REGINA DINIZ
“A sociedade moderna, a despeito de toda a ênfase que atribui à felicidade, à individualidade, e ao interesse de cada um, ensinou ao homem, que não é a sua felicidade a meta da vida, e sim a satisfação de seu dever de trabalhar, ou o seu sucesso. Dinheiro, prestígio e poder transformaram-se em seus incentivos e fins. Embora ele atenda a tudo mais, exceto aos interesses de seu eu real. Tudo é importante para ele, salvo sua vida e a arte de viver; é a favor de tudo, exceto de si mesmo”. ( Erich Fromm – Livro: A Análise do homem – Zahar Editores – Rio de Janeiro - 1981).
É difícil de compreender esta travada abrupta do crescimento pessoal e espiritual, no século XIX, XX e XXI. Repentinamente, triunfou um materialismo cruel em culturas, até então, com relativo nível cultural e espiritual, as quais caíram de joelhos, fascinadas pelos símbolos materialistas. A ausência da fé em Deus fez o homem perder a capacidade construtiva de guiar-se a si mesmo. Esqueceu de orar, esqueceu de pedir forças para livrar-se das amarras, que prenderam a sua alma em paixões irracionais.
O poder que enriquece a nossa vida mora em nosso interior, e o método de como obtê-lo já está esclarecido. Vem sendo estudado, escrito, ensinado e praticado há milênios, e pode ser encontrado nos livros dos antigos filósofos e das grandes religiões. Está nas Escrituras Judaicas, no Novo Testamento dos Cristãos, no Corão Maometano, no Bhagavad Gita dos Indus, e nos textos de Confúcio e Lao-tsé e outros. Os teólogos e psicólogos contemporâneos já escreveram centenas de livros para ensinar a despertar o nosso poder interior a fim de ficarmos mais fortalecidos espiritualmente.
“A alienação do homem não é nova nem tão recente. Há muito o ser humano vive alienado de si mesmo. As riquezas materiais, os conhecimentos sobre o mundo e os meios técnicos de que dispõe, pouco alteraram essa condição humana. Ao contrário, o homem contemporâneo colocado diante das múltiplas funções que deve exercer, pressionado por múltiplas exigências, bombardeado por um fluxo ininterrupto de informações contraditórias, em aceleração crescente, que quase ultrapassa o ritmo orgânico de sua vida, em vez de se integrar como ser individual e ser social sofre um processo de desintegração. Aliena-se de si, de seu trabalho, de suas possibilidades de criar e de realizar em sua vida conteúdos mais humanos”. ( Fayga Ostrower - Livro: Criatividade - Ed.Vozes – 1976 ).
O homem moderno sente-se desorientado, ansioso, estressado, incompleto, e cada vez mais perplexo. Ele trabalha com esforço e dedicação, mas tem uma vaga consciência da futilidade de seus esforços. Ele vislumbra uma remota possibilidade em descobrir no contexto cultural, no social a motivação emocional gratificante que o impulsione em sua natureza pensante. Deprime-se diante de tanta passividade e monotonia...
A cultura moderna peca pela repetitividade de suas teses. Ela gira em torno de si mesma, e não consegue se renovar. Máquinas potentes, sucesso material tornaram-se as fontes de suas normas e julgamentos de valores, que afirmam que o homem tem que viver sem certezas metafísicas, e que deve depender só de si mesmo... Acreditam num mundo com as forças sagradas apagadas...
Sempre estiveram em permanente ação, ao longo de milênios, manobras complexas para afastar o homem de si mesmo, como sujeito pensante do mundo, e assim torná-lo presa fácil da manipulação de lideranças destrutivas. Entretanto o mundo não é estático, todos nós somos dotados de elevada percepção. Sente-se uma mudança na maneira de pensar, sentir e agir. As pessoas revelam que estão deixando velhas idéias, velhos hábitos, velhas opiniões para trás, e percebem que o seu estilo de ver a vida melhorou em benefício de si mesmo.
Relatam, que pedem a Deus, que os auxiliem através de clarões de inspiração criativa. Percebem com clareza que são atendidos, e constatam que a abundância de sugestões do universo é inesgotável. Deixam sua janela mental sempre aberta, vibrando quietude interior, para receber estas abençoadas sugestões espirituais.Consideram-se participantes ativos, juntos com Deus, aprendendo a criar e a organizar estas energias curativas.
A busca destes feixes de luz é alcançada através de pensamentos pacíficos, de pensamentos equilibrados, de tolerância e de perdão. Esta ligação com a força infinita é notada como um piscar de olhos secretos. A finalidade de nossa vida está na união com as forças espirituais, porque somos almas em processo constante. Eles compreenderam que tudo o que visualizam como natureza material (sol, estrelas, animais, florestas tropicais, seres humanos, emoções, pensamentos) tem origem invisível.
As sugestões de grupos não têm o poder para criar o que eles sugerem. O poder está em nosso próprio pensamento, e a capacidade do espírito é pensar para evoluir. Somos dotados de poder para recusar as sugestões negativas, e nos unir solidamente com as forças positivas dentro de nosso ser, porque somos todos ligados a Deus. Juntos com Deus, através de uma verdadeira identificação divina, curamos o medo da morte, provamos a existência da alma e descobrimos a nossa real identificação como seres infinitos.
Com sublime humildade, precisamos reconhecer que é preciso dedicar-se aos valores divinos, e não só aos valores materialistas. Há muito trabalho a ser feito em pensamentos puros. Assumindo a responsabilidade pela reflexão de qualidade ficaremos mais fortalecidos, recebendo como recompensa um nível mais alto de consciência. Precisamos sentir o amor infinito, dentro do nosso coração, como um impulso vital eterno.
“Quando a intuição toma conta de nós é porque precisamos irromper no meio ambiente. Somos indivíduos unidos a Deus em uma parceria, como co-criadores.Todos nós nos vemos no centro do processo criativo. Um pré-requisito, são anos de oração, para nos unir com Deus. Temos que nos identificar com um eu maior do que vive aqui e agora neste corpo físico limitado. Deus é a maior de todas as verdades: o Único Poder se movimentando como unidade, harmonia, beleza, amor e paz. Deus é o princípio de vida em todos nós”. (Deepak Chopra – Livro: Como Conhecer Deus – A Jornada da Alma ao Mistério dos Mistérios - Ed. Rocco).

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