Com a queda do Muro de Berlim, fez-se leitura simplificada do significado do fim da guerra fria, constatando-se precipitadamente a emergência de nova ordem internacional, uma definitiva “Pax Americana”, à qual seria inevitável ajustar-se. Aceita-se a proclamação do fim da História, com a vitória da economia de mercado e da democracia. Cria-se um clima de tal conformismo, que um intelectual do porte de Vargas Llosa, com pretensões de governar o seu país, ousaria tomar, sem pejo e até com entusiasmo, a imensa liberdade de sugerir, em artigo assinado, que Porto Rico, como Estado associado dos Estados Unidos, passasse a constituir o modelo, por excelência, para a América Latina. Proposta esdrúxula e vexaminosa, que passou indene, sem comentários, de forma que indica o grau de anestesiamento da consciência nacional na região. Os países latino-americanos comportam-se como países derrotados”.(Paulo Nogueira Batista – livro: O Consenso de Washington 1994).
Conformados, rendidos e iludidos perderam a motivação de se confirmarem como verdadeiras nações independentes. Amedrontaram-se pela ausência de conhecimento, porque não tinham economistas, que soubessem compreender o modelo diferente do plano nacional. Desesperados e perdidos demonstraram com extremada aceitação a dependência aos Estados Unidos.
O marketing das idéias neoliberais foi esplendidamente planejado, sinalizando a modernidade na América. Elogiava a visão do progresso, da inteligência e à coragem renovadora de seus líderes. Surgiam slogans charmosos – Globalização – Trans-nacionalização – etc... Instala-se na América Latina, no discurso e na ação, a postura de dependência externa total. Fizeram empréstimos vultuosos.
O trauma dramático para a América Latina, foi a decisão do Federal Reserve System de elevar as taxas de juros sobre o dólar para combater a inflação nos Estados Unidos. Toda a América Latina caiu pesadamente nesta armadilha. Os presidentes da Argentina do Brasil confiscaram a poupança do povo. O desespero tomou conta destes países. Inteligentemente, o General De Gaulle disse esta frase: “Os países, a rigor, não têm amigos, tem interesses”.
Seria necessário construir um consenso “made in Brasil”, e para produzi-lo em uma grande aliança, que inclua partidos políticos, intelectuais, educacionais, economistas em um excelente plano neste sentido.
O que nos falta é admitir, que tudo depende de incentivar novas apreciações, novas idealizações, que incentivemos nosso sonho maior de sociedade democrática. São prioridades terminar com o analfabetismo, terminar com a falta de investimento em educação, terminar com a falta de saneamento básico, terminar com a impunidade a fim de superarmos os obstáculos contra os quais lutamos há décadas. O FMI é uma falácia. A retomada de nosso crescimento econômico e social deverá surgir de nosso trabalho, porque aprendemos através de uma lição, que os investimentos externos são terríveis armadilhas.
Não restam dúvidas que a simplicidade intelectual do sistema latino-americano encoraja abrangentes “consensos”. Não conseguimos combater a miséria e então copiamos soluções concebidas no exterior. Esta submissão intelectual para obter ajuda externa, obrigatoriamente deverá ser substituída pela implantação da educação, em nosso país, nunca assumida com seriedade.
Há mais de quarenta anos, as nações do mundo afirmaram na Declaração Universal dos Direitos Humanos que “toda pessoa tem direito à educação”. No entanto, nada foi realizado por países do mundo inteiro, que não implementaram o direito à educação para todos, pois persistem as mesmas realidades. – mais de cem milhões de crianças das quais pelo menos 60 milhões são meninas não tem acesso ao ensino primário. Mais de um terço dos adultos do mundo não têm acesso ao conhecimento impresso, não tem acesso às novas habilidades e tecnologias, que poderiam melhorar a qualidade de vida e ajudá-los a perceber às mudanças sociais e culturais.
Hoje, o mundo enfrenta mais um quadro sério de problemas: o aumento da dívida de muitos países, a ameaça constante da decadência econômica, o rápido aumento da população, as diferenças econômicas crescentes entre as nações e dentro delas, a guerra, a ocupação, as lutas civis, a violência. Se fossem atendidas as necessidades básicas de aprendizagem, se fosse ministrada a educação básica para significativas parcelas da população a sociedade enfrentaria esses problemas com vigor e determinação.
Se a qualidade de educação tivesse sido enfrentada em nosso país, há quarenta anos atrás, teríamos discutido com sabedoria o consenso de Washington, e não teríamos sido tão brutalmente enganados pela nossa ignorância econômica e social. Durante a década de 80 a baixa educação básica dificultou imensamente os países menos desenvolvidos. A aceitação da educação como um extraordinário Capital Humano, em países com relativo crescimento econômico permitiu financiar a expansão cultural, mas milhões de pessoas continuam na pobreza, privados de escolaridade ou analfabetos.
Em países industrializados, o corte nos gastos públicos em educação na década de 80, impulsionou a deteriorização educacional e econômica. Mas este novo século vem carregado de esperanças e de oportunidades. Os países ricos pedem aos países subdesenvolvidos que invistam em educação. Testemunhamos o reconhecimento do valor da educação, rumo ao entendimento pacífico e de uma troca e cooperação entre as nações.
A chanceler alemã, Ângela Mercker e a nossa presidente Dilma Rouseff disseram a repórteres depois de uma reunião na feira de tecnologia Cebit, em Hanover em 06/03/2012, que discutiram as preocupações de Dilma de que uma enxurrada de dinheiro barato das nações industrializadas, incluindo as operações de liquidez do Banco Central Europeu (BCE), prejudicava países como o Brasil por levar a uma apreciação de suas moedas. Ângela Merckel afirmou que tranqüilizou Dilma, explicando que essas eram apenas medidas temporárias destinadas a ajudar as reformas da zona do euro a fim de enfrentar a crise da dívida...
Neste mesmo dia Ângela Merkel e a presidente Dilma Roussef assinaram um livro de ouro digital, o livro de visitantes, no estande da Microsoft durante visita à Feira Internacional das Tecnologias da Informação e das comunicações, a Cebit, em Hannover, um dos maiores eventos do mundo de computadores para as inovações digitais e tendências. Durante a abertura desta feira Dilma Roussef disse em discurso que: “A exclusão digital, das tecnologias da informação, acentua as desigualdades já existentes. [...] O Brasil fez opção clara nos últimos anos por universalizar o acesso à tecnologia”. Segundo ela, os benefícios decorrentes do desenvolvimento das tecnologias da informação não podem ser “privilégios de poucos”.

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