Regina Diniz
Escalo novos degraus de autoconhecimento...
Administro a vida com propósitos novos...
Quero tanto que aflore
Novas habilidades, novas interpretações...
Estou sentado no ponto de café expresso,
No shopping “Praia de Belas” em Porto Alegre...
Enquanto brinco com a espuma dourada e cremosa,
Que flutua no cafezinho fumegante,
Olho atentamente as pessoas que transitam entre as lojas.
Espero meu irmão Eduardo...
Percebo que as pessoas ficaram mecanizadas,
A vida as tornou distantes...
Tanto de si como de todos os outros indivíduos...
Impera a fé insensata só na aparência,
É a única janela que ficou de comunicação entre os homens,
Neste novo milênio...
Viver na confusão urbana é complexo...
Aos quarenta anos de batalha vejo que eliminei
O meu eu adolescente e o meu juvenil,
Devo reavivá-los como bandeira de luta na maturidade.
Gosto de pensar e viver a vida com o coração...
É extremamente gratificante olhar as pessoas com afetividade,
Em tempos extremos de vazio existencial...
Em tempos extremos de ausência de rumos...
Escolho flores no jardim do bem...
Conjugo valores eternos...
Só assim dou sentido à vida...
Acalmo-me na alegria intrínseca...
É transparente a sedução apenas pela aparência exterior...
Que pena... que pena...
Não acreditamos na força do afeto,
O esplendor humano é pela fruição afetiva,
Pelos olhos das emoções construtivas enxergamos a paz,
Em todos os dias,
Sempre.
Preciso achar a paz.
Ela está dentro da catedral,
Que foi perdida pela contemporaneidade...
A insegurança emocional reluz na face dos meus tempos.
Queremos esconder a alma.
Temos medo de mostrar o coração,
Somos frágeis... As emoções nos amedrontam...
Invade-me uma alegria repleta de quietude e tranqüilidade,
Só em alimentar a possibilidade de cultivar
Uma aventura construtiva...
A meu próprio favor...
Porque a violência é o pior sentimento que alguém possa carregar.
Nutro um grande sonho de crescer espiritualmente.
Acreditarei na minha própria credibilidade,
Confiarei na lisura de meus objetivos,
Serei correta comigo mesmo,
Nunca... jamais... praticarei a auto-traição...
Nunca... jamais... cairei no auto-engano...
Procuro trazer o céu...
Para a terra...
Vibro Deus...
É uma escolha bem feita...
Viverei corretamente com todas as pessoas que encontrar.
A vida não é só mãos no trabalho.
A vida também é coração em Deus.
Sempre procurei melhorar as minhas escolhas,
Para ser útil indistintamente.
Nunca liguei para os fracassos...
Faz parte dos erros e acertos da caminhada...
A arte do êxito da vida é neutralizar as derrotas...
Mas que derrotas?
Ninguém é derrotado... Ninguém é vencedor...
Todo mundo faz o que pode...
Faz até o impossível para acertar...
Somos heróis todos os dias nos desafios que enfrentamos,
Porque uma nuvem densa escurece os nossos dias.
É preciso enxergar com clareza...
Tenho receio da cegueira coletiva,
E caminhar em círculo durante toda a vida,
Por isso cuido muito de minhas auto-induções...
Só eu posso descobrir os meus segredos construtivos,
Embora seja difícil, exijo-me vias corretas de ser
E a minha alma bate palmas...
A avaliação sagrada é a da própria reputação,
Firmemente é o resultado da avaliação dos meus atos,
Por isso não é válido
Ninguém julgar ninguém e sim se julgar...
Procuro unir os retalhos da minha alma,
Que me mostra o estilo da simplicidade,
Que valoriza as virtudes universais,
É um tom extremamente revitalizador...
O Eduardo está demorando tanto...
Talvez o trânsito congestionado o atrasou...
Mas está interessante ficar aqui olhando as pessoas...
A vida é uma escola difícil...
Custamos a aprender o que nos impulsiona para a frente,
Pisamos facilmente nas pedras soltas do destino,
Que as vezes trancam definitivamente,
As janelas para a compreensão do mundo,
Percebo que a ilusão da auto-suficiência,
É um mal psicológico epidêmico...
Dói dentro da minha realidade interior o medo extremo
De cair nas malhas da infantilidade...
Os nossos tempos proporcionam aos borbotões,
Egos radicalmente ingênuos de onipotência,
Teses arrogantes do indivíduo particular sem a força do social,
A grande virtude da cooperação entre os homens
Desapareceu... Foi tão açoitada...
Que fugiu para sempre, talvez para nunca mais voltar,
E com ela sumiram
As sutilezas da integração humana...
Por forças que desconheço os valores humanos foram sepultados,
Agora é o império dos valores das “coisas materiais”
Mas ninguém agüenta mais...
Haverá um renascimento do homem criativo,
Pétalas de renovação voam ao nosso redor,
Ressurgirá o potencial do homem com grande força...
A lembrança de um momento no tempo,
É o desespero pela mudança
Da realidade violenta...
Desejo ser um raio de sol...
O Eduardo está demorando...
Mas daqui a pouco ele chegará com certeza...
O ser humano de hoje acredita só na força da aparência,
Não restam dúvidas o investimento é extremado,
O interessante é que ele seduz o tempo todo...
Não se cansa jamais...
Repete continuamente o mesmo jogo...
Banalizou o jogo do encantamento...
Liga exaustivamente os imãs de atração,
Não se lembra de si mesmo nunca,
O seu coração deve ser vazio de prazer para si...
Este é o famoso vazio interior...
Parece mentira, mas agora é que eu compreendi.
Ele se expõe à extrema carência de sentimentos,
Tudo para os outros...
Nada para si... Sempre para os outros...
Mas não se liga afetivamente com ninguém,
Mostra o descompromisso emocional abertamente...
É uma pessoa que só tem o presente,
E não pensa em futuro afetivo,
É uma ligação momentânea,
Mas de uma instantaneidade assombrosa,
É consciente da existência dos sentimentos,
Mas é temerosa em usufruí-los...
Tem receio em ser desapontada,
E vive o impossível
Sobreviver com migalhas de falso afeto,
É modesto demais...
Não acredita no potencial das emoções afetivas...
Não acredita na estabilidade dos sentimentos...
Sobreviver com um mínimo de integração,
É um ato heróico...
E continua vivendo a vida bem separado...
E acredita mais do que nunca
Que a suprema felicidade é ser só...
Empatia, união, compaixão...
Invisto na contemplação mística...
É pela via espiritual,
Que encontro a essência da jornada...
O valor afetivo das coisas
Superou o valor afetivo com as pessoas,
Os vínculos com o ser humano estão sepultados,
Agora o homem só quer as coisas...
E lá vem o Eduardo...
Cabeça erguida, discreto, personalidade profunda,
Não se indigna jamais...
Tem consciência da superficialidade atual...
-Maurício, eu demorei porque o cartório estava superlotado...
-Sei que não gostas da impessoalidade moderna
-E dos paraísos de consumo, por isso fiquei apreensivo,
- Mas poderemos viajar para Santa Maria agora já...
- Só vou tomar uma laranjada com sanduíche integral...
-Eduardo, eu sei que não te preocupas com ninguém...
-Mas como não ver a escuridão afetiva dos nossos tempos?...
-Reflete Maurício... Não é racional lutar contra a maioria silenciosa...
-São forças manipuladoras onipotentes,
-Que são jogadas para ninguém pensar em si mesmo...
-Motivações para distraí-lo totalmente... para que não veja...
-Principalmente a imensa escravidão ao tédio,
-Para que não perceba que não evoluirá nada...
-Absolutamente nada... tremendamente nada...
-É o triunfo da passiva escravidão,
-Como jamais aconteceu em outros séculos,
-É a total cegueira de percepção...
-É terrível...
-A pior meta é deixar-se seduzir pelo que não tem vida...
-São urgentes as motivações de vida...
-Para continuarmos vivendo...
-A vida se entrelaça só com mais vida...
-Eduardo: -A natureza é uma mãe apaixonada...
-É preciso amar os artistas da natureza...
-E aprender com eles...
-Apreciar o pulso das emoções pela vida construtiva...
-Admirar o pulso da terra sempre generosa...
-É preciso surpreender-se com os animais em liberdade...
-É preciso extasiar-se com a montanha arrebatada pelo vento...
-É preciso assombrar-se com as forças motivadoras...
-É preciso considerar a sabedoria espiritual...

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