terça-feira, 23 de novembro de 2010

A ACÚSTICA DA ALMA

Regina Diniz

A competição neurótica quase me destruiu...
Por que desapareceram as oportunidades de encontro entre os homens?
Eu não levanto mais os olhos para fitar o céu...
Esqueci de contemplar a beleza das estrelas...

Deixei o barco correr, e agora corrijo os estragos provocados pela omissão...
Mas, em tempo, percebi a brevidade do passeio aqui na terra...

A contemporaneidade cultua o modelo atropelante...
Sumiu o diálogo entre os homens...
Desejo abrir a acústica da minha alma,
Para perceber as notas divinas ditas pelos meus semelhantes...

Deixei o barco correr, e agora procuro as forças da fraternidade pura...
Mas, em tempo, procuro os valores justos sem o estímulo das ilusões materialistas...

Ensinaram-me a desprezar a história, em vez de fazê-la...
Por que desapareceu o debate entre os homens?
Deixaram-me estupidificadamente resignada...
Geraram necessidades artificiais para ocultar as reais...

Deixei o barco correr, e agora valorizo o auxílio mútuo...
Mas, em tempo, a presença de Deus derramou-se silenciosa em minha vida...

A anti-religiosidade quase me liquidou...
Por que os homens romperam com Deus?
Por acreditarem que as coisas materiais eram mais que Deus...
Erraram: por isso os corações não têm um pingo de esperança...

Deixei o barco correr, e agora reorganizo a visão espiritual da minha alma...
Mas, em tempo, escolhi a luz divina que brilha na minha consciência...

A minha energia vital está sendo bem empregada.
Por que desapareceram as luzes da meditação?
Os meus tempos privilegiam a passividade de ser...
Sonham com liberdade, mas são escravos das coisas materiais...

Deixei o barco correr, e agora estou em contínuo recolhimento interior...
Mas, em tempo, cultivo com intenso esforço a pura intenção do coração...

É possível planejar a vida de modo inteligente...
Por que gostamos de levar uma vida de escravos?
Trabalhar para juntar coisas da terra que não levaremos...
Abrirei a janela para que o sol me visite...

Deixei o barco correr e agora vejo o mundo com os olhos da fé...
Mas, em tempo, vejo o quanto é grande o que é divino...

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