quinta-feira, 8 de setembro de 2011

AS FRONTEIRAS DO POSSÍVEL

                  
 Regina Diniz

Olho-me no espelho,
Pressinto novos caminhos...
Minhas emoções vibram,
Na primavera extasiante...
                 
Invade-me uma forte motivação,
Consigo identificá-la,
Ela vem devagar, chegou...
É inadiável, ordena para que seja realizada.
Remexo no meu baú dos sentimentos positivos,
É aqui que eu guardo as minhas raras energias criativas,
Para descobrir novos caminhos interiores,
Que pulsam de vida para serem expressos...
Eu me entendo perfeitamente...
Quero ultrapassar minhas limitações...
Sinto que há empecilhos, há obstruções pesadas...
Dedicadamente purifico os meus pensamentos,
Esforço-me para vivenciar emoções saudáveis. 
Confronto-me com uma pesada vibração negativa...
Admito que só pela aceitação da bondade incondicional,
Fluirei amor universal comigo e com todas as pessoas.
Só assim levantarei o véu,
E avançarei pelas fronteiras do possível.
Batalho pela descoberta das minhas potencialidades.
Hoje é um dia especial,
O meu núcleo será ativado...

É mágica a percepção dos significados da vida...
Os filtros de motivação se revigoram...
Os mistérios da vida me encantam...
O meu coração se abre, revelando-me sonhos...

A idéia de ser desordenada mentalmente me assusta.
Renovo, diariamente as minhas metas.
Crises econômicas sucessivas,
Incentivam sonhos patológicos.
Só acredito na realidade do meu trabalho.
E só busco auto-afirmações lúdicas.
Neste feriadão vou para Florianópolis,
Precisamente para a praia da Solidão.
O verde das montanhas, o mar, o vento refrescante,
Equilibrar-me-á por meses.
A beleza da natureza cura as feridas da alma.
O estresse de Porto Alegre desaparecerá em instantes...
O grande centro urbano joga pesado no auto-isolamento.
Vou convidar o Jarbas, talvez ele vá comigo.
Por que o nosso relacionamento esfriou?
Convivemos no epicentro dos sentimentos descartáveis.
Fidelidade é a misteriosa ausente.
Tenho atravessado grande solidão.
É um medo absurdo das emoções me escravizarem...
Talvez seja uma sede neurótica de liberdade total...
Às vezes fico pensando...
Que seja o desespero pela aceitação do próprio eu,
Meu ilustre desconhecido.
Pode ser também a ausência do fantástico autoconhecimento.
Mas o importante é renovar a compreensão da vida.
Quero descobrir os meus impulsos construtivos,
Desejo ativá-los...

A pressão interna é forte...
É a fluência ideativa,
Que impõe a evolução das emoções.
É a alma que se aquece...

 Agora, estou no Shopping Praia de Belas,
Conversando com o Jarbas.
-Que fim de semana bonito!...
-É a primavera triunfante...
-Vamos para Florianópolis admirar a natureza?...
- Conversar com as garças brancas...
-Fazer uma caminhada até a Lagoinha de Leste...
-Conversar...
O silêncio é ameaçador...
Jarbas toma laranjada, batendo nervosamente com os dedos.
Olha-me profundamente e fulmina:
-Hoje vamos terminar a nossa parceria afetiva...
-Não nos acertamos mais em nada...
-Quero uma companheira que ganhe mais do que eu.
-Que seja bem de vida financeira.
-Contigo não progredi nada...
-Nunca me contaste quanto ganhas...
-Esconde a sete chaves o que tens, se tens...
-Contigo não progredi nada.
-Não tens amigos influentes...
-As tuas propostas de vida não tem sentido...
-Só queres saber do essencial...
-Como usas a expressão auto-sustentabilidade!
-Nunca vi ninguém odiar o inessencial como tu.
-Eu não agüento mais...
-Sou um homem de projetos...
-Contigo não tenho futuro.
-Queres saber? Tu não mais me motivas...
-Só sexo não adianta...
-Não basta uma cabana e um amor...
-Seja feliz...

                        É difícil ouvir a música do fracasso...
                        Aparo as quedas afetivas...
                        São segredos bem guardados...
                        Não era para ser...

O Jarbas deu um suspiro entediado...
Levantou-se e bruscamente desapareceu na multidão.
Este surto eu já conheço,
É a retórica desesperante da ausência de força emocional,
Que exige um vôo alto na aspiração social,
Não gratificada...
Explodiu a ira do ódio contido...
A necessidade narcisista exigiu
E cegamente:
Jarbas cambaleia sem rumo,
Motivado por vontades hesitantes
De um prestígio social alienado.
A compulsão surge triunfante, como suprema realização,
De um sonho assustadoramente falso...

                           Tudo é extremamente escuro...
                           Paira uma bruma impenetrável.
                           A ilusão é vital...
                           E o déficit é perpétuo...

A realização vem de dentro para fora...
Acontece um equívoco,
A sociedade do fascínio pelos objetos
Mata as emoções...
Liquida com os sentimentos, e mercantiliza tudo.
Sacraliza como nunca aconteceu ao longo de milênios
A abundância virtual...
Sacraliza como nunca aconteceu ao longo de milênios
A ausência mútua de uns com os outros.
Sacraliza como nunca aconteceu ao longo de milênios
O crescimento das despesas individuais.
Triunfa a acumulação de coisas...
Arrepio de medo percorre a minha alma...
Quero é desapegar-me dos objetos...
Desejo fluir uma energia boa que é um investimento arrojado...
Desejo manter o imaginário sadio o que considero complexo...
E o que é o amor?
É a sinceridade com a vida.
Não aprendo com o cérebro,
Aprendo com o coração.
Desejo serenidade e paz,
Solto o meu lado louco por vibrações saudáveis...
Quando, assustada, olho para trás em minha vida,
Mal posso crer, que rolando em dificuldades imensas,
Eu decidi incondicionalmente ser a meu favor...

                  A alegria bate em meu coração,
                  Fico bem mais segura.
                  Quando sinto
                  Que só eu posso salvar-me...

Neste feriadão estou pisando na areia branca
Da praia da Solidão.
Ao longe contemplo a ilha de Campeche.
O mar vibra de auto-realização.
Eu não sei o que fazer com tanta exuberância de vida.
Como gratifica sair da rotina...
Descansar, estirar-se ao sol despreocupadamente...
Deixo o pensamento fluir livre,
Sem remorso, sem insegurança com a alma em paz...
Admito aceitar a responsabilidade pela própria vida.
Resgato as alegrias que vivenciei, uma a uma,
Revigoro-me, entro num mundo novo.
Fecho os olhos e serenamente aproveito o sol e a brisa...
A praia não está tão cheia de pessoas...
As gaivotas cantam em coro...
Quanto júbilo!... Aumenta a minha auto-estima.
Há séculos atrás valia o ser humano sem medo.
Ele fazia de tudo para exorcizar seus demônios.
Hoje o modelo é a pessoa sem coragem de ser...
Vou virar o jogo.
Aprendo com o mar a alegria vibrante...
Ele se administra com sabedoria.
A liberdade libera a minha vontade de viver.
Preciso sofisticar a mente para ser feliz...

                  No edifício da vida
                  A utopia é o jogo.
                  Tudo é efêmero...
                  Enaltecerei a luz espiritual...

Do alto da montanha,
Admiro a beleza do mar azulado,
Bordado de pranchas coloridas...
As fontes de motivação estética jorram...
Faz tempo que estou aqui, contemplando o mar...
É um processo cheio de mistérios...
Todo mundo diz:
-O magnetismo espiritual está na natureza.
-Para entendê-la é preciso admirá-la...
Sinto na mente, no corpo e no espírito,
Que a força boa é a que traz vida...
Como Deus é bom!
Propiciar um planeta tão generoso...
Aqui, neste lugar tudo é gratificante espiritualmente.
A prova maior é que esta mensagem de esperança
É mostrada pelo ritmo das ondas do mar...

                     Mistérios da fé...
                     Montanhas verdes... mar azul...
                     Perfume de água salgada...
                     Iluminação da alma...

O que mais temo na vida,
É perder a qualidade das minhas motivações...
Sempre me pergunto:
-Como está a auto-estima?
Porque percebo sinais quase invisíveis...
São as depressões, que não pedem licença,
Para me avisar que nem tudo vai bem.
Mas pensando profundamente,
É uma verdadeira mágica,
Conciliar tempos de confinamento extremo com relax
É uma verdadeira mágica
Conciliar a escravização materialista extrema
Com o crescimento da alma...
Percebo quando é preciso parar...
Para renovar-me e acreditar que tenho alma

                     Interpretar mensagens...
                     Identificar gestos...
                     Pressentir signos...
                     Sentir a essência divina...

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