sexta-feira, 18 de setembro de 2009

ESTILOS COMPORTAMENTAIS CONSTRUTIVOS

Regina Diniz

Em nosso mundo atual, onde a conformidade é a grande destruidora de personalidades – em nossa cultura, onde adaptar-se aos padrões tende a ser aceito como norma, e “ser estimado” representa a salvação - precisamos realçar não somente o fato de até certo ponto, sermos criados uns pelos outros, mas também nossa capacidade para sentirmos e criarmos a nós mesmos.
(Rollo May – Livro: “O homem à procura de si mesmo”- Editora Vozes – 2005)

A consciência é um ato estritamente pessoal. Não descobrimos como as outras pessoas vêem a si mesmo e elas jamais descobrirão a intimidade de nossa interioridade. Esta catedral secreta, cuja chave só a própria pessoa tem, dobra a dimensão da proposta de qualidade das emoções. Somos protegidos por Deus, por esta santa privacidade e devemos ser agradecidos por nossa preciosa destinação de evolução intelectual, emocional e espiritual, nada nos é exigido além de nossa própria competência.

Eu respiro fundo em situações tragicamente difíceis, instantaneamente, agarro a bandeira da equanimidade e penso profundamente na igualdade de ânimo na desgraça e na prosperidade. Seguidamente, agarro a bandeira da eqüidade e medito profundamente sobre a disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um. Todos, indistintamente, buscam desenvolver em si a autoconfiança e o auto-respeito. Há muito tempo, eu me desafio a confiar na minha mente, a cultuar o comportamento saudável e a respeitar-me como pessoa. Converso com Deus, o que me consola muito e me ligo a minha essência espiritual.

Em nosso planeta, a diversidade dos jeitos de ser é imensa. É um verdadeiro caldeirão de estilos comportamentais. Todas as pessoas desejam descobrir os seus talentos. Deus nos deu a chave de nosso tesouro de ser, mas ficamos assombrados pela solidão profunda em que vivemos. Particularmente, eu acho que existe um espaço vazio, que deve ser preenchido pelo conselho de Jesus, “- Ama o teu próximo como a ti
mesmo”. Aprendi com muita dificuldade, que o meu sofrimento se suaviza, quando ofereço conforto espiritual para a pessoa que sofre.

Maslow no seu estudo das pessoas a quem chama auto-realizadas nota as seguintes características:” A sua facilidade de penetração na realidade, a auto-aceitação e a sua espontaneidade implicam uma consciência superior dos seus próprios impulsos, de seus próprios desejos, opiniões e reações subjetivas em geral. Ela começa gradualmente a optar por objetivos que pretende atingir. Separa comportamentos que significam alguma coisa para si e os que não significam nada. ( Abraham H. Maslow –livro:Introdução à Psicologia do Ser.”).

Estipular metas e objetivos de crescimento pessoal, subentendem enfrentar a verdade a nosso respeito, compreender o mundo que nos rodeia e aceitar erros de interpretação da vida. Sempre admiti, que o que penso, sinto e faço são expressões do meu ser no momento em que ocorrem. Mas isto não significa que este comportamento é a palavra final de quem sou. A nossa evolução humana nunca para, porque é permanente. A humanidade evolui em compasso de extrema redefinição de valores.

Li muitos textos sobre crescimento pessoal e deduzi que após entendê-los, subitamente eu me renovava. Nada é decisivo, nunca saberei quais as dinâmicas novas que descobrirei. A visão mais profunda de mim mesma, que influenciou, decisivamente as minhas escolhas, foi perceber que de repente explodiu uma terrível inversão de valores. Sentia no ar a pesada identificação com objetos. Desapareceram as estantes de livros nas residências. As instituições educacionais começaram a desvalorizar os profissionais através de achatamentos salariais nunca acontecidos. As bibliotecas escolares foram totalmente abandonadas. E a poluição mortífera da degradação de valores aconteceu. O único jeito que achei para me salvar,
foi não acreditar nas propostas da cultura materialista.

Desde criança fui conscientizada de que a auto-aversão, a desvalorização e o desprezo voltado para si mesmo, era secular e que deveriam ser enfrentados com seriedade porque destruíam as pessoas. Aprendi a achar dentro do meu coração um lugar (- com dificuldades financeiras – em contextos extremamente adversos) onde eu gostava do jeito que eu me conduzia e me aplaudia. Com exaustiva busca de compreensão aprendi a ver nas pessoas as suas qualidades pessoais, e a trocar as minhas depreciações por competências construtivas.

Tendo assolado o mundo dos humanos, o medo se torna capaz de se impulsionar e se intensificar por si mesmo. Nas palavras de David L. Altheide, não é o medo do perigo, que é o mais crucial, mas sim aquilo no qual esse medo pode se transformar, o que pode se tornar... A vida social muda, quando as pessoas vivem atrás de muros, contratam guardas, dirigem veículos blindados, andam com porretes e revólveres e têm aulas de artes marciais. O problema é que essas atividades reafirmam e ajudam a produzir um senso de desordem que é perpetuado por nossas ações.
(David L. Altheide, “Mas media, crime, and the discourse of fear 2003 p. 9-25) Citação feita por Zigmunt Bauman – Livro: Medo Líquido 2006)

A presença do medo não é exatamente um fato novo. O medo tem acompanhado os seres humanos por milênios, e sempre faltou segurança para as pessoas pobres. Atualmente é assustador a falta de recursos para as pessoas vitimadas pela pobreza extrema. Neste momento, em todo o mundo, o medo está presente em nossos motivos e propósitos, e satura os nossos pensamentos e as nossas rotinas diárias. Os grandes centros urbanos tornaram-se violentíssimos, mortes, assaltos, tráfico de drogas, acontece todos os dias. É indiscutível o desastre total das propostas da cultura de consumo. Motivar a crença total de que o ser humano é julgado e aceito em virtude de suas posses e não pelo seu caráter, potencial e competência é uma proposta psicótica, totalmente fracassada, mas ela continua mais atuante do que nunca. Por que?

A crença de um imaginário rico em nosso planeta é devastador. Todos os países estão favelizados, mas usam todos os artifícios possíveis para esconderem a sua pobreza. Existe um sentimento de vazio no sentido psicológico, que deve ser preenchido pela busca de um modelo mais humano, mais solidário, mais generoso. As gerações futuras ficarão horrorizadas com a inversão total de valores de nossa época, e mais ainda pela lentidão da mudança desta realidade. É necessário semear constantemente a própria história. Tenho fé na evolução humana, e em qualquer momento poderemos impulsionar valores éticos.

Nossa vida é uma série de desdobramentos. O desafio para sermos perfeitos, em cada momento de nossa existência, é um poderoso detalhe de nossa elevada condição humana. É importante o nosso reconhecimento, de que apesar de terríveis obstáculos existenciais, cada etapa contribui para nossa evolução. Nosso progresso espiritual dura a vida inteira, e avança segundo os detalhes conhecidos pelo nosso eu interior e pela ligação com a sabedoria universal. Nutrir a alma, acreditar em Deus, para torna-se forte, sustentando-se pelas águas da vida, é o melhor caminho.

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