sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A MAGIA DA FELICIDADE

Regina Diniz

Ouço do fundo do meu ser
vibrarem ondas harmoniosas.
São marolas de auto-compreensão,
aprendo a confiar no próprio pensamento ...

Permitiram poderosas forças
que eu recebesse este presente da vida,
de permanecer horas e horas
extasiada pelo mar e pelas montanhas.
Experimento este sentimento misterioso
que me absorve profundamente.
Mergulho então num sonho divino
de ousar interpretar com originalidade
o sentido profundo e oculto da vida.
A inspiração vai chegando ...
Sinto o meu ego fortalecer-se ...
Lucidamente percebo a auto-realização e
que Deus fala com o ser humano
através da natureza, que dá o melhor de si,
que conhece o porquê da vida
em todas as direções, é a ecologia da alma ...

Interrogo-me construtivamente,
penetro nos mais íntimos espaços
do meu ser, buscando elucidações
esforço-me na redentora purificação ...

Por opção estou completamente insulada ...
Quero ler na intimidade da minha alma
o que há em mim escondido em desafios.
Talvez uma excelente potencialidade
adormecida desejando emergir,
explodem auto-exigências ...
Sempre gostei de perseguir interesses individuais,
de sentir-me com veemência.
Rasgo o véu material com facilidade,
então abrem-se perspectivas imensas.
Sempre programo um passeio solitário
para oferecer-me condições de reflexão ...
Sinto imensa paz ...
Aprecio as potentes ramadas das árvores ...
Encorajo-me em colocar no meu coração
a concepção da existência espiritual.
Coleciono forças emocionais para elevar-me
acima das vulgaridades cotidianas ...
Vejo com clareza que a independência
começa com o ato de pensar sozinha,
mas reconheço que estou na arrebentação da onda.
Com certeza há correntes mais profundas
no oceano da evolução da humanidade.

O templo do sonho ressurge.
É o sagrado conhecimento na sobrevivência ...
É uma metáfora o saber da destinação.
Recapturo a essência da vida ...

Visualizo como único caminho viável ...
Entrar na Internet cósmica,
entrar em níveis de consciência avançados.
Fico pensando e pensando ...
Tecendo inimagináveis teias de idéias,
procurando saídas no emaranhado da vida,
desejando tornar tudo mais fácil ,
mas o crescimento humano é de difícil acesso.
Então assumo as rédeas da minha vida ...
Assumo a responsabilidade por mim mesma ...
Só me sinto feliz quando me vejo
buscando a compreensão de atos de valor.
Tenho consciência de que construo
a minha vida a cada momento,
e vou sentindo-me amadurecida
num cotidiano interior bem simples.
Fujo da prepotência e arrogância,
porque elas me fragilizam.
Então a insegurança surge avassaladora,
e vira um caos a minha personalidade.

Beberei as águas cristalinas
nas fontes puras
onde acontece magicamente
a cura da alma ...

Estou na praia do Matadeiro,
contemplando o azul infinito do céu.
O mar está agitadíssimo ...
As marolas altíssimas ...
Arremessam-se contra o rochedo,
e transformam-se em mil pedaços,
elevam-se à muitos metros de altura.
O mar espuma , esbraveja inconformado ...
Talvez seja pela resistência heróica do rochedo ...
É uma guerra:
o rochedo para conter o mar
e as águas para ultrapassá-lo ...
Vejo que seres humanos e todo o universo
lutam tenazmente para sobreviver com espírito de luta.
Emitem mensagens de independência,
e desempenham os seus papéis com responsabilidade ...
Gosto de celebrar o valor da individualidade,
a responsabilidade por si mesmo é indispensável.
A independência é a consciência
de que tenho algo importante a fazer
para mim mesma e para os outros.
A independência é um sentimento de validez,
de alegrar-me por ser útil.
Esta emoção me proporciona bem-estar psicológico ...
Sempre me pergunto com insistência:
- Estás potencializando a tua auto-estima ?
E fico a pensar como poderei aumentar
tudo o que de bom e positivo construí ?
E só eu sei que se não fosse eu pensar assim
talvez eu tivesse me fechado a sete chaves
numa caixa, e estaria hoje olhando o mundo
por uma pequena fresta, apavorada.
Sempre respeitei as adversidades da vida ...
E sempre achei que a felicidade
é uma emoção digna de auto-respeito ...
E é um estado de ser tão almejado
que sempre o procurei com seriedade ...
Dá-me pavor ver pessoas
cultivando idéias negativas ...
Dá-me pavor ver pessoas
cultivando a auto-piedade ...
Dá-me pavor ver pessoas
atropelando outros seres humanos ...
Quero saber de viver com satisfação ...
E só vou conseguir
valendo-me das minhas qualidades positivas.
Quero saber de ganhar força emocional ...
Esta história de brincar de perder sempre ...
Longe da minha vida estes jogos neuróticos,
posso estar bem simples materialmente
mas rica espiritualmente.

Ouço dentro do meu coração
que devo agarrar a felicidade,
que devo dirigi-la,
que devo regulá-la a meu favor ...

O mar é tão glorificado, tão grandioso,
que fico admirada
do triunfalismo que ele emite.
Este estado de ser gratifica-me,
este estado de ser fascina-me.
Um casal de botos passeia pelas águas
num ritmo e harmonia espetaculares,
que elegância, que leveza de ser ...
Eis aí um narcisismo que deu certo.
Os surfistas sentados nas pranchas
olham os botos que passam bem perto deles.
Observo que os trajes esportivos colorem o mar,
alegram ...
São predominantemente de cor vermelha ...
Eles estão aqui praticando
este belíssimo esporte,
e isto é muito bom ...
Gosto muito de perguntar-me
se estou exercitando a auto-confiabilidade ...
Regulo com atenção o leme da minha vida,
embora seja uma pretensão alta.
Gosto de ter o meu destino
mais ou menos nas minhas próprias mãos,
tenho consciência de que eu sou
a minha própria escolha.
Por isso estou aqui nesta linda praia,
fazendo o impossível para contemplar
o mundo sempre com novo frescor ...
Com um novo olhar
Preparo sempre o terreno para sentir-me bem ...
É preciso interesse para planejar,
abrir a disponibilidade para a felicidade chegar.
Um barco com cinco pescadores parte para o mar ...
De repente, mais longe,
parece um barquinho de papel
ao balanço poético das ondas ...

Fervilham estimulantemente
ondas de questionamentos de vida,
ondas de renovados objetivos existenciais,
ondas de significativas redefinições ...

Aqui de cima do penhasco
admiro a majestosa imensidão do mar,
as batidas nas pedras lá embaixo
são muito fortes ...
Dezenas de tarrafeiros pescam tainhas,
duas garças brancas estão perto dos pescadores.
O mar é uma fonte de alimentos,
a sua beleza e abundância encanta-me,
equilibra-me ficar olhando-o ...
Não quero ficar parada ...
Procuro aqui e ali facilitar as minhas descobertas ...
Desejo curar a própria vida ...
Escolho o caminho da coragem da renovação ...
Só assim encontrarei as premissas verdadeiras,
que são milhares e milhares ...
Busco incansavelmente a minha identidade ...

Tento de todas as formas
qualificar o meu presente.
Esta meta complexa
acalma a minha alma inquieta ...

Quero iluminar os meus caminhos de vida,
fui contaminada por idéias incoerentes,
mas procuro reconciliar-me comigo mesma ...
Pouco a pouco desperto da apatia,
trilho um caminho ativo de qualidade,
trilho um caminho sem estresse,
trilho um caminho de mais alegria ...
O que procuro
é a tranqüilidade interior,
que para mim é a felicidade verdadeira.

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