terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A LUTA PARA SER

                                                    
  Regina Diniz

Decidi querer-me com vontade inabalável.
Paira no ar a paixão por destruir-se, destruindo os outros...
Sobrevivi com o peito apertado por testemunhar o sadismo...
Pago o preço por anos sem realização econômica e pessoal...

Por que não desisti de mim mesma?
Escapei à loucura por um ato heróico de trapaça...

Decidi querer-me com vontade inabalável.
É um período ameaçador que vem de todos os lados...
É sede de agressão vingativa entre indivíduos e grupos...
Ninguém ama a si mesmo e nem aos outros...

Por que não desisti de mim mesma?
Num olhar fugidio vi a possibilidade na estrada da bondade...

Decidi querer-me com vontade inabalável.
Sinto uma angústia constante acerca do próprio eu...
É extremamente difícil construir a segurança interior...
Luto para conservar a integridade de um pingo do meu eu...

Por que não desisti de mim mesma?
Achei possível expressar um mundo de paz e beleza.

Decidi querer-me com vontade inabalável.
Tempos perigosos de desamor a si e aos outros...
Indiferença total pelas próprias potencialidades...
O ser humano deu as costas para si mesmo...

Por que não desisti de mim mesma?
Resolvi boiar na contramão das ondas dos valores destrutivos...

Decidi querer-me com vontade inabalável.
A fragilidade interior é o maior mal de nossos tempos...
A amizade foi substituída pela manipulação e instrumentalidade...
Nunca houve em séculos anteriores uma solidão tão extremada...

Por que não desisti de mim mesma?
Nutri ardentemente o meu autocontrole...

Decidi querer-me com vontade inabalável.
A maior derrota é desistir de si e dos outros...
Perdeu-se a esperança em crescer consigo e com os outros...
Matou-se a alma por decreto hedonista...

Por que não desisti de mim mesma?
Enfrento os meus tempos com a arma da esperança...
Em extrema adversidade...

Nenhum comentário:

Postar um comentário