quinta-feira, 7 de abril de 2011

O CANTO DAS GAIVOTAS


Regina Diniz


O sol avermelhado desponta no horizonte do oceano...
Pela mansidão das águas mais parece um grande lago,
Uma gaivota pousa mansamente no penhasco mais alto,
Logo após chega um bando cacarejando alegremente...

Esta união nutre o meu coração calejado pelo desamor...
São verdadeiros companheiros de viagem...

Ao redor do rochedo vicejam muitos seres vivos...
Variados moluscos e peixes exibem mágica auto-estima.
Diversos búzios andam languidamente em erótico desfile.
Siris dançam a valsa do vai e vem da água mansa...

São donos de si mesmo...
Por isso testam o mundo com intimidade...

De repente, sem avisar, começam a rugir as ondas...
Batem com violência no rochedo e expelem a energia subliminar.
Flutua uma névoa esbranquiçada de vida...
Percebem em fração de segundos o limite do rochedo...

Todos se alimentam da vida do mar...
É uma festa por simplesmente viverem...

Diante da firmeza do rochedo as ondas tornam-se dóceis...
Foi o jeito que ele achou de mostrar às impetuosas ondas,
Que para amar são necessárias as energias do afeto...
Ele só aceita as ricas premissas do jogo amoroso...

O segredo das emoções é a intimidade...
Sinto um louvor de coração ao amor com afeto...

Após o grande acerto na escolha do jeito de amar,
Vibram de alegria todos os moluscos que o rochedo hospeda...
E sob a regência da natureza harmonizam-se vidas e vidas...
Que com habilidade mística se nutrem deste jogo afetivo...

E impressionante a harmonia da natureza.
Ninguém perde, todos ganham em vigor de ser...

Nesta luta frenética por adequação afetiva,
As gaivotas em eufórica contemplação,
Sedentas por tudo que resplandeça a verdadeira vida,
Cantam a canção da busca do eterno afeto...

É a proposta do amor sem vínculos...
É preciso dar muito para receber pouco...

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