Regina Diniz
Não posso esquecer-me...
O planeta é lindo...
Avalio os meus objetivos de vida...
Lembro da minha alma.
Andando pela rua da praia ao entardecer,
Senti-me sufocado pela multidão,
Que caminhava rápida e silenciosamente...
E arrebentava no íntimo da minha emocionalidade
A frieza personalizada das pessoas.
Então pensei: fiquei oito horas no trabalho
E estudarei até as vinte e três horas.
Estava sedento por integração humana,
Pelo menos vê-los... de preferência menos tensos...
Mas estava num mar de conformismo cultural.
Havia perda do sentimento de ser.
A dureza dos traços faciais decretava a frieza...
E estraçalhava o encanto da sedução,
Que pela sua ausência fortalecia a aridez da hostilidade.
Até a juventude endureceu o olhar...
Perdeu-se o encanto pela estética dos sentimentos...
A luta pela sobrevivência tornou-se um campo de batalha,
É o império da baixa auto-estima.
Sumiu o arrebatamento da busca humana,
Que foi substituído pela escravidão às falsas aparências...
Almejo vivenciar a alegria da vida...
Retoco a beleza interior...
É fundamental...
Compreendo Deus...
É difícil enfrentar o medo da vida.
A fuga do medo enfraquece...
E muita gente está desesperadamente,
Comprando a tranqüilidade dopada...
Ou a agressão dopada...
Ou a alegria dopada...
Necessito de experiências que me fortaleçam,
Aprenderei a usar os músculos emocionais...
Acharei o aonde e como...
Encontrarei a área da livre expansão da mente.
O conformismo cultural veio para ficar
Por séculos, séculos e séculos.
Esquivar-me-ei...
E aprenderei a explorar o mundo...
Não é fácil abrir o porta-jóia das verdades do mundo...
Todos escondem de todos a chave,
E tudo se perde,
E tudo fica mergulhado em profundo tédio,
Mas talvez não saibam...
Graças a Deus temos o dom de pensar.
O ideal seria captar a essência da vida...
Fazer um plano a longo prazo,
Talvez se organizar em décadas...
Até agora o que mais me chamou a atenção,
Foi deduzir claramente que neste planeta,
A única certeza é a incerteza,
Acho a cultura violenta demais...
Tenho medo e vou seguindo passo a passo...
Esforço-me pelo nível de consciência elevado...
Que pratico comigo mesmo...
Os meus anseios interiores me dizem:
-Concilie o material com o espiritual...
Não me adapto ao modelo adotado,
Não gosto de viver confinado,
Parece que estou sitiado,
Sinto-me acorrentado mentalmente,
Preciso urgentemente,
De uma área de livre criatividade,
Para descobrir novos meios de ver o mundo.
A minha sensibilidade maior me diz,
Que o ato de viver exige
Explorar as maravilhas
Dos segredos do ser...
E precisamos de toda a vida
Para conhecê-los, vivê-los, e apreciá-los.
São complexas as dificuldades,
Pois há perigo em toda parte,
Mas vencidas as armadilhas da jornada,
Alcançados os pontos centrais de ultrapassamentos emocionais...
É magnífico o meu destino de crescimento pessoal.
Sinto-me na vertente do sonho,
No futuro o desconhecido,
Visão impenetrável, extremamente fantástica...
Aventureiro da compreensão da vida...
Aventureiro da motivação da vida...
Aventureiro da difícil subida da vida...
Aventureiro da escalada no limite das minhas forças...
O tio Jarbas convidou-me para fazer uma pescaria,
Libertar-me-ei das pressões da civilização por dois dias...
Recolhi-me cedo ontem, dormi o sono dos justos,
Agora são quatro horas da madrugada de sábado,
Estamos viajando para acampar às margens
Do rio lagoão... três horas até lá...
Voltaremos domingo a tarde para Porto Alegre,
Ele tem um filho que é engenheiro eletrônico,
E trabalha em São Paulo,
Tem vinte e sete anos, é dez anos mais velho do que eu.
O pai e ele se deram bem na vida,
Só casaram uma vez e são felizes.
Eu acho o tio Jarbas de um rigor ético
Que me intimida...
Pratica esporte com freqüência admirável,
É sociável mas distante...
Não partilha intimidade com quase ninguém...
Mas coopera em grupos filantrópicos...
É jovial, não aparenta a idade que tem...
Vou desfrutar de uma ótima oportunidade,
Para conhecê-lo melhor... estreitaremos laços...
Passamos por um barômetro que marcava treze graus.
O tempo está ótimo, pois o céu está estrelado...
O frio purifica o ar.
Na estrada, parece que estou em outro mundo, partilho com a natureza...
É bom estar junto dela...
O grande desafio
É instigar-se...
Tudo é coberto de mistérios...
É intrincada a dança da vida...
-Tio Jarbas, eu tenho dificuldade de compreender a vida...
-E o senhor?
-Eu também acho a vida bastante complexa... até hoje...
-Vivemos num momento extremamente confuso...
-É preciso atenção à deriva...
-São tempos de consciência confusa...
-Delinearam-se estradas perigosas...
-Estamos no auge do império da vulgaridade...
-As insignificâncias estão entronizadas...
-Eu e o teu pai não arredamos um milímetro sequer
-Do aprofundamento de nossos dons e talentos...
-E selecionamos compulsivamente...
-As formas socialmente construtivas...
-É um empreendimento santo...
-Aprendemos com os nossos pais...
-Que acreditavam só em relações cooperativas...
-A nossa mãe era extremamente perseverante...
-Ela dizia todos os dias...
-O objetivo fundamental da vida é aperfeiçoar-se...
-E o resto é o resto...
-Mas o que vemos atualmente é a exaltação da trivialidade...
-Que nos empurra para trás... e nos cega totalmente...
-E o nosso pai era essencialmente positivo,
-Nas horas mais difíceis dizia:
-É preciso sorrir para a vida,
-E jamais deixar escapar a tensão seletiva...
-Este é o grande segredo...
-Mapear e compreender o próprio coração e a própria obstinação...
-Enriquecer a sensibilidade...
-Garimpando as energias positivas...
-É preciso prestar muita atenção,
-O caminho está cheio de pedras invisíveis
-O ideal é trilhar pelo lado estimulante,
-Empenhando-se nas descobertas das verdades...
-Que estão escondidas...
-Este é o maior encanto da procura...
Não quero que a vida seja fácil...
Seguirei os meus sonhos...
O bem deve vencer o mal,
Para renovar a terra...
Cada um de nós armou a sua pequena barraca,
Apenas há dez passos da margem do rio,
O lugar é paradisíaco...
Ouço o som das águas que deslizam silenciosas,
Que curam as feridas do estrago sonoro do centro urbano...
É uma excelente sensação...
As belas montanhas espalham-se na minha frente...
As nuvens brancas no céu azul
Movem-se lentamente, modificando a paisagem
E mostrando a continuidade das infinitas mudanças,
Provando que a renovação existe,
E é natural na vida de todos.
Atrás de nós a mata vicejante marca presença,
Respiro oxigênio puro,
Perfumado pelas flores nativas,
Tudo é muito puro,
É a luta pela distante perfeição,
É a porta para o sol, para o vento, para a vida interior...
A natureza transmite esta mensagem...
O melhor de nós para todos indistintamente...
E não unicamente o tudo só para mim...
Que ambiência fantástica...
Causa-me assombros de alegria profunda,
E a natureza oferece tudo gratuitamente,
Não dá para acreditar...
Agora ao meio dia, estamos assando duas piavas,
Eu colhi maracujás no mato,
E agora tomamos suco bem puro,
Sinto-me vibrar de alegria por dentro...
Tio Jarbas achou amoras vermelhas,
Um verdadeiro mel de tão doces,
À tarde leremos bons livros...
Para continuar ativando as próprias possibilidades,
Que é um poema inacabado e inacabável,
É o infinito é a magia do crescimento interior...
Oriento as minhas revoadas cognitivas...
Tudo é magnético...
Tudo é inconsciente...
Tudo é Deus...

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