Regina Diniz
O homem benevolente é atraído pela benevolência, porque ele se sente confortável com ela. O homem sábio é atraído pela benevolência, porque percebe que ela lhe é favorável. Aplico o meu coração no caminho da benevolência para apoio, baseio-me na virtude e encontro entretenimento nas artes. Nunca vi nenhum homem morrer ao cultivar a benevolência. (Confúcio – 551 – 479 A.C.)
Os valores (apreciação íntima) são descobertos por nós dentro de nós próprios. Não existem regras. É possível através de uma profunda auto-interpretação vê-los de uma forma geral: Quais são os nossos talentos, nossas capacidades, nossas necessidades que fazem pressão para surgirem? É indispensável disciplina, trabalho árduo, muita dedicação. A busca da identidade é principalmente a busca dos valores intrínsecos e autênticos da própria pessoa.
Quando as pessoas se sentem fortes emocionalmente, se realmente for possível uma livre escolha, tendem espontaneamente para escolher o verdadeiro e não o falso, o bem e não o mal, a beleza e não a fealdade, a integração e não a dissociação, a alegria e não a tristeza, a vivacidade e não a apatia, a singularidade e não o estereótipo, e assim por diante, para o que já descrevi como valores superiores sadios. ( Abraham H. Maslow – Livro: Introdução a Psicologia do Ser)
A liberdade de escolha é fundamental. “–Sê verdadeiro para ti mesmo”.(Shakespeare). A natureza superior do homem exige um bom meio ambiente emocional, harmonia, equilíbrio, valores tradicionais de família, amor ao conhecimento, amor a transcendência cultural, porque as capacidades clamam para serem usadas e só se calam quando são bem usadas.
O apoio fundamental, na vida, é o da auto-estima. A abertura, a honestidade e a decisão de aliar-se, incondicionalmente, a si mesmo, é investir na luta para gerar energia emocional saudável e com este jeito de ser, vincular-se aos outros. A auto-estima elevada é a elaboração da racionalidade, honestidade e integridade, é um complexo de meios que se combinam, fluindo um conforto emocional que é repassado para outras pessoas.
A auto-estima reflete a nossa segurança e é o nosso tesouro interior. Respeitamo-nos, quando aceitamos nos levantar depois de um tombo e temos consciência de que é vital a nutrição desta fonte inesgotável, que nos dá mais força para os pequenos e grandes recomeços. Gostar de relacionamentos positivos é sinal de boa auto-estima.
Quando o diálogo interior é positivo, descobrimos que nos tornamos numa pessoa mais humana. A boa auto-estima é um dos degraus mais importantes para nos aproximar da tão almejada felicidade. A conversa amiga, de nós para nós mesmos, coopera para surgirem decisões mais acertadas.
Acreditar em seus objetivos existenciais, admitir o valor do próprio esforço é importante na potencialização da auto-estima. É indispensável não ligarmos para discriminações econômicas, sociais etc... porque a elevada auto-estima também é um presente dos céus. A escolha responsável é a alma da fortaleza emocional. É importantíssimo batermos palmas para nossa própria coragem na marcha para adiante.
Os americanos estão acostumados a ver a sociedade de consumo de perto o bastante, para conhecer seus encantos, mas não se aproximam o suficiente para usufruí-la, e estarão mortos antes de terem provado, plenamente, os seus prazeres. Esta é a razão da estranha melancolia que freqüentemente assombra os habitantes das democracias em meio à abundância, e daquele desgosto pela vida, que por vezes toma conta deles em condições de calma e tranqüilidade.(Aléxis de Torqueville – livro”Democracy in América – l988 – Vol.-2 pag.538) – Citado por Zigmunt Bauman – livro”Medo Líquido”- 2006).
Vê-se, claramente, nas culturas consumistas, que a sua maior bandeira é o “estar na frente” seja de que jeito for. A vida pessoal tornou-se estressante como o próprio mercado. Cansaço, desmotivação, neuroticidade, psicopatias, inadimplência fazem com que saturemos nossas mentes, só de metas negativas, que resultam em pesada depressão. São grandes as quantidades de calmantes e antidepressivos consumidos, fato nunca observado em séculos anteriores.
As demandas por reconhecimento inundam os nossos tempos. “Todo mundo busca ansiosamente a aprovação, a admiração ou o amor nos olhos dos outros. E observamos que as bases para a auto-estima fornecidas pela aprovação e admiração de são notoriamente frágeis. O impulso e compulsão de observar, atentamente, na verdade nunca cessam. O calor da vigilância pode muito bem transformar a aprovação e aclamação de ontem na condenação e no ridículo de amanhã. Agora, tal como antes, privação significa infelicidade. As dificuldades materiais, que ela pode provocar, se somam a degradação e a humilhação, de se ver na extremidade receptora da privação, um pesado golpe na auto-estima e uma ameaça ao reconhecimento pessoal. ( Jean- Claude Kaufamam – livro: L’invention de Soi, Paris – l972 pg.14 – (citação feita no livro de Zigmunt Bauman – “A arte da Vida”).
Como escapar a essa guerra de todos contra todos, se a virtude não passa de uma máscara da auto-estima, se não se confia em ninguém e só se pode contar consigo mesmo? Todos sabemos que vivemos: - no absurdo da violência. –no absurdo da maldade. –no absurdo da autodestruição. É inadiável redescobrirmos a compreensão,
a alegria, a responsabilidade e a paz em nosso imaginário. Qual é a fonte dos pensamentos de alta qualidade que nos libertem desta depressão? A imaginação é nossa ou as propostas são impostas para nos escravizar? Quantas lições, quantos ensinamentos poderemos obter, para nos libertarmos destes fantasmas destruidores da nossa alma. É inadiável explorarmos as dimensões interiores de nossa evolução cultural e espiritual. É valioso descobrirmos pistas para construirmos uma vida socialmente sadia, que se criará e se organizará dentro de nós para nós mesmos, que se impõe diante desta prova coletiva. Vibrando Deus, tudo muda, a sua luz ilumina tudo.
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