Regina Diniz
Piscinas naturais...
Mar de águas translúcidas...
Areias claras... montanhas verdes...
Pode alguém querer mais...
Estou absolutamente decidida... determinada...
Cheia de energias sutis, vibrando satisfação...
Disposta a abrir o baú com as jóias dos sentimentos positivos.
Estou no litoral catarinense fazendo terapia por conta própria,
Tentando agarrar a felicidade com as próprias mãos,
Arrancando a minha felicidade das mãos dos outros.
Atravesso uma fase de intensa motivação,
Animada, saudavelmente inconformada,
Desejando renovar –me interiormente...
Receptiva para mim mesma,
Com memórias de alegria e de sonhos alcançados.
Quando dei credibilidade a qualidade de minha personalidade,
Aconteceram as batalhas mais significativas...
Complexas e aprofundadas...
Eram mergulhos ousados...
Ficava surpreendida quando despertavam talentos adormecidos...
Compreendia então que era preciso acioná-los,
Mas percebia que a via era inconsciente,
Aparentemente magnetizada pelo objetivo.
As possibilidades encubavam-se, e logo surgia a descoberta.
O cumprimento de determinadas metas
É obrigatória... é séria... são sagradas missões...
Quando desabrocham fico realizada.
As minhas emoções transformam-se em felicidade...
Os sonhos são sinais fortes de potencialidades,
A serem vivenciadas para beneficiar a mim e aos outros.
Procuro sempre a coragem de seguir adiante,
E muitas vezes as minhas fantasias levam-me a lugares incertos...
Mas gratificantes... são lembranças do lado emocional positivo,
Tenho receio das memórias negativas,
Procuro apagá-las e o meu esforço é recompensado.
Coleciono só o que deu certo,
E recebo retribuição viva de estímulos,
Mesmo diante de grandes desafios...
Seleciono alternativas até receber cheques de auto-estima,
Porque vivo em tempos extremamente depressivos...
E todo o investimento em memórias de júbilo é pouco...
Admiro a beleza poética da lagoa do Peri
O sol aquece-me suavemente...
Ouço o som das folhas agradecendo a brisa,
Os pássaros cantam hinos de alegria...
Investigo-me em busca de ansiedade,
E vivencio-me em profunda paz interior...
Vasculho-me em busca de territórios de tensão...
Encontro-me com todos os músculos descontraídos,
Estou deslumbrada... tal é o viço da beleza natural...
Experimento a ancestral simplicidade de impulsos,
Longe das afetações das teatralizações narcísicas...
Longe das caóticas experimentações intelectuais...
Ouço o borbulhar fervente das minhas intenções,
Pedindo-me que signa em frente,
Insistindo para que eu sinta prazer em transpor empecilhos rotineiros,
Sempre presentes... tão permanentes...
Para então desfrutar de momentos inesquecíveis
De crescimento emocional saudável.
Graças a Deus... estou deixando de boiar
No mar das racionalizações estéreis...
No mar das dúvidas irascíveis...
No mar das aquisições materiais inalcançáveis...
Dou importância, agora, a prática
Da bondade para mim mesma...
Descubro então o antídoto poderoso
Contra as frustrações devastadoras,
Do esquecer-se de si mesmo...
Programado por forças poderosíssimas...
Busco forças sadias de encontrar o meu eu saudável...
Passo um pano macio na minha vidraça mental...
A minha via emocional é a da autodescoberta,
A criatividade sempre me atirou para confrontos terríveis...
Não esmoreço no roteiro que escolhi,
Sigo com arranhões profundos da jornada,
Mas cicatrizados... bem curados...
Não quebrei porque fui resignada nos erros,
Humilde nos acertos...
Aqui é muito fácil cair e não levantar mais.
A minha grande escolha
Foi jogar-me para o estudo da sabedoria espiritual...
Pratico a obsessão compulsiva por valores equilibrados,
Não aderi aos costumes que mudam
Como as nuvens batidas pelo vento...
Entro levemente na intimidade da lagoa,
Revestida de ladrilhos de areia prateada...
O dia está quente...
A água está refrescante...
Procuro a estabilidade de ser,
Nas emoções que curam a alma,
Porque eu sei que quando penso bem de mim mesma...
As estrelas agradecem...
Hoje, eu tenho certeza que cicatrizei
Tristezas inconscientes...
Aquece o meu coração,
Lembrar-me das altas cifras de confiança,
Que depositaram em mim ao longo da vida,
E orgulho-me de sempre ter correspondido.
Empreendi grande soma de esforços,
Em trabalhos essencialmente de cunho humano,
Nunca fui bem remunerada, mas fui gratificada emocionalmente.
Desde muito jovem conscientizei-me
De pertencer a cultura do ter,
Mas desejava profundamente a construção do ser.
Ouvi o meu grito interior que clamava,
Para apresentar o melhor para mim mesma,
Porque acredito que existo
Com a suprema destinação de pontuar o meu jeito de ser.
Nunca destruí a vida de ninguém
Como resposta: Ninguém conseguiu destruir-me...
Lutarei sempre
Para qualificar o meu pensamento.
Dedico-me com empenho para afastar da minha mente
A tagarelice mental destruindo os outros...
Assustei-me sempre da semente destruidora da inveja...
Não perco tempo em abstrações destrutivas,
E sempre estou fazendo-me convites
Para cuidar da minha saúde psíquica...
Agora estou descansando o meu cérebro,
Alegrando-me com toda a beleza desta natureza,
Que enleva suavemente a minha alma,
Que não gosta da vida agitada.
Tenho certeza
Que o tumulto não é meu amigo.
A água da lagoa é cristalina.
O solo arenoso é macio sob meus pés,
O sol procura-me por entre as copas das árvores,
Espalhando afetivamente seus raios dourados.
Nadando, admiro as montanhas verdes,
Que me contemplam surpreendidas,
Por ter-me dado um tempo
Para avaliar a minha vida,
Mas a minha sorte foi entusiasmar-me
Fantasticamente, com a simplicidade das pequenas coisas...
Sempre delirei de prazer
Pela comunicação vibrante da natureza,
E seis perguntas sempre me inquietaram:
O que eu estou fazendo com a minha vida?
Procuro e distribuo afeto?
Administro a tristeza, transformando-a em avaliação positiva?
Monitoro a raiva que teima explodir no meu peito?
Transformo com responsabilidade o medo em coragem?
Nutro a minha indignação para melhorar o mundo?
Olho-me... observo-me no espelho da água,
E respondo-me:
Não importa o que a vida fez para mim,
Importa-me a obsessão por compreender a vida,
Importa-me nutrir a inclinação para a abstração,
Que Deus mantenha-me eternamente curiosa...
Com a qualidade de mistério do meu eu...
Com a qualidade das fantasias construtivas...
Com a essência da vida.
Sempre simplifiquei a vida,
Mas devo simplificá-la ainda mais,
Para desfrutar da felicidade
Que é de foro íntimo...
E só eu posso buscá-la...
E só eu posso responsabilizar-me por ela.
Vivenciarei só os ganhos.
Entendi e continuarei a entender as perdas,
Que não são perdas e sim afastamentos temporários.
Nutro grandes esperanças
De que tudo se tornará
Um grande jardim de flores coloridas,
E a cultura então ficará mais humanizada...
A lagoa é emoldurada
Por montanhas de um verde profundo...
As árvores que as cobrem são orvalhadas...
O céu está azul...
Agora, decidi caminhar margeando,
Este lugar estimulante e renovador.
Sinto a relva molhada e macia sob os pés,
Dando-me a sensação de apoio emocional
Sempre fui atraída pela pureza da natureza,
O que me faz tirar esta vibração horrível
Da maldade e arrogância de meus tempos.
O conjunto da natureza, aqui é rico de subjetividade,
O que me é entusiasmante...
Procuro sentir o gosto do melhor caminho...
O que não me é fácil,
Então facilito a própria percepção...
Hoje estou sendo recompensada,
Porque estou passando da inquietude e agitação
Para a paz consoladora...
Como eu preciso de paz duradoura,
Que me impulsione a respeitar o sagrado...
Que me impulsione a cultivar o sagrado,
Porque sei que ficaria mais sábia na vida prática.
Resolveria meus conflitos de modo mais eficiente,
Saberia escolher só valores a meu favor,
Praticaria um comportamento emocional inteligente,
Libertar-me-ia das propostas de ser infantilizantes,
Apressaria o meu desenvolvimento espiritual,
A minha mente se expandiria,
E praticando a pureza interior,
Saberia reverenciar energias superiores,
E então elas chegariam a minha alma...
Admiro a lagoa do Peri
Mas terei que ir embora...
Sabendo que a sua beleza revigorante...
Ficará dentro do meu coração...
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