quarta-feira, 13 de abril de 2011

O TEMPLO DA SÁBIA REFLEXÃO

                     
 REGINA  DINIZ


Ao embarcar, em nossa jornada, para umas vidas decentes, dignas, satisfatórias, valorosas (e, sim, feliz!), tentamos evitar erros e fugir da incerteza confiando numa estrela, escolhida por seu brilho tranqüilizador, para nos guiar. Tudo isso, porém, só para descobrir que nossa escolha da estrela – guia foi, no final das contas, nossa escolha, cheia de riscos como todas as escolhas foram e tendem a ser e nossa escolha, feita por responsabilidade nossa, ela continuará sendo até o fim”. (Zygmunt Bauman – Livro: A Arte da Vida – Editora Zahar – Rio de Janeiro – 2009).

Como viver uma vida plena e feliz? Como ser uma pessoa com boas qualidades éticas? Descobrimos o caminho razoavelmente certo, quando conseguimos abrir as comportas da nossa vertente maior, que eclode no âmago de nosso ser espiritual, através dos desempenhos contínuos, dinâmicos e permanentes de atos de valor, que nos transformam interiormente para melhor. Então sentimos a verdade profunda de que a vida é expansão, é construção de momento a momento, e que a qualidade de ser é tudo o que almejamos. É assim que evoluímos para nós mesmos, para com as pessoas com quem convivemos.

Viver com maior dignidade e serenidade, enfatizando a valorização humana de ser, em um mundo dominado por uma cultura de ciência e racionalidade tecnológica, é encarar com muita seriedade a arte de viver com  sabedoria. Somos constantemente amedrontados e atropelados por guerras, e as soluções oferecidas são sempre as práticas genocidas. Estes complexos problemas da humanidade (milênios de mortandade por conveniências materiais), nunca são ponderados, nunca são colocados em debate.

É possível descobrir o caminho da felicidade? Acredito que sim, se privilegiarmos o equilíbrio de nossa própria razão construtiva, se privilegiarmos o nosso Deus interior, como também, se dignificarmos o culto silencioso de nossas virtudes positivas, que dão o tom das tendências íntimas saudáveis, que habitam em nós. Seremos felizes, quando expulsarmos de dentro de nós a pressão deletéria da ambição materialista, que se avoluma em fantasia de grandeza inalcançável como elevados patamares de felicidade, o que nos frustra muito, pois nos desvia de nossa rota evolutiva. Todos nós desejamos uma vida mais feliz, um país mais feliz, um mundo mais feliz e a chave que abre este tesouro é a conciliação e a reconciliação conosco e com todas as pessoas indistintamente.

Experimentamos a felicidade com intensidade, quando compreendemos o valor de comemorar a vida como ela se apresenta, no momento presente. A felicidade está sempre junto de nós, nas pessoas que nos cercam, na energia, na força, e no vigor em que nos envolvemos emocionalmente. Vibrando a paz da confiança e do respeito mútuos, junto com a mente altruística alcançaremos  o mais alto grau de felicidade. 

Nós gostamos imensamente de pertencer à raça humana, e apreciamos todas as energias que revigoram a coragem em prosseguir com qualidade afetiva. Somos proprietários de muita inteligência, somos muito mais do que as proposta materialistas, e o nosso potencial cognitivo que é riquíssimo não deseja apenas objetos externos, não deseja apenas o status terrestre. O que valorizamos do fundo do nosso coração é o afeto, é a consideração positiva de nós para nós mesmos, de nós para os outros e dos outros para nós. O nosso planeta será feliz, completamente sem guerras, quando entendermos a genuína felicidade da união fraterna.

“E o que realmente nos faz felizes? – Todos os seres humanos querem ter uma vida feliz, mas muitos confundem os meios para obtê-la, - por exemplo, riqueza e status – com a felicidade em si. Essa focalização nos meios é equivocada e afasta ainda mais as pessoas de uma vida feliz. O que realmente vale a pena são as atividades ético-virtuosas, que constroem uma vida feliz, não os recursos externos que parecem ser capazes de promover a felicidade”.(Epicteto, c.50d.c.- c.127d.c.) Editora Sextante – 2000)

É bem possível, que a felicidade seja uma opção mental, e dependa de um determinado nível espiritual. As máquinas não podem proporcionar a felicidade, nem podemos comprá-la. O dinheiro e a riqueza são apenas imperceptíveis sinais de felicidade, não a felicidade em si. A maior parte dela depende de nossa elevada sensibilidade espiritual e não dos requisitos ou circunstâncias.

Nós achamos a felicidade dentro de nós, não podemos comprá-la e ninguém pode nos dá-la. É preciso paz e tranqüilidade para deixá-la fluir. A felicidade, esta força interior, transforma-se em preocupação e responsabilidade pelos outros, o que nos dá a condição espiritual de nos sentirmos proprietários de seriedade e valor humanos.

“Vejamos o caso dos Estados Unidos ou de qualquer outro país. Podemos ver claramente que passam por uma crise moral. Eles aumentam a força policial ou procuram outras soluções técnicas para seus problemas. É muito difícil controlar as forças externas, a menos que ocorra alguma mudança positiva no coração de cada indivíduo ou que haja alguma transformação. Por isso, cada um de nós, como parte da comunidade humana, tem a responsabilidade de fazer alguma coisa pela humanidade, porque se seu futuro for bom, glorioso e pacífico, receberemos todos os benefícios. Se a humanidade cair na degeneração moral, a corrupção, a exploração, a violência e a fraude vão assumir o controle, e a sociedade vai sofrer”.( Tenzin Gyatso – XIV Dalai Lama – Livro: Uma Ética Para  O Novo Milênio - Ed.Sextante - -2000).

Mesmo após tantas guerras, continuamos acreditando e pensando em novas noções de civilização e razão humanas. Os ideais de beleza, pureza e ordem, que são os pilares de crescimento e espiritual em nosso planeta, não foram abandonados, e não perderam a sua importância ética. Atualmente eles são internalizados e operacionalizados através da espontaneidade, do desejo de ser bom, e do esforço individual construtivo.

Atitudes plenas de intenções afetivas proporcionam imenso brilho em nossos momentos mais jubilosos. A felicidade tem a ver com o nosso senso de responsabilidade, com relação a nós mesmos, aos outros e também com a paz de nosso planeta. O conceito do qual participamos é muito maior do que podemos imaginar, e cada um precisa contribuir com seu acorde para a melodia perfeita.   

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