sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O SENTIDO DE FORÇA INTERIOR

Regina Diniz

O conformismo de autômatos é a solução, que a maioria dos indivíduos normais encontra na sociedade moderna. O indivíduo cessa de ser ele mesmo; adota inteiramente o tipo de personalidade, que lhe é oferecido pelos padrões culturais e, por conseguinte, torna-se exatamente como todos os demais são, e como estes esperam que ele seja. A divergência entre o eu e o mundo desaparece e, com ela, o temor consciente à solidão e à impotência. A pessoa que desiste de seu ego individual e converte-se em autômato, idêntica a milhões de outros autômatos, em torno dela, não mais precisa sentir-se sozinha nem angustiada. O preço que ela paga, porém é alto: é a perda de sua individualidade. (Livro: “O Medo à Liberdade” – Erich Fromm – Zahar Editores – Rio de Janeiro – l983).

A interpretação de que o melhor jeito de enfrentar o mundo exterior é tornar-se um autômato, resulta num erro terrível, porque faz oposição frontal às idéias divulgadas e exigidas pela área humana comportamental contemporânea, a cerca do homem ideal. Atualmente, é idealizada uma personalidade com fecundidade criativa de pensar, agir e sentir. O individualismo moderno surgiu e se espalhou rapidamente, sendo uma exigência de sobrevivência pessoal e profissional. O trabalho braçal, não pensante, foi radicalmente substituído pelo avanço das máquinas da cultura industrial.

É indiscutível, que somos nós que tomamos as decisões. Há milênios o mundo exige o uso racional de nossos bilhões de neurônios. Ficou para trás o tempo de se conformar com as expectativas de outros. A inteligência criativa não nos leva ao isolamento, ao contrário ela nos dá liberdade e conforto emocional para evoluirmos como pessoa.

O conformismo de autômatos deixa o indivíduo em estado de intensa insegurança. A própria identidade é o maior patrimônio de ser humano. Perdê-la é catastrófico. Eu procuro, nutro, recapturo a minha identidade, privilegiando a minha aprovação e o meu reconhecimento. Luto tenazmente para descobrir e manter o meu eu original, seguidamente estou renovando o meu olhar sobre as minhas metas existenciais de ser.

O foco de resistência ainda mais sério, e que está presente em toda a sociedade ocidental moderna, é o da necessidade psicológica de evitar, e de em determinadas formas, reprimir todo o interesse em “ser”. Ao contrário de outras culturas que parecem muito dedicadas ao fato de “ser”, particularmente a indiana e a asiática oriental, e a outros períodos históricos em que esta identidade foi importante. A característica de nosso período no ocidente, conforme citou Marcel, com precisão, está exatamente na falta dessa consciência do “senso ontológico”, o sentido de ser generalizado, o homem moderno encontra-se nessa condição; se ele se sente incomodado por quaisquer exigências ontológicas de ser, torna-se insípido como um impulso obscuro.( Gabriel Marcel, The Philosophy of Existence – l949 – pág. 1)

Essa perda do senso de ser está relacionada com as tendências coletivistas de massa e o conformismo generalizado de nossa cultura. Eu sempre me pergunto, se uma tese mais profunda aparecerá para desnudar os efeitos psicológicos doentios da repressão desta emoção de crescimento pessoal, e da recusa desta necessidade de identificação interior. Em avaliações permanentes de minhas características de busca, procuro identificá-las, pelo valor intrínseco ou significativo que me gratificam, para conseguir qualidade para a autoconsciência.

Ser é aquilo que permanece. É preciso parar para pensar antes de decidir. Dotados de consciência, por isso somos responsáveis pela nossa própria existência. Tornar-se cônscio do próprio ser, do próprio pensamento, nos distingue de outros seres. Estamos permanentemente, passando por atos de ir adiante, para ser alguma coisa, para descobrirmos algo novo, no vasto território do Ser.

O estado de ser é o nosso sentido de força interior, que cada um de nós tem e se torna naquilo que realmente conseguiu alcançar. O fantástico é que temos de estar conscientes de nós mesmos, de nossos atos e sermos responsáveis para sermos nós mesmos.

O indivíduo, com auto-estima saudável, percebe a sua visão de mundo independente do contexto. No caso da pessoa com baixa auto-estima, seu valor pessoal depende do contexto. Mas todas as nossas resoluções são apreendidas em estado emocional, que certamente se modificarão com a mente centrada, no aqui e agora, estamos constantemente coletando novas informações. Esta sofisticação de interpretação nos leva a compreender, que nós todos devemos reformular o contexto para melhor. Correntes e correntes de idéias fluem em torno de nós, e estão sobrecarregadas de razões para reformulação de metas, e para introdução de novíssimas opiniões para maior percepção de nós mesmos.

Acho possível acreditar, que posso ficar mais habilidosa, só em pensar assim aumenta este meu desejo, que exerce um efeito muito positivo no aumento de minha auto-estima. Somos seres únicos com missão a concretizar, e quando menos esperamos somos convocados para renovar, mudar e enriquecer situações. O tempo é especializado em reformas.

Nós somos destinados a ser. Devemos rejeitar totalmente o conformismo de autômatos. Compreendemos a medida que avançamos, e cada nova habilidade de visualizar a vida, lança um olhar mais rico sobre nossos planos de evolução pessoal e espiritual. O crescimento do ser humano é maravilhoso. Aprendemos, repartimos experiências, reformulamos conceitos e renovamos valores.

Precisamos, acima de tudo, nos fazer inúmeras perguntas sobre valoração ética, partindo daí, os horizontes da vida vão se abrindo, nos mostrando o céu, Deus e a nossa felicidade, mas para tanto é necessário empenho. Os valores espirituais dormitam dentro de nós e despertam em seqüências inumeráveis. E cada vez que isso acontecer, mais luz, mais vida se aglomerará em nossos corações. São infinitos os horizontes da vida que nos levam à felicidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário