quinta-feira, 2 de setembro de 2010

MAR DE INDEFINIÇÕES

Regina Diniz

Com o olhar perdido no horizonte
Identifico a minha realidade...
Nado num mar de indefinições,
A procura do caminho verdadeiro...

A manhã está ensolarada...
A grande mensagem é superar-se.
O mar dá o tom da busca do espaço de ser.
As ondas altas se debatem freneticamente,
Explodem mostrando o valor da adrenalina do bem.
A brisa suaviza a compreensão e explica o devagar e sempre.
Aqui de cima do penhasco,
Observo um casal pescando lá embaixo,
Com carretilhas modernas lançam os anzóis longe da costa.
Já pescaram quatro anchovas.
O rapaz alegremente me abanou.
Noto que o ser humano busca integrar-se com a natureza,
Equilibrando seu magnetismo espiritual.
Desço do penhasco, meus pés são tocados pela água salgada.
Exorcizo os meus demônios... Aqui não tem lugar para a negatividade.
Um grupo de gaivotas vivencia esta energia positiva...
Toda envolta em mar resplandecente,
Que se torna belo pela agitação ritmada das águas...

O meu tom no mundo,
É liberar impulsos bons...
Quero iluminar pontos positivos...
Inspiro-me em idéias saudáveis.

O rochedo está todo molhado,
As ondas atacam com violência,
Determinadas a quebrar a indiferença das pedras...
Ouço batidas fortemente pesadas,
E não há trégua por parte das ondas.
O rochedo abriga uma diversidade de vida,
São ostras, mariscos, siris agarrados nas pedras.
E duramente são atingidos pelas águas,
Mas agüentam com firmeza inabalável.
E não há trégua, de minuto a minuto,
O mar organiza-se em altas marolas,
A mobilidade ritmada das ondas deslumbra...
Nestas auto-afirmações identifico-me com o rochedo,
Que suporta esta guerra sem se mover,
E ainda sustenta uma cadeia de vida alimentar...
Sobreviver nesta situação é heróico.
Aprendo com o rochedo a tolerância...
Aprendo com o rochedo a paciência...
Aprendo com o rochedo a coragem...
Este lugar é um berço de questionamento existencial.

A percepção interior é o céu da alma...
É a razão desta viagem de elevação espiritual...
Fluo serenidade e perdão,
Venço a ansiedade e depressão...

Tanto as ondas como o rochedo,
Sinalizam que o processo de afirmação absoluta,
É o que os mantém vivos.
Aprendi com as ondas que a beleza do embate
É a vitória da compreensão.
Como prática de vida para toda a vida.
As ondas se quebram e não desistem jamais...
É este o caminho que devo tomar por conta própria.
Lembrar-me-ei deste lugar em momentos bem difíceis...
Para manter-me com equilíbrio na resistência,
Naqueles momentos em que eu cansar,
E achar que nada mais vale a pena.

Enalteço a realidade,
Da responsabilidade para comigo mesma.
Bons pensamentos me encorajam.
Assumo novos valores...

Não desistirei jamais da busca da consciência amplificada.
É muito triste entregar os pontos...
Não me perdoaria, posso mudar as metas,
Mas desistir nunca...
Abro uma janela para o aprendizado espiritual...
Abro espaços para pensar melhor...
Pacifico as minhas emoções.
Apago da minha memória emocional
As minhas derrapadas na ladeira da vida
O mundo está cheio de ódio incontido.
Do meu santuário interior brota afeto incondicional.
Ultimamente tenho sonhado muito com um belo oásis
Incrustado num grande deserto.
Penso e deduzo que devo enfeitar-me de boas emoções,
Nos lugares por onde passar.
Sonho com jardins no deserto...
O que será que o meu inconsciente quer dizer?
Que devo cessar batalhas interiores?
Que devo adubar as flores no jardim do meu coração?
As tensões e compulsões interrompem a qualidade das percepções.
Fiz um tratado de paz comigo mesma.
Chega de guerras negativas
Que nunca me ajudaram em nada.
Decidi ser a minha própria mestra...
Faço uma limpeza interior profunda,
Não faço o mal para ninguém.
Expulsei de dentro do meu coração a arrogância do não ser.
Conquistei-me quando assumi a responsabilidade por tudo.
Agora não transfiro nada para ninguém.
Procuro saídas cabíveis...
Ando atrás da minha maior promessa de buscar sentido de vida...
Nutro a qualidade do meu imaginário.
Vejo que aprendo um pouco da pedagogia da vida.
Cultivo o jardim dos meus deuses...
E pergunto-me ao despertar pela manhã:
Qual é a essência da minha alma?
Há algo ferido no meu interior que não consigo descobrir.
Cuido da minha personalidade com toda a delicadeza.
A vida sempre aponta para grandes mistérios e descobertas.
Não posso desidratar-me da poesia da motivação elevada.

As idéias abstratas fascinam...
Procuro a essência de ser.
Curvo-me para a beleza da vida.
Que afeta o espírito de todas as crenças...


Agora, admiro as ondas calmas e volumosas...
Que ao baterem nas pedras
Transformam-se misteriosamente em espumas brancas,
Que é a tonalidade da paz.
Pousa elegantemente, aqui perto uma garça branca.
Suas pernas longas são pretas, seus pés amarelos.
Observando atentamente o mar, ela come pequenos camarões,
Que ficaram presos entre as pedras.
A beleza da garça está na calma,
Cada passo é medido,
Daí o seu caminhar cativante.
Salvou-se da ansiedade e compulsão.
O bando já foi embora, ela está sozinha.
Gaivotas compartilham deste espaço lindíssimo.
Aqui há respeito às individualidades.
É valiosa a independência de ser...
É dura a vida da pessoa dependente...
Acredito que fique totalmente bloqueada,
Sem nenhuma chance de emergir...
Fui muito assediada para que me deixasse ser,
Um objeto de manipulação afetiva,
E pagavam um preço bem alto...
Admiro a individualidade de ser...
Admito que é uma conquista interior.
Vale a pena almejar vir a ser um indivíduo completo.
Deleito-me ao agir com segurança pessoal.
Esta escolha acompanhar-me-á pelo resto da vida...
Sempre olhei o mundo com os meus próprios olhos,
Isto é fundamental...

Fujo dos meus tempos...
Que acredita piamente
Na renúncia de si mesmo...
Que despreza as próprias emoções...

Pratiquei esportes desde muito cedo,
Vi nas comprovações de luta uma centelha de firmeza...
Eclodia a noção de responsabilidade pela própria competência.
Gosto muito de criar opiniões próprias,
E lutar por elas... Mas lutar muito.
Já abandonei inúmeras frentes frias,
Que não pediram licença para agredir-me.
Reagi e disse:
-Eu também tenho o direito de existir...
Defendo com todas as forças o meu território emocional.
Coloquei o meu barco no mar da vida,
Icei as velas,
E olhei o céu azul da felicidade espiritual...
Pouco a pouco aprendo a eliminar os pontos negativos,
E começo a conhecer o interior do meu espírito.
Ninguém nunca me aplaudiu,
Mas eu aprendi a me aplaudir...
Diariamente...
Assim coloco combustível emocional
E ilumino o farol do meu caminho...

O meu ontem foi um mistério de superação...
O meu hoje continua com profundas perguntas...
O meu futuro ainda não cheguei lá...
Surfo nas marés do agora, investindo no divino...


Nenhum comentário:

Postar um comentário