REGINA DINIZ
“O homem e não a técnica deve ser a fonte básica de valores; o desenvolvimento humano ótimo e não a produção máxima deve ser o critério para todo planejamento. À parte isso, o planejamento no campo da Economia deve ser ampliado para todo o sistema; ademais o sistema Homem deve ser integrado no sistema social todo. O homem, como planejador, deve estar cônscio do papel do homem como parte de todo o sistema. Assim como o homem é o único caso de vida que está cônscio de si mesmo, o homem como construtor e analista de sistema deve tornar-se o objeto do sistema que analisa. Isto significa que o conhecimento do homem, sua natureza e as possibilidades reais das suas manifestações devem tornar-se um dos dados básicos para qualquer planejamento social”.(Autor: Erich Fromm – Livro: A Revolução da Esperança – Editores Zahar – 1981 ).
Há milênios lutamos em ser uns pelos outros, e deveríamos trocar idéias construtivas, continuamente a respeito de nosso valor intrínseco de pessoas humanizadas. Pensar realmente é viver, e pensar com honradez a respeito de nós mesmos é enriquecer positivamente a nossa motivação. A consciência de nossa dedicação em medir em curto prazo as nossas aspirações e as nossas ações, nos ajuda a descobrir com transparência novos caminhos de realização.”O que é esta vida se, de tanto se inquietar, - Não se encontra tempo para parar e contemplar?” (Willian Henry Davies).
As transmissões de idéias, as significativas rotas de soluções, de pessoas a nós e de nós a elas são comportamentos originais, estruturados pela nossa natureza humana de interagir. Somos seres destinados a viver em grupo. A identificação e a comparação entre diversos posicionamentos abrem a nossa mente para a compreensão. Almejamos conferir se o resultado de nossas deduções corresponde àquela qualidade de vida pela qual estamos pleiteando. É tranqüilizador saber que temos histórias pessoais, as quais tem valor na evolução de nossos semelhantes.
A proposta de afastamento total das decisões juntamente com a padronização cultural, nos impede no sentido mais profundo de opinar e de debater sobre possíveis benefícios humanísticos. Nunca o cidadão é consultado sobre planejamentos educacionais, profissionais e sociais. O cidadão é o grande ausente do processo o que não é justificável. É sempre repassada a velha mensagem “do faz de conta” de que o desejo social maior dos poderes constituídos é o de “bem-estar ótimo da sociedade”.
A participação ideal seria aquela, que não impossibilitasse a administração central (estatal) permitindo, contudo, aos participantes, o ótimo de participação responsável. Evidentemente, essa formulação é bastante geral e não é suficiente como base para tomar medidas imediatas. A centralização ótima seria o grau necessário para a organização e planejamentos eficazes e em grande escala. Podemos lidar com o conceito de centralização ótima e de participação ótima, partindo espontaneamente de pesquisas diretas com a sociedade civil.
Quando decidimos enfrentar os problemas de crescimento humano, as dificuldades tendem a desencorajar a maioria das pessoas. A verdade é que temos imaginação e iniciativa ilimitadas para resolver problemas técnicos, mas uma imaginação muito restrita, quando lidamos com o crescimento humanístico. Por que é sempre assim? É que ainda não temos no campo da ciência do homem, o conhecimento que possuímos nas Ciências Naturais e na Técnica.
Por que não aplicamos o conhecimento que possuímos? – Não se pode sugerir ou provar nada sem estudo adicional. Esse tipo de pesquisa não é feito, porque nossas atuais prioridades, nosso interesse em encontrar soluções humanamente mais aceitáveis, para a nossa organização social é fraquíssimo. Não obstante, a necessidade de pesquisas nas últimas décadas, tem havido alguma experimentação e pouquíssimos debates sobre esta grave problemática. Não conseguimos entender, porque um processo dinâmico de compreensão e intervenção construtiva no funcionamento das relações humanas, em áreas de miserabilidade civil, não interessa aos governantes. Já não podemos mais esconder de nós mesmos a dura realidade da favelização em nossas grandes metrópoles, e também em nossas pequenas cidades.
Pela ampliação do conhecimento mútuo entre as pessoas, o debate humanístico é salutar, porque se transforma em diálogo em vez de disputa. Para que haja a possibilidade de diálogo saudável, é essencial que cada participante procure ser menos defensivo e mais acessível, e também valorize a empatia, isto é que compreenda o que a outra pessoa quer dizer. Em todo diálogo proveitoso cada participante deve ajudar o outro a esclarecer o seu pensamento, em vez de forçá-lo a defender idéias sobre as quais ele pode ter as suas próprias dúvidas.
O diálogo sempre subentende esclarecimento mútuo, e muitos até mesmo entendem melhor do outro do que a si mesmo. Somos por excelência seres gregários, investimos em nossa família, gostamos de fazer amizades, e neste intercâmbio humano ficamos mais fortes socialmente. A solidão nos enfraquece, e para ficarmos saudáveis e equilibrados, é necessário que nós mesmos teçamos, ponto a ponto, a confiabilidade que nos dará consolo e paz.
“O homem sente o prazer da honradez se relacionando com os demais, preservando a sua integridade, e relacionando-se de um modo construtivo e afetivo com os demais. Unicamente desenvolvendo o seu amor, unicamente podendo sentir o mundo social e natural de maneira humana, pode o homem sentir-se em seu lugar seguro de si mesmo, e dono de sua vida. Não é necessário acentuar que, das duas formas possíveis de transcendência, a capacidade destruidora conduz ao sofrimento e a construtiva à felicidade. É também fácil de ver-se que só um sentimento de identidade baseado na sensação de capacidade própria pode proporcionar vigor”.( Erich Fromm – livro: Psicanálise da Sociedade Contemporânea – Zahar Editores – 1979).
O que o ser humano mais deseja é perseverar em um emprego, luta a despeito de todas as dificuldades em aumentar a sua capacidade para trabalhar com outras pessoas, dentro de um conjunto organizado, e sob uma autoridade confiável. Envida esforços na capacidade para tomar decisões de qualidade, e deseja usufruir vontade de viver, conjugando flexibilidade, independência e tolerância. Almeja construir as virtudes de um bom profissional em organizações de nossos tempos.
O ser humano não é uma folha de papel em branco na qual a cultura escreve o seu texto. Necessidades como as de felicidade, amor, harmonia, liberdade e paz para criar são inerentes à sua natureza. A alegria de viver depende do nível de interpretação dos objetivos com os outros com quem convivemos. Todos compartilhamos deste universo de compreensão, cada um contribuindo para sua renovação e recebendo sustentação em troca.

É gratificante ler textos que enriquecem a nossa existência fortalecendo a espiritualidade dentro de nós.
ResponderExcluirBoa sorte sempre.