sábado, 19 de março de 2011

A CONQUISTA DOS VALORES ESPIRITUAIS


  REGINA DINIZ


 Para a realização da individualidade deve-se avançar sempre: “Aos olhos do mundo, o perigo está em arriscar, pela simples razão de se poder perder. Evitar os riscos, eis a sabedoria. Contudo, não arriscando, que espantosa facilidade de perder aquilo que, arriscando, só dificilmente se perderia, mesmo na mais arriscada empresa, e, em todo o caso; nunca tão facilmente como se nada fora: a perder o quê? A si próprio. Porque se arrisco e me engano – muito bem, a vida castiga-me para me socorrer. Mas, se eu nada arriscar, quem me ajudará então? Tanto mais que nada arriscando no sentido mais lato (e se arriscar no sentido mais lato é precisamente tomar conhecimento do eu). – Ganhei todas as vantagens e bens terrenos... e perdi o meu eu! Que dizer disso?” (Soren Kierkegaard  - Sickness unto Death (Doença até a Morte) – Tradução inglesa de Walter Louwrie). Citação no livro: O Significado da Ansiedade – Autor:Rollo May  -  Editores Zahar – l980).

O ser humano tem consciência do seu processo evolutivo, sente e vê projetos, que estão continuamente acenando-lhe. Enlaça-se na intuição, sua eterna companheira, e sente-se mais seguro para descobrir seus caminhos de luz. Sabe também que o poder infinito nos guia e nos orienta. Apegar-se aos bens espirituais e libertar-se dos bens materiais é a maior bênção, que um ser humano pode alcançar.

Todos nós conhecemos as forças do bem e as forças do mal. Somos inteiramente a nosso favor, quando praticamos uma boa ação, porque os reflexos dela perduram por muito tempo, na atmosfera espiritual em que vivemos. Uma boa ação ilumina sempre. Em torno dos atos bondosos, afloram a gratidão, a alegria, a esperança e o otimismo, organizando as emanações fluídicas curativas.

Permanentemente, estamos acionando forças, energias, mantendo o nosso despertar interior... Desejamos escolhas conscientes e muitas vezes enfrentamos situações de conflitos. Somos açoitados pelas energias destrutivas, mas nos centramos nas soluções construtivas. Somos dotados da força espiritual, e nos alinhando com este poder infinito encontraremos a chave, que abrirá os nossos caminhos mais confiáveis, para realizarmos o nosso pleno potencial humano e espiritual.

“A nossa cultura já não agüenta mais as guerras homicidas. Precisamos descobrir outros meios de promover a paz, e de construir sérias alternativas para proteger e nutrir o potencial e a criatividade.  Há milênios nós buscamos novos valores para elevar a consciência, estudando práticas civilizantes. Não podemos abandonar o debate do sonho de uma civilização consciente da validade da saúde pessoal, emocional e espiritual.

A contemporaneidade deve reconhecer que as bases dos valores encontram-se muito mais dentro das pessoas do que fora, no mundo material. Esta trajetória de confirmação força os indivíduos a conhecer seus fracassos econômicos e a lembrar deles. Quem não pertencer ou não parecer ao grupo economicamente abastado é silenciosamente humilhado... O exibicionismo do ter e o desprezo narcisista dão o tom da nossa cultura como um todo.

Chegará o dia que o ser humano descobrirá a vida interior, aceitará um nível de vida mais elevado, e admitirá a existência da vida plena.
Já existe uma compreensão maior de cooperação, da comunidade, do trabalho conjunto em benefício do bem social e não somente do engrandecimento pessoal. Para alcançar esta situação humana é preciso efetuar mudanças drásticas nos objetivos, nos valores, no comportamento e na direção que regulam nossas vidas.

“Realizar atos salutares pode não nos ocorrer naturalmente, mas temos de fazer um treinamento consciente nesse sentido. Isto acontece, especialmente na sociedade moderna, porque existe uma tendência a aceitar que a questão dos atos salutares e dos atos prejudiciais - o que se deve e o que não se deve fazer – é algo que se considera pertencer à esfera da religião. Tradicionalmente, considerou-se ser responsabilidade da religião prescrever quais comportamentos são salutares e quais não são. Contudo, na sociedade atual, a religião perdeu até certo ponto seu prestígio e influência. E, ao mesmo tempo, nenhuma alternativa, como por exemplo, uma ética secular, veio substituí-la. Por isso, parece que se dedica menos atenção à necessidade de levar um estilo saudável de vida. É por isso que acredito que precisamos fazer um esforço especial e trabalhar com consciência no objetivo de adquirir esse tipo de conhecimento”. ( Autores:Sua Santidade, XIV Dalay Lama Tenzin Gyatso e Howard C. Cutler – Livro: A Arte da Felicidade – Editora Martins Fortes – São Paulo 2003).

Fazer apreciações quanto ao próprio potencial espiritual, reconhecendo a importância da escolha de soluções positivas, como metas a serem compreendidas e desenvolvidas, é uma boa direção de crescimento espiritual. As religiões jamais poderiam ter perdido o seu espaço, porque orientam o ser humano no desenvolvimento de suas necessidades transcendentais. Devemos admirar e valorizar as diferentes tradições religiosas no mundo, porque todas contribuem para o bem da humanidade.

Ficamos mais fortes emocionalmente, quando aprendemos a refletir sobre os preceitos divinos, porque são as maiores vertentes de força em motivação de vida. O nosso sonho de fé vivenciado com profundidade de sentimentos faz parte do desenvolvimento dos nossos dons, que necessitam ser imaginados e vivenciados. Todas as religiões oferecem estrutura ética que favorece efeitos positivos.

Neste século XXI de transição, quando nos defrontamos com o resultado final da queda de padrões ético-espirituais, creio ser importante aceitar todas as idéias que signifiquem cura, bênção, inspiração, elevação espiritual. Sempre estou lembrando que Deus é vida, que Deus é amor, que Deus é Alegria e que permanentemente desfrutamos de sua luz. Deus é paz e gosta da bondade em todas as direções.

Para que nossos corações se encham de paz precisamos desejar às pessoas, todas as bênçãos do mundo, e com certeza a compreensão divina fará o resto... A presença infinita em nossos corações é a força curadora. Precisamos educar os nossos pensamentos e aprender a ver nas pessoas, o amor, a luz, a paz a serenidade... Só ficamos felizes quando vibramos harmonia e saúde espiritual...

Amemos a Deus uns nos outros, porque Deus jamais se mostrará de outra forma a nós. Tudo o que é amável em nós, é Deus que está em nós e só podemos amar a Deus e é sempre Deus que a gente ama, quando sabemos amar verdadeiramente. Deus é luz. Se, pois quisermos sentir Deus em nós, esclareçamos as nossas almas. ( Autor: Eliphas Levi - Livro: O Grande Arcano – Ed: Pensamento-São Paulo – 2007)


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