Regina Diniz
Silenciosa e enigmática,
A Igreja de Caravagio,
Lugar sagrado,
Abençoa Farroupilha.
Do sexto andar de um edifício,
Contemplo-a ao alvorecer,
Quando os primeiros raios de sol,
Iluminam aquele grande recinto de fé.
Magicamente, sou invadida,
Por um forte desejo de mudar,
De pensar diferente.
O santuário me sugere sutilmente,
Que posso construir uma vida,
Plena de emoções puras,
E de ampla expressão...
Aprecio a tranqüilidade criativa.
Sinto que hoje o meu dia
Será cheio de esplendorosa busca,
Do meu ser interior.
A minha mochila emocional
Está cheia de inesquecíveis lembranças.
Hoje aprimorarei os meus rituais
Da compreensão infinita do meu destino de ser.
As devoções são cruciais,
Quero Deus me protegendo.
Contemplo o meu mundo,
Contemplo a minha fé...
As seis horas, numa corrida pausada,
Inicio a subida de uma rua,
Colorida de amor perfeito...
A beleza é tanta que me encanta,
A mensagem de delicadeza destas flores,
Suaviza o meu coração,
Motivo-me de alegria...
Esta comunidade sabe muito
Sobre poderosos jogos psicológicos,
Aqueles que driblam
As inevitáveis derrapagens na estrada da vida.
Prestam atenção e dão importância
Aos tombos ocasionais,
No áspero cotidiano dos nossos tempos.
O termômetro do município marca três graus.
O inverno caiu como uma guilhotina,
É o frio mortal do mês de julho.
Há três quadras do edifício que me hospedo,
Surge outra catedral lindíssima...
É a Igreja de São Pedro,
Incrustada, imponentemente, neste local,
Rodeada de floreiras com amor perfeito.
Não resta dúvida,
É um grande espaço de devoção.
A religiosidade é um grande pilar de força
Dos habitantes desta cidade.
Num canto do logradouro,
Construíram um abrigo para usuários de ônibus,
Coberto e com banheiros extremamente higienizados.
Esta cidade transborda de humanismo.
Acreditam que a pessoa é possível.
Ganharam o meu coração,
Reconforto-me...
Vejo que os caminhos da purificação são viáveis...
Contorno o Templo correndo,
Olhando-o, ouço-o, perguntando-me:
- O que você sabe de ti mesmo?
- Descobriste alguns sinais da magnitude dos significados da vida?
Respondo-lhe:
- Procuro iluminar a minha alma,
- Quero fazê-la brilhar como as estrelas...
A busca do próprio destino
Peregrinação necessária
À formação do espírito,
Impera a força do subjetivo...
Continuo correndo ao redor da igreja,
E pergunto-me:
- Porque são tão raros os Spas exotéricos?
Corri tanto atrás das verdades envernizadas,
Mas agora vejo que muito pouco me adiantou.
A ostentação cognitiva,
O narcisismo dos meus tempos,
Acertou-me em cheio...
Mas sempre é tempo de mudar a direção.
Preocupei-me muito com os outros,
E esqueci de mim mesma...
Medo de assumir-me afetivamente,
Ou medo de ter idéias próprias,
Só minhas...
Que coisa séria!
Como pude consentir,
Que as pessoas me envolvessem tanto...
Perderam precioso tempo comigo,
E eu desperdicei excelentes oportunidades,
De conhecer-me melhor...
Não valorizei o autoconhecimento...
Hoje eu entendo o porquê
De frustrações inexplicáveis...
Hoje eu entendo o porquê,
Das águas serem tão geladas,
Quando batem em meu coração...
Tudo está mais claro.
Devo partir em busca da verdade,
Além das aparências,
E defender sempre,
A minha santa rebeldia.
Purificar a meditação...
Purificar o imaginário...
Aprimorar a busca,
Da morada de Deus.
O mundo dos meus sonhos
Seria habitado só por pessoas criativas,
Que primam pela autodescoberta,
Que corajosamente assumem posturas renovadas.
Sinto forte motivação,
Para buscar mistérios secretos.
Em lugares comuns,
Ou em lugares singulares.
Detesto a cultura padronizada.
São exércitos que abdicaram de crescer.
A passividade custa muito caro,
A pessoa explode de ira represada.
É todo mundo bloqueando todo mundo.
Impera um silêncio assustador.
Ninguém fala nada,
Não têm passado e nem presente,
O futuro é desértico.
O encontro com Deus
Redimensiona a vida.
A religiosidade
É a pureza que motiva.
Um padre abre a porta principal da igreja.
Rajadas de vento tornam o frio mais frio...
Silenciosamente começam a chegar,
Dezenas de pessoas de todas as idades,
Muito bem agasalhadas,
Usam mantas para amenizar o frio intenso.
Procuro ler os traços emocionais destas pessoas.
Tento descobrir a coloração de suas personalidades.
Percebo um olhar de dignidade,
São todas as idades plenamente realizadas.
São seres humanos dedicados,
São indivíduos humanizados.
Sou atraída pela angelitude da Ave-Maria
Cantada por uma senhora.
Do meu peito brota
Uma emoção de intenso júbilo,
A qual invade o meu ser.
Entro na igreja para assistir a missa.
Os aconselhamentos do padre são afetivos.
As exortações são feitas para tocar o fundo daqueles corações,
Que buscam o néctar da imortalidade,
Através da sabedoria espiritual.
Entendo-os como se dissessem:
- Queremos vida boa, limpa e com fé.
Entendo-os como se dissessem:
- Acreditamos na cura da alma
- Pelo trabalho árduo e benéfico.
É uma jornada
A caminho da iluminação.
Querem escapar do materialismo,
E entrar na vida virtuosa.
O silêncio místico
Celebra um Deus em particular.
O homem mostra a devoção
Em santuários sagrados...
O padre pregou com maestria
Sobre a piedade, que fortalece as emoções,
Junto com a caridade evangélica.
Dissertou sobre o malefício do ódio.
Insistiu que só a união na benevolência,
Eleva o homem perante Deus.
Era necessário auscultar o próprio coração...
Eram as escolhas corretas e desafiadoras,
Na batalha perpétua entre o bem e o mal,
Que deveriam ser relembradas,
Em todos os dias de nossas vidas...
O ministro de Deus conclui afirmando:
Que só o bem emerge triunfante,
Em todas as situações.
Tudo o que foi dito,
Era tão real,
Que não era real.
Todos em pé, transbordando muita fé,
Recitaram a oração da Ave-Maria.
Em seguida em coro suplicaram:
- Senhor tende piedade de nós...
Ali não havia dúvidas,
Sobre o complexo significado da vida...
Saíram felizes da Igreja de São Pedro.
Eram heróicos sobreviventes de uma época.
Não se amarguravam com a vida,
O que é uma vitória enorme.
O etéreo é que salva
A minha alma errante,
Que necessita beber nestes mananciais da fé
O puro, o elevado, o celestial.
Todos foram embora para suas casas.
Fiquei admirando os jardins da igreja,
Agora que clareou o dia,
E vejo os pés de amor-perfeito
Bem de perto...
Percebo-os orvalhados...
Este quadro me seduz.
Uma lufada de delicadeza gratifica-me.
É o milagre do estético magnético.
Nas muretas defronte a igreja,
Alguém escreveu:
“Paz, amor, empatia,
Tente sempre melhorar
Para você não ser mais um”.
Ao chegar da minha corrida um jovem gravava,
Na parede do edifício, esta mensagem:
“Existe, então resista e persista”.
Então digo para mim mesma:
Que esta cidade é a capital da Fé,
Em dias melhores...
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