terça-feira, 28 de setembro de 2010

JÚBILOS DA ALMA ERRANTE

 Regina Diniz


  O tempo é precioso...
  Meu coração palpita antecipadamente...
  Acena-me júbilos para a minha alma errante...
  Sigo sinais em busca de auto-realização espiritual...


 Sinto-me a beira de uma possível depressão...
 Vejo-me cansada... Nada tem graça...
 Trabalhei muito... freneticamente...
 Um descanso junto à natureza vibrante curar-me-á.
 Irei sozinha... Quero descobrir um estilo de vida pacífico...
Quero o silêncio da mata que propõem orações ardentes,
Que acalmará o meu coração agitado.
Vou para Canela, num pacote turístico,
 Especializado em treinos de sensibilidade interior,
 Desejo aproximar-me com intimidade
 De metas e propostas sadias,
 Que me levem a descobrir a fonte de valores de vida.
 Espero o despertar de meu auto-encontro,
 Que está guardado no meu peito.
 Então é eu só comigo mesma.


 O caminho é duplo...
  Sublimes trilhas verdes...
  Pés que caminham em silêncio...
  Para que a alma se revele...


 Esta viagem de aventura me alegra...
 O ar puro e frio renova as minhas emoções,
 Calejadas pela violência de Porto Alegre.
 Aqui, neste hotel, bem no alto, descobrirei a energia cósmica.
 Uma fila de espetos de carne de gado,
 Aguarda a hora de ir para a grelha.
 A iluminação é discreta, velas, lamparinas, tochas,
 Num canto três argentinos cantam músicas portenhas.
 Daqui do terraço descortina-se uma esplêndida visão do lago,
 Que antecipa a entrada na mata,
 Que abriga uma gruta milagrosa...
 E assim, à luz do crepúsculo, transcendo o mundo material...
 E assim mergulho num clima de liberdade de expressão,
 Que abriga um grande sonho de crescimento interior.


                   
O lago é uma miragem,
Que sob o luar...
Veste-se de prata...
 O céu está cheio de estrelas...


Ao redor de uma mesa grande que convida à interação,
Formamos um grupo heterogêneo de amigos recentes
Um inglês, um francês, e uma filipina.
Fiquei interessadíssima neles, brotou a chama da relação imediata,
Um sentimento de identificação de pessoa-a-pessoa...  
Um certo amor aos divergentes,
Um certo respeito aos indivíduos que buscam os seus destinos.
Este congraçamento humano surgiu de repente.
Não sabia o que fazer com tanta gratificação...
Era um afeto represado,
Que despertou a expressão de sentimentos,
Que explodiram no meu peito congelado...
Olhava-nos em silêncio...
Surpresa eloqüente ditava as regras.
Jeitos diferentes de ser...
Surgiu um envolvimento pessoal positivo...
O antídoto para a padronização


A liberdade salva...
O confinamento mata...
 Apropriar-se da graça da vida,
 É encantar a própria vida...


Olho para o lago lá embaixo,
Mas não consigo distrair-me,
O meu foco mental são os três.
 Procuro respostas para os mistérios dos encontros.
Gostaria de ser uma andarilha remunerada,
Viajando que nem eles, conhecendo a diversidade do planeta.
Fiquei impressionada com as aparências diferentes.
O lago, agora, está cheio de contrastes luminosos.
A lua capricha na sedução...
E o lago se embeleza todo,
Provando que o silêncio...
Provando que a quietude...
É tudo na luta interna pela perfeição...
Aprendo um novo modo de experimentar o mundo...


Giro a alavanca inicial...
 Renovo metas emocionais...
 Reinvento a beleza interior...
 Preciso desta bênção divina...  


Nós quatro ouvíamos os três instrumentistas
Tocando e cantando em espanhol.
Todos nós falávamos idiomas diferentes.
Pagamos mais caro pelo pacote turístico,
Cuja peculiaridade era total privacidade,
Para dedicar-se a si mesmo...
Então a coerência deveria vencer,
Porque é a mãe da sanidade mental.
O conjunto nos convidou a cantar uma canção pátria,
Eu cantarolei um samba bem pipocado...
Todos mostraram o folclore de suas terras
Foi um encontro de união entre os povos.
Em seguida nos despedimos afetivamente.
Era uma emoção muito pura...
As amizades efêmeras comprovam a sua força...
Aquele encontro foi significativo
Pela experiência de policultura.
Éramos pessoas de lugares longínquos.
O elo forte que fluiu foi vibratório...
Talvez fosse a atração e sedução para o interior de si próprio.
Sabíamos que nunca mais nos reencontraríamos,
A não ser através desta rica lembrança de identificação.
Trinta anos e ainda não tenho a consciência da verdade...
Tenho muito a aprender...
Operacionalizo esta busca através de viagens de sonho...
A noite caiu gélida...
A aragem é cortante...
Aninho-me em cobertores de pura lã...
E penso:
Amanhã será outro dia maravilhoso.


Correr o risco...
 Nas grandes aventuras...
 Para conhecer a individualidade única...
 Para conhecer novos territórios interiores...


Ilumino com uma pequena lanterna,
A trilha de pedras recoberta de grama verde.
Levo no colete um cantil com água.
Estou realizada nesta busca de compreensão profunda,
E por não estar fechada em quatro paredes.
Trabalhei toda a semana...
Minha casa é rica de simplicidade...
Mas não é tudo, pois anula a interação com a natureza.
Não agüento viver a vida
Sem a possibilidade de significativas transformações interiores.
Integrar-se a todas as forças é manter a vitalidade.
Caminhando nesta mata sinto que ultrapasso
As muralhas invisíveis da rotina...
Defronto-me com o vento frio,
E agarro um pouco da coragem da natureza,
Que também é minha e eu também sou parte dela,
Intercambiamos energias sutis...


Caminho despreocupadamente...
 A minha alma está livre...
 Estou bem calma...
 Meu coração se renova...


O meu baú de angústias e ansiedades
Sepultei-o há muitos anos atrás,
Porque quero expandir a minha percepção...
Procuro desapegar-me das emoções negativas...
Procuro o equilíbrio espiritual.
Ouço o respeito silencioso das árvores...
Percebo o vôo dos pássaros na escuridão da madrugada...
Aqui é a lei do silêncio e serenidade
Para decidirem o que é melhor para si...
Minhas emoções são influenciadas por esta seleta platéia,
 Que me olha como amiga,
E não como intrusa.
Acho que a natureza e o ser humano,
Lutam pela qualidade emocional.
Quanto mais renovada a mente
Mais o coração se purifica.


A fé é inconsciente...
 Basta crer...
 Fico autoconfiante...
Confio no compromisso espiritual.


Descendo, chego à gruta, símbolo religioso deste lugar.
Este santuário é muito procurado.
Esta obra foi executada três séculos atrás...
Ali naquela paz estava Nossa Senhora das Graças.
Ressaltava o véu branco...
Ressaltava o manto azul...
O rosto exaltava a força da piedade...
Braços abertos espargindo graças...
Mãos estendidas, mãos acolhedoras...
A seus pés um jovem colocou três rosas brancas dizendo:
-Ajude-me a curar esta depressão...
-Tenho a vida pela frente...
-Ajude-me a sorrir...
Eu precisava ter ouvido este pedido...
Vim até aqui para sentir fortemente
A presença do divino...
Vim até aqui para aprender
O recolhimento espiritual profundo...


Aqui a presença de Deus é imensa...
Ele prova a sua existência...
Mostra-se através da criação.
Compreendo o oceano imenso e as galáxias...


Tomo a água abençoada que corre livre na cascata,
Que me ajudará a construir a fortaleza da alma.
Quero ver a luz espiritual que cura.
Estou sentindo uma tranqüilidade profunda.
Todos nós nos ajoelhamos em silêncio respeitoso,
Enquanto o lusco-fusco da alvorada transformava-se em luz,
E realçava, aos poucos, o lago plácido e sereno.
Quando o sol nasceu, o cenário ficou emocionante...
Imagens de santos esculpidos em pedras,
Refletiam-se nas águas tranqüilas...
Havia várias pessoas no santuário,
E logo se ouvia orações comoventes...
Nestes lugares miraculosos,
Onde todas as pessoas desejam evoluir,
Através da fé pura.
Eu procuro compreender a minha inteligência espiritual.
O meu próprio comportamento de crescimento espiritual.
O magnetismo das orações transmite-me novas paisagens da alma.
A fé tem o poder de transformar vidas.
A inteligência espiritual vibra no meu coração. 

Exercito a auto-renovação...
Desejo salvar-me...
Preciso curar-me...
Deus já fez tudo por mim...

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