“O século XXI surge com teses mais elevadas, transpessoais, transumanas, centradas mais no cosmo, do que nas necessidades e interesses humanos, indo além do humanismo, da identidade, da individuação”.(John Dewey – Theory of Valnation – Vol.II, número 4 da International Encyclopedia of Unified Science – University of Chicago Press – sem data).
Estes temas humanísticos nos prometem abordar um sistema de valores, e de um programa de vida, cuja falta o mundo está sentindo. Sem o transcendente e o transpessoal ficamos doentes, violentos e niilistas, totalmente vazios de esperança.
Para nos apropriarmos de uma saudável motivação, precisamos nutrir algo grandiosamente espiritual, transcendental muito superior ao que somos, que seja respeitado por nós, e a que nos entreguemos num novo sentido de fé em nossas decisões. Para darmos a nossa colaboração na reconstrução para um mundo bom, precisamos meditar num sentimento de amor e compaixão pela natureza humana, e não só pensar na sua irremediabilidade. Existem milhares de indivíduos bons, fortes, santos, sábios, bons líderes, responsáveis, que deveriam ser imitados por todos nós.
Deveríamos estudá-los mais, tê-los como modelos de ser. O mundo precisa da bondade e da grandeza humana, é urgente esmiuçarmos o conhecimento de como ser bom e forte, de converter a nossa ira em atividades construtivas, que muito nos gratificaria. É digno nos sentirmos virtuosos, é crível aceitarmos amar a nós próprios, de sermos dignos de amor e respeito pelos nossos pares.
A melhor resposta, que podemos dar para o renascimento da esperança de crescer com equilíbrio emocional, é através de estudo profundo sobre novos valores. Por milênios e milênios, todas as gerações renovaram os valores de ser. Precisamos nos aprofundar mais sobre criatividade, sobre valores saudáveis, sobre imaginação curativa, sobre ética de impulsos generosos para nós, e para outras pessoas, sobre alegria de viver etc... É essencial contemplar as mais elevadas e nobres aspirações da humanidade. É indispensável questionar a visão contemporânea, a qual se envolveu numa destruição brutalizada, e não consegue pensar noutra coisa, há não ser em ameaças catastróficas para a humanidade.
Devemos enaltecer a saúde mental positiva, e varrer definitivamente de nosso planeta a Doença Mental Negativa que está amplamente difundida. As qualidades sadias da natureza humana devem servir de potente contraponto à crueldade, à premeditação malévola, ao sadismo. A natureza humana é saudável, e deveríamos como lição de casa, expressá-la, e encorajá-la para guiar a nossa vida, e só assim nos sentiremos sadios e felizes.
A nossa natureza interior é forte... Temos condições subjetivas elevadas para não deixarmos que a pressão cultural destrutiva nos deprima. O amor-próprio, a autoconfiança, o sentido de realização robustece o nosso ego. Ousar é testar a nossa compreensão com a vida. Procurar com afinco, resistir e superar os obstáculos naturais de nosso momento cultural, é a solução para muitos problemas de nossa personalidade.
“O amor e a solidariedade ocorrem dentro dos padrões sociais, que são os mitos e símbolos válidos naquele período histórico. Os padrões são os canais, através dos quais flui a vitalidade de uma sociedade. A atual revolta de nossos tempos contra os padrões mostra que em nossa era de transição, exploramos e lutamos por afirmar o que quer que encontremos através de novas formas”.(Rollo May – A Descoberta do Ser – l988 – Editora Rocco). A natureza humana exige renovadas formas para despertar e estimular a nossa força criadora. O obstáculo desempenha uma função positiva. São as idéias e não a força bruta que mudam o mundo.
“As explorações geográficas de oceanos e continentes, feitas por Magalhães e Colombo modificaram a relação do homem com o seu mundo. As explorações astronômicas de Galileu e Copérnico modificaram as relações do homem com os céus. As novas descobertas espaciais resultaram numa radical alteração da imagem, que o homem tinha de si mesmo. A nossa não é a primeira era a defrontar-se com a solidão resultante da descoberta de novas dimensões do espaço exterior, exigindo novas dimensões à mente humana”. ( Rollo May – A Descoberta do Ser – 1988 – Editora Rocco).A transformação psicológica e a solidão espiritual desse período provocaram um desenvolvimento extraordinário, pois cada ser humano sozinho julga ser dotado de alma e imortalidade, que segundo já diziam os antigos, ele sempre ressurgiu de suas próprias cinzas.
O mundo da mecânica, o mundo materialista sofreu um tremendo abalo e acabou...Desejamos contemplar e viver num mundo também espiritual, que tenha como objetivo primordial a transcendência da alma com Deus. Sentimos a necessidade de dar importância ao subconsciente, inconsciente na nossa relação com o mundo.
Desejamos a interação construtiva com nossos semelhantes. Amamos e queremos o mundo saudável e em paz. Adoramos o nosso planeta, sabemos da energia curativa, da força do amor só para construir e não destruir nada e ninguém. Isto significa comportar-se com saúde psicológica.
Relacionar-se consigo mesmo, com o mundo, e com Deus é uma bênção, que já estamos alcançando. O nosso tesouro seletivo do passado - que cada era transmite à seguinte – nos ajuda abraçar o presente e o futuro com mais sabedoria. Somos seres únicos, que por sermos dotados de consciência fraterna, sabemos dignificar a nossa auto-estima.
Somos seres densamente antropológicos, considerando e respeitando a diversidade dos variados grupos em que se distribuem a nossa humanidade.Há milênios iniciamos uma busca sincera e solidária de um bálsamo que cure o nosso planeta. Já percebemos o efeito social da qualidade de nossos sentimentos e atitudes, melhorando a nossa versão interior renovaremos o mundo.

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