Regina Diniz
Já se tornou um lugar-comum a sensação de viver em um perpétuo presente, como uma característica inerente à contemporaneidade. O assunto foi muito debatido nas duas últimas décadas do século XX, como um dos traços do pós-modernismo: um debate marcado pela descrença na linearidade do progresso, pela crise dos grandes projetos sóciopolíticos modernos e do sentido histórico e inclusive, pelo suposto fim da história graças à consagração de um presente eterno e imutável.( Paula Sibilia – Livro – O Show do Eu - Editora Nova Fronteira S.A. 2008)
Anteriormente, era proposto o passado em direção ao futuro. Com o advento da pós-modernidade, foi bloqueado e congelado o futuro, surgindo o presente com objetivos perpetuantes. Mas contraditoriamente, relatos da história pessoal não desapareceram. Aumentaram as viagens auto-exploratórias, tornaram-se viáveis as escavações no próprio eu. Foi valorizada a história individual, e mais do que nunca nasceu uma subjetividade mais fortalecida, valorizando as conquistas valorativas do passado.
A explosão mundial dos blogs, o sucesso de biografias e autobiografias demonstram um sólido interesse pela vida real, tanto do presente como do passado. Impera o subjetivo, demonstrado abertamente, pela vontade de ser diferente do padronizado. Neste comportamento percebe-se, claramente, nas mensagens publicitárias, que já se tornaram uma arma da sedução consumista.
O que se cria nas praias virtuais são “identidades de férias”. São formas subjetivas com regras mais frouxas e flexíveis, que por isso permitem “descarregar-se um pouco do peso da própria vida, dar-se uma nova oportunidade”. (Lejeuve, Philippe. Cher écran... journal personnel ordinateur, Internet. Paris : Seuil, 2000) citação feita por Paula Sibilia no livro O Show do eu). O admirável nestas biografias e auto-biografias, é a aspiração de criar um eu, escavando nos próprios alicerces interiores do passado, e refinando-os no presente. Em todos estes relatos procuram interpretar o sentido da vida.
Já que os valores dominantes em nossa sociedade reduzem-se, para a maioria das pessoas, a ser estimado, aceito, aprovado, grande parte da ansiedade de nossos tempos advém da ameaça de não ser querido, viver isolado, solitário, abandonado. (Rollo May: O Homem à Procura de Si Mesmo – Editora Vozes – 2005). O passo fundamental para enriquecer a interioridade é exercitar a atitude de vivacidade e decisão. Talvez esta pergunta: - Reconheço a responsabilidade pela qualidade de minha subjetividade? Cada um de nós vem com competência para fazer suas próprias opções fundamentais, para aperfeiçoar-se, fortalecendo-se para compreender a vida.
Todos nós almejamos uma percepção mais profunda do significado de nossa existência e do sentido das nossas possibilidades. Acredito que o maior desafio seja escolher valores construtivos. Auscultar a própria pulsação e fazer-se valer, jamais admitindo jeitos de ser que agrida a si próprio e a outros indivíduos. Realizar-se para desenvolver o uso das potencialidades e trabalhar como um ser humano digno.
É necessário empenho para pensarmos em ideais mais positivos, e projetarmos uma cultura, alicerçada no respeito pessoal. É importante admitir que muitos indivíduos dependem de nós para adquirirem coragem, para serem autênticos e se afirmarem em suas convicções.
O que nos falta, atualmente, é a compreensão da coragem amigável, cordial, pessoal, original de um Sócrates ou Spinosa. ( Rollo May – O Homem a Procura de Si Mesmo – Editora Vozes 2005). O tom ideal de coragem, em nossa época de conformismo, é a habilidade para conservar-se firme nas próprias convicções, naquilo que realmente acredita. A coragem para ser e confiar em si mesmo, significa amar, pensar, criar, apesar de possíveis erros. É imprescindível o relacionamento criativo com a sabedoria do passado.
Novas atitudes requerem novas conscientizações. O mundo está mudando. A escolha das biografias e autobiografias, somente com abordagens da vida real, mostra o gigantesco salto que a humanidade deu. É inacreditável. Através da Internet, constatou-se uma explosão de maturidade emocional e social. As manipulações de massa perderam espaço. A padronização sofreu uma grande derrota.
Ainda não temos projetos grandiosos, mas podemos modificar antigos conceitos. Criar um plano de aproximação amigável com as pessoas, um que possa ser exercido sem subjugá-las. Avistamos a possibilidade de compartilhar mais, ampliando nossos relacionamentos em nível de igualdade. Sejamos corajosos e confiemos no conhecimento que existe em nosso coração.
Cada vez que surge uma nova direção em nossa vida, estamos recebendo uma nova oportunidade de crescer. Às vezes começamos quase sem notar, levados por um sonho, uma leitura ou uma conversa. Em qualquer escolha que façamos, podemos estar sendo desafiados a evoluir.
Quando sentimos necessidade de mudar, devemos reconhecer que teremos à frente trabalho duro, escolhas difíceis e algum sofrimento. Grande parte do nosso trabalho já está em andamento em nosso interior. Bastará uma faxina espiritual, uma absoluta honestidade sobre nossos motivos, e poderemos realizar as mudanças que desejamos. Onde estamos é o lugar em que fomos destinados a estar.
Já se tornou um lugar-comum a sensação de viver em um perpétuo presente, como uma característica inerente à contemporaneidade. O assunto foi muito debatido nas duas últimas décadas do século XX, como um dos traços do pós-modernismo: um debate marcado pela descrença na linearidade do progresso, pela crise dos grandes projetos sóciopolíticos modernos e do sentido histórico e inclusive, pelo suposto fim da história graças à consagração de um presente eterno e imutável.( Paula Sibilia – Livro – O Show do Eu - Editora Nova Fronteira S.A. 2008)
Anteriormente, era proposto o passado em direção ao futuro. Com o advento da pós-modernidade, foi bloqueado e congelado o futuro, surgindo o presente com objetivos perpetuantes. Mas contraditoriamente, relatos da história pessoal não desapareceram. Aumentaram as viagens auto-exploratórias, tornaram-se viáveis as escavações no próprio eu. Foi valorizada a história individual, e mais do que nunca nasceu uma subjetividade mais fortalecida, valorizando as conquistas valorativas do passado.
A explosão mundial dos blogs, o sucesso de biografias e autobiografias demonstram um sólido interesse pela vida real, tanto do presente como do passado. Impera o subjetivo, demonstrado abertamente, pela vontade de ser diferente do padronizado. Neste comportamento percebe-se, claramente, nas mensagens publicitárias, que já se tornaram uma arma da sedução consumista.
O que se cria nas praias virtuais são “identidades de férias”. São formas subjetivas com regras mais frouxas e flexíveis, que por isso permitem “descarregar-se um pouco do peso da própria vida, dar-se uma nova oportunidade”. (Lejeuve, Philippe. Cher écran... journal personnel ordinateur, Internet. Paris : Seuil, 2000) citação feita por Paula Sibilia no livro O Show do eu). O admirável nestas biografias e auto-biografias, é a aspiração de criar um eu, escavando nos próprios alicerces interiores do passado, e refinando-os no presente. Em todos estes relatos procuram interpretar o sentido da vida.
Já que os valores dominantes em nossa sociedade reduzem-se, para a maioria das pessoas, a ser estimado, aceito, aprovado, grande parte da ansiedade de nossos tempos advém da ameaça de não ser querido, viver isolado, solitário, abandonado. (Rollo May: O Homem à Procura de Si Mesmo – Editora Vozes – 2005). O passo fundamental para enriquecer a interioridade é exercitar a atitude de vivacidade e decisão. Talvez esta pergunta: - Reconheço a responsabilidade pela qualidade de minha subjetividade? Cada um de nós vem com competência para fazer suas próprias opções fundamentais, para aperfeiçoar-se, fortalecendo-se para compreender a vida.
Todos nós almejamos uma percepção mais profunda do significado de nossa existência e do sentido das nossas possibilidades. Acredito que o maior desafio seja escolher valores construtivos. Auscultar a própria pulsação e fazer-se valer, jamais admitindo jeitos de ser que agrida a si próprio e a outros indivíduos. Realizar-se para desenvolver o uso das potencialidades e trabalhar como um ser humano digno.
É necessário empenho para pensarmos em ideais mais positivos, e projetarmos uma cultura, alicerçada no respeito pessoal. É importante admitir que muitos indivíduos dependem de nós para adquirirem coragem, para serem autênticos e se afirmarem em suas convicções.
O que nos falta, atualmente, é a compreensão da coragem amigável, cordial, pessoal, original de um Sócrates ou Spinosa. ( Rollo May – O Homem a Procura de Si Mesmo – Editora Vozes 2005). O tom ideal de coragem, em nossa época de conformismo, é a habilidade para conservar-se firme nas próprias convicções, naquilo que realmente acredita. A coragem para ser e confiar em si mesmo, significa amar, pensar, criar, apesar de possíveis erros. É imprescindível o relacionamento criativo com a sabedoria do passado.
Novas atitudes requerem novas conscientizações. O mundo está mudando. A escolha das biografias e autobiografias, somente com abordagens da vida real, mostra o gigantesco salto que a humanidade deu. É inacreditável. Através da Internet, constatou-se uma explosão de maturidade emocional e social. As manipulações de massa perderam espaço. A padronização sofreu uma grande derrota.
Ainda não temos projetos grandiosos, mas podemos modificar antigos conceitos. Criar um plano de aproximação amigável com as pessoas, um que possa ser exercido sem subjugá-las. Avistamos a possibilidade de compartilhar mais, ampliando nossos relacionamentos em nível de igualdade. Sejamos corajosos e confiemos no conhecimento que existe em nosso coração.
Cada vez que surge uma nova direção em nossa vida, estamos recebendo uma nova oportunidade de crescer. Às vezes começamos quase sem notar, levados por um sonho, uma leitura ou uma conversa. Em qualquer escolha que façamos, podemos estar sendo desafiados a evoluir.
Quando sentimos necessidade de mudar, devemos reconhecer que teremos à frente trabalho duro, escolhas difíceis e algum sofrimento. Grande parte do nosso trabalho já está em andamento em nosso interior. Bastará uma faxina espiritual, uma absoluta honestidade sobre nossos motivos, e poderemos realizar as mudanças que desejamos. Onde estamos é o lugar em que fomos destinados a estar.

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