REGINA DINIZ
A lógica da mercadoria contaminou a cultura inteira.
Falsearam as percepções com o mundo que nos rodeia.
Desorientados, perdemos o controle da nossa caminhada.
Foi desencorajada a iniciativa e fugiu a autoconfiança...
Fugirei da procrastinação para o calor construtivo da alma...
A lógica da mercadoria contaminou a sexualidade.
Nunca como hoje se mercantilizou tanto o falso afeto.
Vendemos por muito pouco o nosso corpo,
E achamos que assim salvamos a alma do desespero...
Pensarei além do corpo e buscarei também os tesouros do espírito...
A lógica da mercadoria contaminou as relações humanas.
Os nossos tempos afastaram os homens do leme das emoções.
Hoje o grande timoneiro é o ter virtual.
Morreremos de solidão ao amar só aos objetos...
Refletirei acerca de Deus, da alma, do universo e da vida...
A lógica da mercadoria contaminou os sentimentos.
Fomos transformados em inimigos de nós mesmos.
São tempos de profunda revolta contra si próprio.
Esquecemo-nos completamente da alma...
Preciso urgentemente das vozes celestes...
A lógica da mercadoria reduziu tudo a objeto.
Celebramos o objeto como nunca se viu antes na terra...
A vibração é de encanto alucinante pelos objetos.
Chegamos ao extremo de matar a transcendência da alma...
Percebo milênios de sombra cristalizados contra a luz...
A lógica da mercadoria desintegrou a nossa alma.
Não nos interessa tornar felizes ninguém.
Repelimos com veemência a convivência.
Confinados e rodeados pela solidão dos objetos,
Achamos que somos felizes...
Tudo é belo, tudo é santo na casa de Deus para onde retornaremos...

Nenhum comentário:
Postar um comentário