidade
por decisões e escolhas próprias.
Tenho muito medo de colocar o meu destino
nas mãos de outras pessoas,
jamais apostaria a minha vida num jogo de dados.

Sopram ventos de individualidade.
Jorram potenciais ...
A auto-exploração é obrigatória ...
A realização transformadora exige.

Não acredito na força do acaso.
A percepção acurada da realidade ganha vida.
Preciso compreender a interação sadia,
Pratico com afinco a fertilidade de abordagens.
Ouço o meu inconsciente ...
Hoje estou despertando impulsos
que estão adormecidos e precisam de expressão.
Investigo-me, estimulo o espírito de indagação ...
Demoro-me em fases exploratórias.
Hoje descobri uma verdade candente,
A maior tarefa da vida é descobrir a verdade do ser-em-si.
São tempos de conflitos acorrentados,
é preciso liberá-los ...

É o caminho próprio.
É a luz espiritual em diferentes forças.
A experiência é pessoal.
É a desbravação do mundo interior ...

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